Relatório revela que captura de carbono precisa quadruplicar para frear o aquecimento global
A captura de carbono precisa quadruplicar para frear o aquecimento global e cumprir as metas do Acordo de Paris.
O último relatório Estado da CDR, divulgado em junho de 2026, traz um alerta importante: as tecnologias de remoção de dióxido de carbono (CDR) em operação hoje precisam crescer quatro vezes para que o planeta consiga cumprir a meta do Acordo de Paris e limitar o aumento da temperatura global a até 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. O documento mostra que, apesar dos avanços, o ritmo atual da captura ainda está longe do necessário para frear as mudanças climáticas.
Quer entender por que a CDR é tão fundamental na luta contra o aquecimento global e quais caminhos o mundo precisa seguir para acelerar essa tecnologia? Continue lendo e descubra os principais pontos do relatório e o que isso significa para o Brasil e o planeta.
Panorama atual da remoção de carbono no mundo
Hoje, o planeta consegue retirar cerca de 2,2 gigatoneladas de CO₂ por ano da atmosfera, o que equivale a apenas 5% das emissões globais brutas. Os países que mais contribuem para essa remoção são China, Estados Unidos, União Europeia, Brasil e Rússia. Mesmo assim, os planos atuais para ampliar a captura de carbono são insuficientes para atingir as metas climáticas internacionais.
Para chegar ao que é necessário, a remoção anual de CO₂ teria que saltar para 8,75 gigatoneladas até 2050, quase quatro vezes o volume atual. O período entre 2026 e 2030 é visto como decisivo para impulsionar os mecanismos de captura de carbono e garantir que esse salto aconteça. Um dos maiores desafios é acelerar o reflorestamento, a adoção de técnicas regenerativas no uso do solo e a expansão da captura mecânica de carbono no ar.
O papel da CDR na meta do Acordo de Paris
Para conter o aquecimento global, o mundo precisa agir em duas frentes: reduzir as emissões e aumentar a remoção de carbono da atmosfera. A CDR, que envolve justamente a captura e o armazenamento do CO₂ já emitido, é uma peça-chave nesse quebra-cabeça. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a CDR pode ajudar de três formas:
- No curto prazo, reduzindo as emissões líquidas;
- No médio prazo, compensando as emissões residuais para alcançar emissões líquidas zero;
- No longo prazo, possibilitando emissões líquidas negativas, caso a remoção supere as emissões.
O relatório classifica os métodos de CDR em convencionais e inovadores. Entre os convencionais, destacam-se o plantio de árvores, o reflorestamento, sistemas agroflorestais e o sequestro de carbono no solo. Já as técnicas inovadoras incluem a captura direta do ar com armazenamento geológico (DACCS), o uso do biochar (biocarvão) no solo, o enterramento de biomassa e a captura de carbono nos oceanos.
Desafios e oportunidades para o Brasil na captura de carbono
O Brasil já realiza uma remoção significativa de carbono, principalmente por meio do uso da terra, agropecuária e restauração ecológica, embora não rotule essas ações diretamente como CDR. A NDC brasileira para 2024 destaca o papel do setor florestal e do uso sustentável da terra na redução do desmatamento, na regeneração natural e no aumento dos estoques de biomassa.
No entanto, o país ainda tem um grande potencial pouco explorado em áreas como o tratamento de resíduos, especialmente com tecnologias como o biochar e a bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS). Integrar esses setores às estratégias nacionais pode ampliar a capacidade brasileira de remoção de carbono e alinhar melhor o país às discussões internacionais.
O relatório mostra que, para avançar, é preciso ampliar investimentos, desenvolver políticas públicas específicas e incentivar a inovação tecnológica. Só assim será possível colocar o Brasil e o mundo no caminho certo para cumprir os compromissos climáticos e evitar os impactos mais severos do aquecimento global.
O cenário atual deixa claro que a captura de carbono vai além de uma solução isolada: é uma estratégia urgente e necessária para garantir um futuro sustentável. O relógio climático não para, e a ampliação da CDR precisa ser prioridade global.
Perguntas Frequentes
O que é captura de carbono?
Captura de carbono refere-se a tecnologias que removem o dióxido de carbono da atmosfera para combater as mudanças climáticas.
Quais são os principais métodos de captura de carbono?
Os métodos incluem plantio de árvores, reflorestamento, captura direta do ar, e uso de biochar, entre outros.
Por que a captura de carbono é importante?
É fundamental para reduzir as emissões de CO₂ e ajudar a cumprir as metas climáticas do Acordo de Paris.
Qual é a meta de remoção de CO₂ até 2050?
A meta é aumentar a remoção de CO₂ para 8,75 gigatoneladas por ano, quase quatro vezes o volume atual.
Como o Brasil pode melhorar sua captura de carbono?
O Brasil pode explorar mais o tratamento de resíduos e integrar essas ações às suas políticas públicas e estratégias climáticas.