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Quatro Anos Depois, Rai Duarte Ainda Enfrenta as Consequências de Agressão Policial em Jogo do Brasil de Pelotas

Quatro anos após agressão policial, Rai Duarte ainda enfrenta consequências físicas e emocionais enquanto aguarda justiça.

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Em 1º de maio de 2022, um domingo que parecia ser apenas mais um dia de futebol, a vida do torcedor Rai Duarte mudou para sempre. Após a partida entre Brasil de Pelotas e São José, válida pela Série C, Rai e outros 11 torcedores foram agredidos por policiais militares no Estádio Passo D’Areia, conforme denúncia do Ministério Público. Quatro anos depois, ele luta para retomar a normalidade enquanto o processo judicial ainda aguarda julgamento.

Se você quer entender como esse episódio impactou a vida do torcedor e quais são os desdobramentos atuais, continue a leitura.

O Dia da Tragédia e as Consequências Físicas

Rai Duarte, hoje com 37 anos, lembra com detalhes o que deveria ter sido apenas mais uma viagem para acompanhar o Xavante. “A gente sempre se preparava antes para ir ao jogo. Pegava as bandeiras, arrumava a roupa, tudo pronto para sair na madrugada”, conta. No entanto, depois do confronto, ele foi retirado do ônibus por policiais militares sem qualquer explicação e começou a ser agredido com tapas e chutes.

Levado a uma sala com outros torcedores detidos, Rai sofreu ainda mais violência ao ser conduzido para um local escuro, onde teve a cabeça batida contra a parede repetidas vezes. As agressões resultaram em lesões gravíssimas, como hemorragia interna e ruptura de artéria, que exigiram mais de 14 cirurgias, 47 dias em coma e 116 dias de internação hospitalar.

Retorno ao Trabalho e Limitações

Apesar das sequelas físicas, Rai conseguiu retomar o trabalho como agente comunitário de saúde há menos de um ano. Ele, contudo, convive com limitações: “Voltei a trabalhar, graças a Deus, mas não posso fazer exercícios físicos fortes, nem esforço excessivo”. Além disso, ele se prepara para uma cirurgia plástica na barriga, que só poderá ser realizada após perder cerca de 10 quilos. O torcedor enfrenta cicatrizes no corpo, que permanecem visíveis e lembram o trauma vivido.

A Relação com o Futebol e a Família

Antes do episódio, Rai era sócio do Brasil de Pelotas há mais de 20 anos, acompanhando todos os jogos em casa e viajando pelo país para ver o time. Hoje, a paixão pelo futebol ficou em segundo plano. “Antes era prioridade, agora não é mais”, admite. Desde a agressão, ele foi a apenas duas partidas, ambas no estádio Bento Freitas, e assiste aos jogos pela televisão ou internet, sempre com um misto de vontade e receio.

Enquanto a paixão pelo futebol diminuiu, a família ganhou um papel central na vida do torcedor. Pai de duas crianças pequenas, Rai encontra força nos filhos e no apoio da mãe, que esteve ao seu lado durante toda a internação. “Minha maior força foi o fato do meu filho estar para nascer e minha mãe que ficou comigo no hospital”, relembra. Para ele, a prioridade agora é cuidar da família e planejar o futuro.

Justiça em Andamento e Indenização

O processo judicial que apura a responsabilidade dos policiais militares envolvidos segue na Primeira Auditoria de Porto Alegre, no Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul. A expectativa é que o julgamento aconteça em breve, após a apresentação da defesa final de um dos réus, cujo prazo termina em 4 de maio.

Enquanto isso, a ação cível movida por Rai contra o Estado do Rio Grande do Sul já teve sentença definitiva. Ele foi condenado a receber R$ 201.420,00 por danos morais, estéticos e materiais. O pagamento, contudo, está na lista de precatórios e deve ser feito em, no mínimo, cinco anos. Rai não se importa com a demora e planeja usar o valor para comprar uma casa.

As defesas dos policiais envolvidos alegam inocência e buscam a individualização das responsabilidades, afirmando que nem todos participaram das agressões. A expectativa é que o processo esclareça os fatos e estabeleça as devidas responsabilidades.

Rai Duarte segue acompanhando o caso com esperança de justiça. “Espero ansioso pela sentença, porque o que aconteceu naquele dia não pode se repetir. Alguém precisa pagar por aquela barbárie, porque eu não fiz nada”, declara.

Mesmo com as dificuldades, Rai mantém a cabeça erguida, focado em recuperar sua qualidade de vida e retomar o contato com o futebol, ainda que de forma cautelosa.

Perguntas Frequentes

O que aconteceu com Rai Duarte em 1º de maio de 2022?

Rai Duarte foi agredido por policiais militares após uma partida de futebol, resultando em graves lesões.

Quantas cirurgias Rai Duarte teve que fazer?

Ele passou por mais de 14 cirurgias devido às agressões sofridas.

Como Rai se sente em relação ao futebol após o incidente?

A paixão de Rai pelo futebol diminuiu e ele vai a poucos jogos, preferindo assisti-los pela televisão.

Qual foi a indenização que Rai recebeu?

Rai foi condenado a receber R$ 201.420,00 por danos morais, estéticos e materiais.

O que Rai planeja fazer com a indenização?

Ele pretende usar o valor da indenização para comprar uma casa.

Rafael Dias

Rafael Dias

Rafael Dias é jornalista esportivo e apaixonado por futebol desde criança. Escreve no blog Futebol na Web, onde comenta jogos, analisa táticas e compartilha curiosidades do mundo da bola com linguagem leve e acessível. Com olhar crítico e bom humor, atrai leitores que buscam informação com personalidade.