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Conmebol questiona eficácia de multas contra racismo e aposta na educação

A Conmebol defende que a educação é essencial para combater o racismo no futebol, além de multas.

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Conmebol questiona eficácia de multas contra racismo e aposta na educação

Na última terça-feira (14 de abril de 2026), Montserrat Jiménez, secretária-geral adjunta e diretora jurídica da Conmebol, fez declarações contundentes sobre o combate ao racismo nos estádios de futebol sul-americanos. Durante o segundo dia de um seminário realizado em Luque, no Paraguai, Jiménez afirmou que as multas aplicadas às equipes não têm sido eficazes para frear os atos discriminatórios, já que a penalização recai sobre os clubes e não diretamente sobre os torcedores infratores.

O ponto de vista da dirigente chama atenção para uma discussão antiga no futebol: como lidar de forma eficiente com o racismo e a discriminação dentro e fora das quatro linhas. A secretária-geral defende que, para acabar com esses problemas, é preciso investir em educação e conscientização, e não apenas em punições financeiras.

Multas penalizam clubes, mas não intimidam torcedores

Segundo Montserrat Jiménez, a sanção financeira acaba beneficiando os torcedores que praticam atos racistas, pois a responsabilidade pelo pagamento da multa fica com o clube. “O torcedor adora, porque é o clube que paga a multa. Quem paga a multa é o time, porque ele é responsável pelo comportamento dos seus torcedores”, explicou.

Essa dinâmica, na visão da diretora jurídica da Conmebol, não atua diretamente na mudança de comportamento dos indivíduos que cometem discriminação. Por isso, ela sugere uma mudança na forma de lidar com o problema: direcionar o valor arrecadado com as multas para um fundo exclusivo de educação contra o racismo, com ações que promovam a inclusão e o respeito.

Dados mostram que racismo ainda persiste, apesar das punições

Os números apresentados pela Conmebol reforçam a existência contínua de casos de racismo nas competições sul-americanas. Entre 2023 e 2025, foram registrados 18 incidentes por ano, com multas que variaram entre US$ 1,28 milhão e US$ 1,58 milhão. No acumulado de 2018 a 2025, a entidade identificou 75 episódios de discriminação em 4.451 partidas, o que representa 1,68% do total.

Embora a porcentagem pareça baixa, Montserrat Jiménez ressaltou que a repercussão midiática e o volume de discussões sobre esses casos superam em muito a proporção real dos incidentes. A dirigente enfatizou que a meta da Conmebol é zerar qualquer ocorrência de racismo ou discriminação por orientação sexual nas partidas sob sua organização.

Atletas ganham voz e denunciam mais, mas o desafio continua

Outro ponto destacado por Jiménez é a mudança no comportamento dos atletas, que estão mais encorajados a formalizar denúncias contra atos discriminatórios. Essa nova postura ajuda a trazer à tona situações que antes passavam despercebidas ou eram silenciadas.

Mesmo assim, os 18 casos anuais em um universo de 650 jogos ainda causam indignação e mostram que o futebol sul-americano tem um longo caminho pela frente para combater o racismo de forma efetiva. A aposta da Conmebol em políticas educativas, portanto, surge como um passo necessário para transformar a cultura dos estádios e promover um ambiente mais justo e respeitoso.

O debate sobre o racismo no futebol não é novidade, mas a discussão promovida pela Conmebol em 2026 reforça a urgência de soluções que ultrapassem as punições financeiras. A educação, aliada à cobrança por mudanças comportamentais, pode ser o caminho para um futebol mais inclusivo e livre de preconceitos.

Perguntas Frequentes

Qual é a principal crítica da Conmebol em relação às multas por racismo?

A Conmebol critica que as multas penalizam os clubes, mas não intimidam os torcedores que cometem atos racistas.

O que Montserrat Jiménez sugere para combater o racismo?

Ela sugere investir em educação e conscientização, direcionando multas para um fundo de educação contra o racismo.

Quantos incidentes de racismo foram registrados entre 2023 e 2025?

Foram registrados 18 incidentes por ano durante esse período.

Como os atletas estão reagindo a atos discriminatórios atualmente?

Os atletas estão mais encorajados a formalizar denúncias, trazendo à tona situações antes silenciadas.

Qual é a meta da Conmebol em relação ao racismo nas competições?

A meta da Conmebol é zerar qualquer ocorrência de racismo ou discriminação por orientação sexual nas partidas.

Rafael Dias

Rafael Dias

Rafael Dias é jornalista esportivo e apaixonado por futebol desde criança. Escreve no blog Futebol na Web, onde comenta jogos, analisa táticas e compartilha curiosidades do mundo da bola com linguagem leve e acessível. Com olhar crítico e bom humor, atrai leitores que buscam informação com personalidade.