Banco Master: o maior rombo financeiro do FGC e as fraudes que chocam o Brasil
O Banco Master entrou para a história recente do sistema financeiro brasileiro como um dos maiores escândalos de fraude e má gestão já registrados. Em um depoimento à Polícia Federal no final de 2025, Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, revelou detalhes que colocam o caso do Master em pé de igualdade com o famoso colapso do Banco Cruzeiro do Sul, que abalou o mercado em 2012.
Com um rombo estimado em mais de R$ 47 bilhões, o prejuízo deixado pelo Master ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ultrapassa em muito o estrago causado por outras instituições no passado. Quer entender como essa crise se desenrolou e quais foram os principais pontos levantados pelas autoridades? Continue a leitura e descubra tudo.
Fraudes em série e o crescimento insustentável do Banco Master
O Banco Master apresentou um crescimento acelerado, mas que escondia sérios problemas de liquidez e insolvência. Segundo Ailton de Aquino, a instituição usava um esquema de emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) sem lastro real, criando uma bolha de créditos fictícios para mascarar os números e atrair investidores.
Essa prática, apontada pelo Banco Central como gestão fraudulenta, gerou uma carteira de créditos que não existia de fato, envolvendo operações fraudulentas de mais de R$ 11 bilhões. O caso chamou atenção pela semelhança com o Banco Cruzeiro do Sul, que também criou créditos inexistentes e foi liquidado após a descoberta das irregularidades.
Investigação da Tirreno Consultoria e a fraude bilionária nos créditos consignados
Outro ponto crucial das investigações envolve a Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A, empresa paulista que gerou uma carteira de R$ 6,7 bilhões em créditos consignados fraudulentos. A Tirreno teria criado operações fictícias, que foram vendidas pelo Banco Master ao BRB sem qualquer lastro.
Durante o depoimento, a delegada Janaina Pereira Lima Palazzo questionou sobre a existência de casos anteriores com falsificação em escala similar. Aquino confirmou que, embora o Banco Central já tenha enfrentado fraudes, o tamanho e a complexidade do caso Master são alarmantes e demandam uma resposta rigorosa das autoridades.
O impacto no sistema financeiro e as medidas do Banco Central
O Banco Central tomou medidas drásticas para conter os danos causados pelo Banco Master. A liquidação extrajudicial foi decretada em novembro de 2025, e a investigação apontou para um esquema de fraude massiva que envolveu repetição de números e falsificação de documentos em diversos estados do país.
Além disso, o caso serviu para reforçar mudanças no Sistema de Informações de Crédito (SCR), aprimorando a fiscalização e a transparência nas operações de crédito. Segundo Aquino, as técnicas de auditoria utilizadas foram fundamentais para comprovar a inexistência dos créditos e para identificar a ausência de movimentações financeiras reais, como transferências via Pix ou TED, associadas às operações fraudulentas.
Outro aspecto relevante foi a decisão do Banco Central em liquidar o Will Bank, que fazia parte do conglomerado do Master, após inicialmente mantê-lo ativo por seu papel social junto às classes C, D e E. Essa medida reforça a preocupação das autoridades em evitar riscos sistêmicos e proteger os consumidores mais vulneráveis.
O episódio do Banco Master deixa claro que o combate à fraude no sistema financeiro brasileiro exige vigilância constante e ações rápidas para evitar prejuízos bilionários e preservar a confiança dos investidores e da população.
O desfecho desse caso ainda será acompanhado de perto por especialistas, investidores e autoridades, que buscam evitar que episódios semelhantes voltem a acontecer. Até lá, o estrago deixado pelo Banco Master servirá como um alerta para todos os envolvidos no mercado financeiro.
Perguntas Frequentes
Qual foi o rombo financeiro causado pelo Banco Master?
O rombo estimado pelo Banco Master ultrapassa R$ 47 bilhões.
Quais fraudes foram descobertas no Banco Master?
O banco usava Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) sem lastro real, criando créditos fictícios.
Como o Banco Central reagiu ao caso do Banco Master?
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025.
O que foi a Tirreno Consultoria no caso do Banco Master?
A Tirreno Consultoria gerou uma carteira de R$ 6,7 bilhões em créditos consignados fraudulentos.
Quais medidas foram tomadas para evitar novas fraudes no sistema financeiro?
Mudanças no Sistema de Informações de Crédito (SCR) foram implementadas para melhorar a fiscalização.