Brasil x Marrocos, França, Espanha: quais são as ameaças reais ao hexa — e quem o Brasil pode pegar na final
No papel, o Brasil tirou um grupo tranquilo. Marrocos, Escócia e Haiti no Grupo C, com estreia já no dia 13 de junho contra os marroquinos no MetLife Stadium, em Nova Jersey. O torcedor olha a tabela, respira aliviado e começa a sonhar com o mata-mata. Só que essa leitura ignora um detalhe que pode tirar o sono: o primeiro adversário do hexa é, taticamente, o pior tipo de time que esta Seleção pode enfrentar logo de cara.
Esse cenário também aumenta o interesse de quem acompanha análises pré-jogo e procura entender onde apostar no Brasil na Copa do Mundo 2026, já que a estreia contra Marrocos pode ser menos simples do que a tabela sugere.
Vamos por partes. Carlo Ancelotti anunciou no dia 18 de maio, no Museu do Amanhã, a lista dos 26. A manchete foi Neymar, convocado depois de dois anos e meio fora, de volta pelo Santos. Mas o que define este Brasil não é o nome do banco — é a estrutura: Alisson no gol, Marquinhos e Gabriel Magalhães na zaga, Casemiro e Bruno Guimarães no meio, e um ataque de espaço com Vinícius Júnior, Raphinha e Matheus Cunha, sem um centroavante de referência fixo. Endrick e o jovem Rayan, do Bournemouth, foram as surpresas. Ficaram de fora por lesão Rodrygo, Estêvão e Éder Militão. O Brasil não vence uma Copa desde 2002 e não chega a uma final desde então — caiu nas quartas em 2018 e 2022, sem contar o trauma de 2014.
Marrocos: a ameaça que ninguém quer admitir
Não é alarmismo de cronista. Marrocos foi semifinalista em 2022, a primeira seleção africana a chegar tão longe, e está em oitavo no ranking da FIFA. O elenco que fez aquela campanha continua quase intacto: Achraf Hakimi, capitão e apontado por veículos especializados como o melhor lateral-direito do mundo, decisivo pelo PSG na última Champions; Bounou no gol; Aguerd na zaga; Amrabat protegendo o meio; e a criatividade de Brahim Díaz, do Real Madrid, com Bilal El Khannouss.
O problema específico para o Brasil está no desenho tático. Marrocos joga num 4-1-4-1 compacto, bloco baixo, sem pressão alta. Fecha os corredores centrais, força o adversário para os lados e explode na transição. É exatamente o roteiro que mais machuca uma Seleção que, sob Ancelotti, quer ter a bola e busca espaço com Vinícius e Raphinha. Contra um time que recusa a posse e ataca as costas dos laterais brasileiros na recuperação, o Brasil pode travar. E Hakimi, subindo pela direita marroquina, ataca justamente o lado em que Vinícius costuma se desligar da marcação. Não é o jogo mais difícil do papel — é o mais incômodo do calendário.
França: o pesadelo do campo aberto
Se o Brasil passar em primeiro do grupo, como prevê o consenso, o chaveamento do novo formato de 48 seleções pode cruzar a França antes da semifinal. Para o Brasil, a França é o pior matchup possível numa situação específica: o campo aberto. Mbappé no auge, contra uma defesa brasileira que historicamente sofre na velocidade e nas transições, é o cenário em que um único erro de posicionamento vira gol em quatro segundos. Não é uma questão de a França ser melhor — é que ela tem a arma exata para explorar o ponto frágil deste Brasil.
Espanha: a derrota por asfixia
A ameaça espanhola é o oposto da francesa. A Espanha não te ataca: ela te cansa. Domina a bola, controla o ritmo e decide o jogo nos dois segundos seguintes a cada perda de posse. Contra o Brasil, o risco é o ataque verde-amarelo — que vive de espaço e de transição — ficar setenta minutos sem a bola, perdendo a intensidade de Vinícius e Raphinha e expondo o meio-campo ao desgaste. É a eliminação por inanição, não por contragolpe. Um time que precisa de espaço contra um time que existe para negar espaço.
Alemanha e Argentina: os outros dois medos
A Alemanha traz um terceiro tipo de ameaça: a pressão alta. Sufoca a saída de bola, força o erro perto da área e testa exatamente o calcanhar de Aquiles de um time montado às pressas — Ancelotti teve pouco tempo de trabalho com o grupo, e a construção desde a zaga ainda é frágil. Já a Argentina, atual campeã com o núcleo de 2022 praticamente intacto, é a sombra emocional. Um Brasil x Argentina só aconteceria numa semi ou final, e é o confronto que dispensa análise tática: todo brasileiro já sabe por que essa assusta.
O caminho mais realista até o MetLife
A final será no dia 19 de julho, no MetLife Stadium. O cenário realista: o Brasil passa em primeiro do Grupo C — vaga decidida no jogo contra o Marrocos —, encara um mata-mata estendido por uma rodada a mais e esbarra em França ou Alemanha nas quartas ou semifinal, com Espanha ou Argentina como possível adversário de decisão. O Brasil é candidato real, cotado entre os três favoritos pelas casas de aposta. Mas a soma de pouco tempo de Ancelotti, lista de lesões e identidade ainda em construção é o que os analistas apontam como o ponto que pode custar o hexa.
A pergunta, então, fica para você: dos cinco, qual adversário mais te assusta no caminho do hexa? Marrocos, já na estreia? A França de Mbappé no contra-ataque? A Espanha que cansa com a bola? A pressão alta da Alemanha? Ou a Argentina, pela razão que você não precisa que ninguém explique? Vota aí — e diz nos comentários se o medo é tático ou só trauma.