Rua da Copa em Macaíba: a arte que transforma futebol em patrimônio cultural
Quem passa pela Rua Amélia Mesquita, no bairro Auta de Souza, em Macaíba, logo percebe que ali o futebol ganha vida de um jeito diferente. Há mais de 16 anos, a via se transforma em uma verdadeira galeria a céu aberto, com pinturas que celebram os maiores craques do futebol nacional e mundial. A poucos meses da Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, o local reafirma seu papel como um ponto turístico e cultural, reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial da cidade.
O que começou como uma simples brincadeira entre vizinhos, que queriam entrar no clima da Copa pintando a bandeira do Brasil no chão, virou uma tradição que conquistou a comunidade e o país. O artista Wellington Potiguar, responsável pelas obras, lembra que a iniciativa surgiu de um convite informal: “Eu disse que se eles conseguissem o material, eu pintaria até os jogadores”. A partir daí, com uma vaquinha entre os moradores, as caricaturas começaram a tomar forma e a Rua da Copa virou um marco histórico em Macaíba.
De brincadeira a patrimônio: a história da Rua da Copa
A trajetória da Rua da Copa é marcada por muita paixão e coletividade. Wellington Potiguar conta que, após o traumático 7 a 1 sofrido pelo Brasil na Copa de 2014, chegou a pensar que a tradição acabaria. Mas ele decidiu inovar, incluindo temas como as Olimpíadas, a Copa Feminina e a Copa América, ampliando o alcance da arte e do esporte no local.
Essa participação ativa dos moradores é fundamental para a manutenção da tradição. “Todo mundo apoia e participa. Às vezes, o pessoal das ruas vizinhas nem sabe pintar direito, mas eu ensino que é só passar a tinta no chão com o rolinho, e aí todo mundo começa a fazer. O que era uma ação individual virou um trabalho coletivo”, explica o artista.
Técnica e diversidade nas pinturas
As obras são feitas com aerografia, técnica que confere realismo e detalhes impressionantes às pinturas. Inicialmente, as imagens eram caricaturas, mas hoje retratam ídolos de várias gerações, como Pelé, Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Neymar, Vinícius Jr., Messi, Cristiano Ronaldo e Mbappé. Há até uma “convocação” não oficial em forma de palpites, com jogadores que ainda não foram chamados para a seleção.
Além da arte, a Rua da Copa é um ponto de encontro onde moradores e visitantes assistem juntos aos jogos. Para este ano, a expectativa é aumentar o público com mais de 500 cadeiras e expandir as pinturas por cerca de 200 metros da via, tornando o espaço ainda mais vibrante e acolhedor.
Legado familiar e sentimento de comunidade
O talento e a paixão pela arte são transmitidos de geração em geração. Wellington Potiguar destaca que seu filho mais velho, Hyago Phillip, de 22 anos, já segue seus passos na aerografia. Desde os 15 anos, Hyago ajuda o pai e vê o crescimento do projeto como um trabalho coletivo que une esporte, arte e moradores.
“Levamos de 15 a 20 dias para finalizar as pinturas. Sempre fechamos a rua, que fica lotada. É algo bonito de se ver e que não se encontra em todo lugar. Resgatar essa prática é especial”, conta Hyago.
Visitantes também se encantam com a Rua da Copa. Tereza Beatriz, costureira de 27 anos, veio pela primeira vez ao local com o marido e se emocionou com os desenhos realistas. “Deu uma nostalgia ver aquilo, um resgate das emoções de quando assistíamos aos jogos, antes das redes sociais. Quero voltar com minha família para acompanhar os jogos e trazer mais gente”, diz.
Moradora da região há mais de 40 anos, Maria Regina, de 64 anos, reforça o impacto da tradição na comunidade. “A rua mudou completamente desde que as pinturas começaram. A gente sempre espera ansioso pelos eventos esportivos. É uma alegria que contagia todo mundo”, comenta.
A Rua da Copa de Macaíba é muito mais do que arte no asfalto: é um símbolo de união, cultura e amor pelo futebol. A cada nova pintura, o local se fortalece como um patrimônio vivo, que conecta gerações, celebra ídolos e inspira quem passa por ali a valorizar a beleza do esporte e da coletividade.
Perguntas Frequentes
Como a Rua da Copa começou?
A Rua da Copa começou como uma brincadeira entre vizinhos que pintaram a bandeira do Brasil no chão.
Quem é o artista responsável pelas pinturas?
O artista responsável é Wellington Potiguar, que iniciou o projeto com a ajuda da comunidade.
Que técnicas são usadas nas pinturas?
As pinturas são feitas com aerografia, que confere realismo e detalhes impressionantes às obras.
Qual é a expectativa para os eventos esportivos na Rua da Copa?
A expectativa é aumentar o público com mais de 500 cadeiras e expandir as pinturas por cerca de 200 metros.
Qual é o impacto da Rua da Copa na comunidade local?
A Rua da Copa trouxe união e alegria, transformando-se em um símbolo de cultura e amor pelo futebol.