Futebol brasileiro registra receitas recordes, mas dívidas sobem junto em 2025
Em 2025, o futebol brasileiro alcançou receitas de R$ 14 bilhões, mas as dívidas atingiram R$ 17,3 bilhões.
O futebol brasileiro viveu um ano de contrastes em 2025. Enquanto as receitas dos clubes da Série A alcançaram um patamar histórico, ultrapassando a marca de R$ 14 bilhões, o endividamento das equipes também atingiu níveis preocupantes, com dívidas totais de R$ 17,3 bilhões. Esse cenário revela um crescimento financeiro que, ao mesmo tempo, expõe desafios estruturais que o esporte nacional precisa enfrentar.
Quer entender como os clubes estão lidando com essa equação delicada entre receitas e dívidas? Continue a leitura e descubra os destaques financeiros da temporada, a importância do novo sistema de controle fiscal e exemplos de times que têm se destacado pela gestão eficiente e planejamento estratégico.
Receitas em alta e o desafio do endividamento crescente
O último levantamento divulgado pelo Relatório Convocados, feito pela OutField em parceria com a Galapagos Capital, mostrou que os clubes da elite do futebol brasileiro movimentaram R$ 14,3 bilhões em receitas durante 2025 — um recorde absoluto no país. Esse crescimento é fruto do aumento das receitas com direitos de transmissão, patrocínios e bilheteria, refletindo o interesse crescente pelo futebol nacional.
Porém, o lado negativo dessa equação aparece nas dívidas acumuladas, que chegaram a R$ 17,3 bilhões no mesmo período. Os altos custos com salários, contratações emergenciais e despesas operacionais pressionam as finanças dos clubes, que muitas vezes gastam mais do que arrecadam para manter a competitividade dentro de campo.
Para tentar conter essa escalada, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) implementou o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), um modelo de fair play financeiro que começa a ser aplicado entre 2026 e 2028. Com monitoramento independente pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), o sistema estabelece limites para gastos com elenco e obriga as equipes das Séries A e B a manterem o equilíbrio operacional.
Gestão eficiente: os exemplos do Mirassol e Juventude
No meio desse cenário desafiador, alguns clubes se destacam pelo controle financeiro e crescimento sustentável. O Mirassol, que disputou a Série A pela primeira vez em 2025, foi um dos grandes destaques. Com uma receita de R$ 183 milhões, o clube paulista viu suas receitas crescerem 341% em relação ao ano anterior. O segredo? Uma operação enxuta e eficiente, que resultou em um EBITDA de R$ 64 milhões, um aumento de impressionantes 603%.
Além disso, o Mirassol encerrou o ano com caixa positivo e dívida líquida de R$ 41 milhões, um resultado raro na elite do futebol nacional. Sua folha salarial, de R$ 77,5 milhões, está entre as menores da Série A, demonstrando que é possível aliar sucesso esportivo a uma gestão financeira responsável.
Outro exemplo vem do Juventude, que apesar de uma leve queda nas receitas para R$ 137 milhões, manteve a estabilidade financeira e um EBITDA positivo de R$ 33 milhões. O clube gaúcho também fechou o ano com dívida líquida praticamente zerada, cerca de R$ 1 milhão, e uma folha salarial enxuta, próxima de R$ 59 milhões.
“Sustentabilidade financeira deixou de ser apenas uma meta administrativa e passou a fazer parte da estratégia esportiva do clube. Trabalhamos com planejamento de médio e longo prazo e controle de despesas para garantir competitividade sem comprometer o futuro”, destacou Fabio Pizzamiglio, presidente do Juventude.
SAFs e profissionalização: o futuro do futebol brasileiro
A transformação dos clubes em Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) tem sido um dos caminhos para melhorar a gestão e aproximar o futebol das práticas de mercado. O Cuiabá, pioneiro na Série A a aderir ao modelo em 2021, é um exemplo claro de como planejamento e organização podem levar um clube ao topo.
Além do Cuiabá, o Mirassol é um dos poucos times que conseguiram subir da Série D para a Série A sem jamais terem disputado a elite antes, mostrando que a profissionalização da gestão é fundamental para o sucesso a longo prazo.
Já o Paraná Clube, que virou SAF em 2026, iniciou uma reestruturação profunda. Com apoio da Next Play, a equipe negociou dívidas superiores a R$ 240 milhões, ampliou sua base de sócios-torcedores e conquistou o acesso invicto à Série A do campeonato estadual em poucos meses, mostrando que planejamento e paciência são essenciais para a recuperação.
“Nosso maior objetivo é plantar da maneira correta para colher frutos para as próximas décadas, não apenas para uma temporada”, afirmou Pedro Weber, CEO da Next Play.
Esses exemplos mostram que no futebol brasileiro atual, o caminho para a sustentabilidade passa por gestão profissional, controle financeiro rígido e visão estratégica de longo prazo. O equilíbrio entre receitas e dívidas será fundamental para garantir que o esporte continue crescendo de forma saudável e competitiva.
O ano de 2025 deixou claro que, apesar dos números recordes, os clubes precisam se reinventar para evitar crises e garantir que o futebol brasileiro siga em ascensão nos próximos anos.
Perguntas Frequentes
Qual foi o valor das receitas dos clubes brasileiros em 2025?
As receitas dos clubes da Série A alcançaram R$ 14,3 bilhões em 2025.
Como as dívidas dos clubes estão afetando suas finanças?
As dívidas atingiram R$ 17,3 bilhões, pressionando as finanças devido a altos custos operacionais.
O que é o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF)?
É um modelo de fair play financeiro que visa controlar os gastos dos clubes e promover o equilíbrio operacional.
Quais clubes se destacaram pela gestão financeira em 2025?
Mirassol e Juventude se destacaram por sua gestão eficiente e crescimento sustentável.
Qual a importância da transformação em Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs)?
As SAFs melhoram a gestão e aproximam os clubes das práticas de mercado, promovendo sustentabilidade financeira.