Assédio em jogo do Comercial: promotor cobra punições e mudanças no protocolo
O Juizado Especial Criminal (Jecrim) de Ribeirão Preto já está com as provas que mostram o assédio sexual sofrido pela médica Bianca Francelino durante a partida entre Comercial e Nacional, no último sábado (7). As imagens e documentos apontam dois torcedores do Comercial como responsáveis pelo crime, e a polícia civil está em busca dos acusados.
O caso ganhou repercussão por expor falhas na atuação das autoridades e no protocolo adotado durante o jogo. A seguir, confira os detalhes do processo e as medidas que estão sendo planejadas para punir os envolvidos e evitar que situações assim se repitam.
Identificação dos acusados e andamento do processo
De acordo com o Boletim de Ocorrência registrado pelo Comercial, Paulo Miranda e Igor Nobre são os nomes ligados ao assédio praticado contra Bianca Francelino. Apesar de já existir uma gravação clara do ato, ainda falta a identificação completa dos dois para que o Ministério Público possa agir com maior firmeza.
“Temos os nomes e as imagens. Falta apenas a identificação completa para tomar as medidas cabíveis”, explicou o promotor Paulo José Freire Teotônio, responsável pelo caso no Jecrim.
Assim que o processo for aberto oficialmente, o Ministério Público pretende solicitar punições tanto na esfera esportiva quanto na criminal. Na área esportiva, a recomendação é que os torcedores sejam proibidos de frequentar eventos esportivos por até dois anos, medida que ficará a cargo da Federação Paulista de Futebol.
Sanções e propostas para os envolvidos
Na esfera criminal, o promotor já adiantou que pretende pedir a realização de uma audiência para propor uma pena alternativa aos acusados. A sugestão inclui um ano de prestação de serviços comunitários vinculados à Polícia Militar, com atividades realizadas antes e depois dos jogos do Comercial.
Além disso, os torcedores deverão participar do Projeto Olhar, iniciativa que busca combater o machismo estrutural e promover valores como tolerância e integração social. Essa combinação de medidas visa não só punir, mas também educar para evitar reincidências.
Críticas ao protocolo e à resposta das autoridades
O promotor Paulo Teotônio não poupou críticas à forma como o caso foi conduzido durante a partida. Segundo ele, a demora para identificar e deter os responsáveis facilitou a continuidade do assédio, que, segundo relatos, persistiu mesmo após a paralisação do jogo pelo protocolo antirracismo da Fifa.
“Se existem protocolos, eles precisam funcionar de verdade. Parar o jogo e não tirar as pessoas do estádio é ineficaz”, afirmou.
Para aprimorar as ações em situações como essa, ele encomendou um estudo à Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, que deverá apresentar sugestões para melhorar a atuação da Justiça Desportiva e dos órgãos envolvidos.
O promotor também já conversou com o vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, Mauro Silva, para discutir mudanças que garantam a segurança e o respeito nos estádios. A expectativa é que medidas mais rigorosas sejam aplicadas para coibir casos de assédio e outros tipos de violência.
Com o caso ainda em andamento, a pressão por respostas rápidas e efetivas só aumenta. A sociedade e os torcedores esperam que o episódio sirva como ponto de partida para transformar o ambiente dos estádios em um espaço mais seguro e acolhedor para todos.
Perguntas Frequentes
Quais são as consequências para os torcedores envolvidos no assédio?
Os torcedores podem ser proibidos de frequentar eventos esportivos por até dois anos e participar de serviços comunitários.
O que é o Projeto Olhar mencionado no caso?
É uma iniciativa que visa combater o machismo estrutural e promover valores como tolerância e integração social.
Como o promotor critica o protocolo de segurança atual?
Ele afirma que a demora em identificar os responsáveis facilitou a continuidade do assédio, tornando os protocolos ineficazes.
Qual a expectativa em relação às mudanças propostas?
A expectativa é que medidas mais rigorosas sejam aplicadas para coibir casos de assédio e garantir a segurança nos estádios.
Quem está responsável pelo caso no Juizado Especial Criminal?
O promotor Paulo José Freire Teotônio é o responsável pelo caso no Jecrim de Ribeirão Preto.