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Por que a China segue fora da Copa do Mundo de 2026 e o que isso revela sobre seu futebol

O desafio da China no futebol é um exemplo claro de que dinheiro e ambição, por si só, não garantem sucesso esportivo.

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Por que a China segue fora da Copa do Mundo de 2026 e o que isso revela sobre seu futebol

A Copa do Mundo de 2026 está prestes a começar, reunindo as potências do futebol mundial nos Estados Unidos, México e Canadá. Entre as ausências que mais chamam atenção está a da China, país com a segunda maior economia e população do planeta, mas que permanece longe dos gramados do maior torneio do esporte.

Apesar de toda a sua força econômica, a seleção chinesa masculina não conseguiu a classificação para o Mundial e mantém apenas uma participação em sua história, na edição de 2002. O cenário atual do futebol chinês revela um projeto ambicioso que não saiu do papel, mostrando as dificuldades de transformar investimentos em resultados concretos.

O projeto ambicioso que não vingou

Nos últimos anos, a China tentou se firmar no futebol mundial com um plano audacioso. Em 2016, a Associação Chinesa de Futebol traçou metas ousadas, como construir 70 mil campos de futebol e envolver 30 milhões de crianças na prática do esporte até 2020. A ideia era transformar o país em uma potência futebolística, acompanhando o sonho declarado pelo líder Xi Jinping, que queria ver a China sediando e conquistando a Copa do Mundo.

Porém, os números não mentem. Atualmente, o país conta com cerca de 980 mil jogadores registrados e 40 mil equipes amadoras, números inferiores aos de países com população muito menor, como a Inglaterra. Além disso, o futebol sequer figura entre os seis esportes mais populares na China, ficando atrás de modalidades como badminton e ciclismo, que têm pouca relevância em outros países.

O impacto das crises internas e escândalos

O investimento em grandes contratações trouxe nomes de peso à Superliga Chinesa, como Carlos Tévez, Oscar e Hulk, além de técnicos renomados como Marcello Lippi e Luiz Felipe Scolari. Mesmo assim, o futebol local não evoluiu como esperado. Uma análise aponta que o interesse maior das incorporadoras que patrocinavam os clubes era obter benefícios políticos e econômicos, não desenvolver o esporte nacional.

A crise imobiliária que abala o país foi decisiva para o fechamento de mais de 40 clubes, incluindo o Guangzhou Evergrande, um dos maiores times da China. Além disso, denúncias de corrupção, manipulação de resultados e apostas ilegais abalaram ainda mais a Superliga. Em 2026, várias equipes começaram a temporada com pontos negativos por envolvimento nesses escândalos, e ex-jogadores e técnicos foram condenados e banidos.

Desafios estruturais e o futuro do futebol chinês

Especialistas apontam que o fracasso da China no futebol está ligado a problemas estruturais profundos. A ênfase excessiva em estádios e contratações caras não foi acompanhada por um desenvolvimento sólido da base, que requer tempo, treinadores capacitados e competições consistentes.

Além disso, a rígida política de “Covid Zero” imposta pelo governo entre 2020 e 2022 prejudicou ainda mais o progresso do futebol, com campeonatos disputados em bolhas sanitárias, ausência de público e dificuldades para manter jogadores estrangeiros. Embora a pandemia tenha sido um agravante, o principal problema está na falta de uma cultura futebolística consolidada.

Hoje, a tendência é que a Superliga Chinesa busque um modelo mais sustentável, com controle rigoroso dos gastos, menos estrelas estrangeiras e foco na formação local. No entanto, especialistas alertam que esse processo pode levar décadas, um tempo muito maior do que o planejado inicialmente pelo governo.

O desafio da China no futebol é um exemplo claro de que dinheiro e ambição, por si só, não garantem sucesso esportivo. A construção de um projeto sólido e duradouro exige paciência, planejamento e uma base forte, elementos que ainda estão em falta no gigante asiático.

Perguntas Frequentes

Qual foi a única participação da China na Copa do Mundo?

A China participou apenas da Copa do Mundo de 2002.

Quais foram as metas traçadas pela Associação Chinesa de Futebol em 2016?

As metas incluíam construir 70 mil campos de futebol e envolver 30 milhões de crianças até 2020.

Por que a Superliga Chinesa enfrentou problemas nos últimos anos?

A Superliga enfrentou crises devido a escândalos de corrupção, manipulação de resultados e uma crise imobiliária.

Como a política de 'Covid Zero' afetou o futebol na China?

A política prejudicou campeonatos, com jogos em bolhas sanitárias e ausência de público.

Qual é a tendência futura para o futebol chinês?

A tendência é buscar um modelo mais sustentável, focando na formação local e controle rigoroso dos gastos.

Rafael Dias

Rafael Dias

Rafael Dias é jornalista esportivo e apaixonado por futebol desde criança. Escreve no blog Futebol na Web, onde comenta jogos, analisa táticas e compartilha curiosidades do mundo da bola com linguagem leve e acessível. Com olhar crítico e bom humor, atrai leitores que buscam informação com personalidade.