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Jogadoras da seleção feminina do Irã pedem asilo na Austrália após protesto

10. março. 2026
4. Min. de leitura
Jogadoras da seleção feminina do Irã pedem asilo na Austrália após protesto

Dois novos pedidos de asilo feitos por jogadoras da seleção feminina de futebol do Irã movimentaram o cenário esportivo e político na Austrália nesta semana. Após um protesto silencioso durante a execução do hino nacional iraniano em uma partida na Austrália, as atletas passaram a ser consideradas “traidoras” em seu país, o que motivou a decisão de buscar refúgio no exterior.

O governo australiano confirmou que, além das cinco jogadoras que já haviam solicitado asilo, mais duas integrantes do time — uma atleta e uma funcionária da equipe de apoio — também decidiram permanecer no país, temendo represálias ao retornar ao Irã. A situação gerou grande repercussão e levantou debates sobre direitos humanos e segurança no esporte.

Pressão e vigilância dentro da delegação iraniana

De acordo com autoridades australianas, as jogadoras estavam sob constante vigilância durante a estadia no país. Segundo relatos, funcionários do governo iraniano viajavam junto à equipe para monitorar as atletas de perto, restringindo seus contatos e comunicação com o mundo externo.

A agente de imigração Naghmeh Danai, que auxiliou as jogadoras, destacou que elas enfrentaram uma situação delicada. “Estavam sob muita pressão, não tinham permissão para falar com ninguém e eram vigiadas rigorosamente por membros da delegação iraniana”, contou.

Essa tensão culminou no protesto silencioso durante o torneio, quando as atletas permaneceram em silêncio durante o hino nacional do Irã, um gesto que foi interpretado como um sinal de resistência contra o regime vigente. A reação oficial em Teerã foi imediata, com um apresentador da TV estatal chamando as jogadoras de “traidoras de guerra”.

Pedido de asilo e negociações sigilosas

Na madrugada de terça-feira, cinco jogadoras, incluindo a capitã Zahra Ghanbari, fugiram do hotel onde a equipe estava hospedada para solicitar asilo na Austrália. Desde então, o governo local iniciou negociações discretas para garantir a segurança das atletas, levando-as para locais protegidos e mantendo sigilo sobre suas localizações.

O Ministro do Interior australiano, Tony Burke, revelou que as duas novas solicitantes foram separadas do grupo principal no aeroporto de Sydney para analisar calmamente suas opções antes de tomarem a decisão final. “Quando me encontrei com elas, fiz a mesma oferta que havia feito às cinco jogadoras na noite anterior”, afirmou Burke, ressaltando o compromisso do país em proteger as atletas.

Por outro lado, a federação iraniana de futebol negou que as jogadoras estejam em liberdade de escolha, acusando a Austrália de sequestrar as atletas. Mehdi Taj, presidente da entidade, declarou que a intervenção da polícia australiana teria retirado algumas jogadoras à força do hotel da equipe.

Repercussão internacional e apelo por proteção

O caso ganhou atenção internacional, especialmente entre grupos de direitos humanos que alertam para os riscos que as jogadoras enfrentam caso retornem ao Irã. Reza Pahlavi, filho do último xá do país, usou as redes sociais para pedir que o governo australiano ofereça total proteção às atletas.

“As jogadoras da Seleção Iraniana de Futebol Feminino estão sob forte pressão e ameaça constante da República Islâmica. Apelo ao governo australiano para que garanta a segurança delas e lhes dê todo o apoio necessário.”

Enquanto isso, a equipe iraniana seguiu competindo e chegou a cantar o hino nacional nas partidas seguintes, mas a situação das jogadoras que buscaram asilo permanece delicada e cercada de incertezas.

Este episódio evidencia como o futebol pode extrapolar os campos e se tornar palco de grandes tensões políticas e sociais, especialmente em contextos onde a liberdade de expressão é limitada. A decisão das atletas iranianas de permanecer na Austrália simboliza uma busca por segurança e direitos básicos, trazendo à tona debates importantes sobre a liberdade no esporte.

Perguntas Frequentes

Por que as jogadoras do Irã pediram asilo na Austrália?

Elas solicitaram asilo após um protesto silencioso durante o hino nacional, temendo represálias ao retornar ao Irã.

Qual foi a reação do governo iraniano ao protesto?

O governo iraniano chamou as jogadoras de 'traidoras de guerra' após o protesto silencioso durante o torneio.

Como as jogadoras estavam sendo vigiadas na Austrália?

Funcionários do governo iraniano acompanhavam a equipe para monitorar as jogadoras, restringindo seus contatos.

Quem é Zahra Ghanbari?

Zahra Ghanbari é a capitã da seleção feminina de futebol do Irã que fugiu com outras jogadoras para pedir asilo.

O que grupos de direitos humanos estão fazendo em relação ao caso?

Grupos de direitos humanos alertam sobre os riscos que as jogadoras enfrentam se retornarem ao Irã e pedem proteção.

Rafael Dias

Rafael Dias

Rafael Dias é jornalista esportivo e apaixonado por futebol desde criança. Escreve no blog Futebol na Web, onde comenta jogos, analisa táticas e compartilha curiosidades do mundo da bola com linguagem leve e acessível. Com olhar crítico e bom humor, atrai leitores que buscam informação com personalidade.

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