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Futebol argentino em crise: AFA suspende rodada do Apertura em meio a investigações e confronto com governo Milei

28. fevereiro. 2026
4. Min. de leitura
Futebol argentino em crise: AFA suspende rodada do Apertura em meio a investigações e confronto com governo Milei

O futebol argentino vive um momento tenso e repleto de incertezas. A Associação de Futebol Argentino (AFA) decidiu suspender a 9ª rodada do Torneio Apertura da Liga Profissional de Futebol (LPF), que estava marcada para os primeiros dias de março de 2026. A medida é uma resposta direta à investigação da Receita Federal da Argentina (Arca) sobre supostas irregularidades fiscais envolvendo a entidade, que nega qualquer dívida.

Essa paralisação representa apenas o mais recente capítulo de uma crise que já dura mais de dois anos, envolvendo disputas judiciais, embates ideológicos e uma forte resistência da AFA e dos clubes à tentativa do governo de Javier Milei de transformar o futebol local por meio da adoção do modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

Investigação fiscal abala a AFA e provoca suspensão de jogos

O estopim da crise atual foi a denúncia da Arca sobre uma suposta retenção ilegal de contribuições previdenciárias e outros impostos, que ultrapassa 19,3 bilhões de pesos argentinos, o equivalente a cerca de R$ 70 milhões, previstos para os anos de 2024 e 2025. A Receita Federal acusa a AFA de irregularidades que comprometeriam a saúde financeira do futebol nacional.

Em resposta, a AFA negou com veemência qualquer irregularidade fiscal e afirmou estar em dia com suas obrigações. Contudo, o juiz Diego Amarante, responsável pela Vara Criminal e Econômica, intimou o presidente da entidade, Claudio “Chiqui” Tapia, e outros membros da diretoria a prestarem depoimento entre os dias 5 e 9 de março, período em que a 9ª rodada do Apertura seria disputada.

Além disso, em janeiro, a Arca apresentou nova denúncia, desta vez relacionada a transferências de fundos sem documentação adequada, levantando suspeitas sobre possíveis esquemas para ocultar a origem e o destino do dinheiro. Essa acusação aumentou ainda mais a pressão sobre a AFA e reforçou o clima de tensão no futebol argentino.

Conflito com o governo Milei e rejeição ao modelo SAF

O cenário político também tem papel fundamental nessa crise. Desde o início da gestão de Javier Milei, em dezembro de 2023, o governo vem tentando implementar mudanças estruturais no futebol argentino, inspiradas no modelo brasileiro de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Esse sistema permitiria que clubes se tornassem empresas com capital aberto e investidores externos, diferente do formato atual, que trata os clubes como associações sem fins lucrativos.

A proposta foi recebida com resistência quase unânime pelos clubes e pela AFA, que veem riscos significativos na gestão e na identidade do futebol local. A intensificação do conflito ocorreu quando Milei assinou um decreto de Necessidade e Urgência (DNU) que facilitava a transformação dos clubes em empresas, aumentando também as alíquotas de contribuições previdenciárias de 7,5% para 18,62% ao longo de 2025.

Essa mudança gerou protestos imediatos e mobilizações dos principais times e da própria AFA. Em setembro de 2025, a Justiça argentina suspendeu partes do decreto presidencial, impedindo a adoção do modelo SAF naquele momento. No entanto, o governo respondeu com o fim de benefícios fiscais para os clubes, agravando os custos operacionais e aprofundando o impasse.

Impactos no futebol argentino em ano de Copa do Mundo

O embate entre a AFA e o governo Milei não tem apenas efeitos administrativos e judiciais. A suspensão da rodada do Apertura pode prejudicar a preparação dos clubes e a organização do calendário, refletindo diretamente na qualidade do futebol local. Este cenário é especialmente delicado em 2026, ano da Copa do Mundo, quando a Argentina busca manter sua tradição de protagonismo no maior torneio do planeta.

Além disso, as investigações que culminaram em buscas policiais na sede da AFA e em diversos clubes por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo patrocinadores geram um clima de instabilidade que pode afastar investidores e afetar a confiança dos torcedores.

Com a continuidade das disputas judiciais e políticas, o futuro do futebol argentino permanece incerto. O desafio será encontrar um caminho que preserve a tradição dos clubes, garanta transparência e permita que a seleção e as equipes locais possam brilhar dentro e fora de campo.

O desfecho dessa crise ainda está por vir, mas uma coisa é certa: o futebol argentino está em uma encruzilhada que pode definir seus rumos para os próximos anos.

Perguntas Frequentes

Qual a razão da suspensão da rodada do Apertura?

A suspensão foi causada por investigações fiscais da Receita Federal sobre irregularidades na AFA.

O que é o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF)?

O SAF permite que clubes se tornem empresas com capital aberto e investidores, mudando a gestão do futebol.

Como a AFA reagiu às acusações fiscais?

A AFA negou qualquer irregularidade e afirmou estar em dia com suas obrigações fiscais.

Qual o impacto da crise no futebol argentino?

A crise pode prejudicar a qualidade do futebol e a preparação dos clubes para a Copa do Mundo de 2026.

O que aconteceu com o decreto de Milei sobre o futebol?

Partes do decreto foram suspensas pela Justiça, mas o governo respondeu com o fim de benefícios fiscais para os clubes.

Rafael Dias

Rafael Dias

Rafael Dias é jornalista esportivo e apaixonado por futebol desde criança. Escreve no blog Futebol na Web, onde comenta jogos, analisa táticas e compartilha curiosidades do mundo da bola com linguagem leve e acessível. Com olhar crítico e bom humor, atrai leitores que buscam informação com personalidade.

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