Operação Fisco Paralelo: prisão de auditor fiscal revela esquema bilionário no ICMS em São Paulo
Uma das maiores investidas contra a corrupção na Secretaria da Fazenda de São Paulo ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, 26 de março de 2026. A Operação Fisco Paralelo prendeu em Moema, zona sul da capital paulista, o auditor fiscal Fernando Alves dos Santos, acusado de liderar um esquema bilionário que fraudava restituições antecipadas do ICMS Substituição Tributária (ICMS-ST) para grandes empresas. A ação expõe um complexo núcleo de corrupção envolvendo fiscais, executivos e multinacionais.
Quer entender como funcionava esse “fura-fila” que desviou milhões dos cofres públicos? Continue a leitura e saiba tudo sobre a investigação que está abalando as estruturas da Receita paulista.
O que é a Operação Fisco Paralelo e o papel do auditor fiscal preso
A Fisco Paralelo é considerada a maior operação já realizada contra fraudes internas na Secretaria Estadual da Fazenda de São Paulo. O foco da investigação são cerca de 20 fiscais, incluindo 15 ativos que ocupavam cargos estratégicos em delegacias regionais tributárias como Lapa, Butantã, ABC e Osasco, além da Diretoria de Fiscalização. Outros cinco auditores aposentados também são suspeitos e tiveram bens bloqueados.
Fernando Alves dos Santos, preso preventivamente, é apontado como um dos chefs do esquema. Ele teria coordenado a manipulação de procedimentos administrativos para favorecer empresas que, em troca, pagavam propinas vultosas. Segundo o Ministério Público, o auditor não só direcionava a distribuição dos pedidos de ressarcimento de créditos do ICMS-ST, como também interferia diretamente na análise dos processos para garantir a liberação antecipada dos valores indevidos.
Criptoativos e a recusa em entregar senhas que levou à prisão
Um dos pontos-chave para a prisão de Fernando foi sua resistência em entregar as chaves privadas de carteiras digitais onde supostamente guardava grandes quantias em criptoativos. A Justiça considera essa atitude uma tentativa clara de obstrução, já que esses ativos digitais podem ser rapidamente transferidos ou ocultados, dificultando o rastreamento e a recuperação dos valores desviados.
“A natureza volátil e instantânea das transações em blockchain exige medidas extremas para evitar a dissipação dos recursos que são produto da atividade criminosa”, destacou o juiz Paulo Fernando Deroma De Mello.
Além disso, o magistrado ressaltou que Fernando possui conhecimento avançado em tecnologias de anonimização, como o uso de carteiras ‘cold wallets’ e aplicativos de mensagens criptografadas, o que agrava o risco de destruição de provas e fuga dos valores ilícitos.
Como funcionava o esquema e as provas reunidas pela Promotoria
De acordo com as investigações, o esquema funcionava com a colaboração entre fiscais e executivos de grandes grupos empresariais dos setores de atacado, alimentos, varejo e petróleo. Esses empresários, interessados em obter créditos do ICMS-ST de forma antecipada, pagavam propinas para que seus pedidos fossem liberados rapidamente, burlando os trâmites legais.
Mensagens recuperadas dos celulares dos envolvidos revelam que Fernando orientava a contadora do esquema, Maria Hermínia de Jesus Santa Clara, sobre a melhor forma de distribuir os processos entre os fiscais para garantir o sucesso dos pedidos fraudulentos. Um episódio curioso foi o envio de um link de uma geladeira como “pagamento” simbólico, revelando a informalidade e o entrosamento entre os envolvidos.
Os promotores responsáveis pela operação destacam que Fernando exercia controle operacional sobre o grupo, manipulando ordens de serviço e acompanhando de perto o andamento dos processos, sempre com vistas a maximizar os ganhos ilícitos.
O juiz responsável pela decisão de prisão ressaltou que a medida é necessária para garantir a ordem pública, a efetividade da investigação e a aplicação da lei, já que outras medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica, não seriam suficientes para conter os riscos apresentados pelo auditor.
Essa operação escancara a gravidade dos esquemas de corrupção que podem existir dentro de órgãos públicos estratégicos, mostrando como a combinação entre tecnologia e má-fé pode criar desafios inéditos para o combate à lavagem de dinheiro e à fraude tributária.
O desdobramento dessa investigação promete impactar diretamente a forma como a Secretaria da Fazenda de São Paulo lida com seus processos internos, reforçando a necessidade de transparência e rigor no controle fiscal.
Enquanto isso, a prisão de Fernando Alves dos Santos deixa claro que a Justiça está atenta e disposta a ir fundo para desarticular redes criminosas que prejudicam o erário e a sociedade como um todo.
Perguntas Frequentes
O que é a Operação Fisco Paralelo?
É a maior operação contra fraudes na Secretaria da Fazenda de São Paulo, focando em fiscais e auditores envolvidos em corrupção.
Quem é Fernando Alves dos Santos?
É um auditor fiscal preso sob suspeita de liderar um esquema de fraudes no ICMS, manipulando processos para favorecer empresas.
Como funcionava o esquema de fraude?
O esquema envolvia a colaboração entre fiscais e executivos de empresas que pagavam propinas para obter créditos de ICMS de forma antecipada.
Qual foi o papel das criptomoedas na investigação?
Fernando resistiu em entregar senhas de carteiras digitais onde guardava criptoativos, o que foi considerado uma obstrução à Justiça.
Quais são os impactos da operação na Secretaria da Fazenda?
A operação promete mudar a forma como a Secretaria lida com processos internos, aumentando a transparência e rigor no controle fiscal.