Grupo bolsonarista ocupa Avenida Paulista e impede ato de sindicatos no Dia do Trabalhador
A Avenida Paulista foi tomada por um grupo bolsonarista, impedindo protestos de sindicatos no Dia do Trabalhador.
Na sexta-feira, 1º de maio de 2026, a Avenida Paulista, tradicional palco de manifestações em São Paulo, foi tomada por um grupo ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência da República. A ação surpreendeu sindicatos e movimentos de esquerda, que planejavam usar o espaço para protestar contra a escala 6 x 1 de trabalho.
A disputa pelo espaço público revelou tensões políticas e marcou o que prometia ser um Dia do Trabalhador com forte mobilização sindical. A seguir, entenda como a reserva do local se desenrolou, as reações dos envolvidos e o posicionamento das autoridades responsáveis pela segurança.
Reserva antecipada e bandeiras do grupo bolsonarista
O grupo Patriotas do QG, que reúne mais de 4 mil seguidores no Instagram e é administrado por Carlos Silva, fez a reserva da Avenida Paulista ainda em 2024. O ato organizado para 2026 tem como principais pautas o apoio explícito à candidatura de Flávio Bolsonaro, a libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e críticas contundentes ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Curiosamente, o evento não foi amplamente divulgado por figuras conhecidas da direita bolsonarista. Flávio Bolsonaro, por exemplo, não mencionou a manifestação em suas redes sociais. A divulgação ficou a cargo do próprio Patriotas do QG, que usou vídeos com inteligência artificial para convocar apoiadores, incluindo imagens do senador Marcos do Val (Avante-ES) e da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP).
Além do Patriotas do QG, participam também os grupos Voz da Nação e Marcha da Liberdade, todos associados ao Projeto União Brasil, uma organização civil criada em 2019 que já promoveu atos na Paulista anteriormente. Importante destacar que o projeto não tem ligação direta com o partido União Brasil.
Sindicatos frustrados e críticas ao governo paulista
Os sindicatos, que tradicionalmente escolhem a Avenida Paulista para manifestações do Dia do Trabalhador, foram impedidos de ocupar o espaço. A CSP-Conlutas tentou reservar o local, mas teve o pedido vetado pela Polícia Militar de São Paulo, que priorizou a reserva feita pelo Patriotas do QG.
A decisão gerou críticas fortes, principalmente da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que acusou o governo do estado, comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), de tentar “impedir trabalhadores de se manifestarem” e de enfraquecer a luta contra a jornada 6 x 1. Ela ainda afirmou que a estratégia seria fazer com que a imprensa destaque “bolsonaristas pedindo a liberdade para um golpista condenado”.
Posicionamento oficial da Polícia Militar e do governo de São Paulo
Procuradas para comentar a situação, as assessorias do governo estadual e da Prefeitura de São Paulo confirmaram que a Polícia Militar seguiu critérios técnicos e isonômicos na organização dos eventos do dia 1º de maio. Em nota, a PM ressaltou que não há distinção quanto à pauta ou representatividade dos organizadores e que todos os pedidos são analisados com base em parâmetros legais.
“A Polícia Militar informa que atua de forma técnica e isonômica no planejamento de eventos em vias públicas, seguindo critérios previamente estabelecidos que visam assegurar, simultaneamente, o direito constitucional à livre manifestação e a segurança de todos os envolvidos.”
“Para as atividades previstas no dia 1º de maio, será elaborado planejamento operacional específico, com base nas solicitações formalizadas e nos parâmetros legais vigentes. A Corporação ressalta que não há distinção quanto à natureza, pauta ou representatividade dos organizadores, sendo adotados os mesmos critérios para análise e organização de todos os eventos.”
“O planejamento contemplará o reforço do policiamento preventivo e ostensivo, além da atuação integrada com órgãos municipais e estaduais, com o objetivo de garantir a ordem pública, a mobilidade urbana e a segurança dos manifestantes e da população em geral.”
Apesar da justificativa oficial, o episódio expôs a polarização política que ainda domina o cenário brasileiro e levantou debates sobre o direito à livre manifestação e o uso de espaços públicos para atos políticos.
A movimentação na Paulista no Dia do Trabalhador de 2026 ficará marcada pela disputa entre grupos com pautas antagônicas, refletindo o clima tenso e dividido que segue presente no país.
Perguntas Frequentes
O que aconteceu na Avenida Paulista no Dia do Trabalhador de 2026?
Um grupo ligado a Flávio Bolsonaro ocupou a Avenida Paulista, impedindo manifestações de sindicatos.
Quem organizou o ato na Avenida Paulista?
O ato foi organizado pelo grupo Patriotas do QG, que já havia reservado o espaço desde 2024.
Quais foram as principais pautas do ato bolsonarista?
As pautas incluíam apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e críticas ao STF.
Como os sindicatos reagiram à ocupação da Avenida Paulista?
Os sindicatos expressaram frustração e críticas ao governo, que vetou sua reserva do local.
Qual foi a justificativa da Polícia Militar para a ocupação?
A Polícia Militar afirmou que seguiu critérios técnicos e isonômicos na organização dos eventos.