São Paulo mantém contrato milionário com empresa ligada a aliado do presidente da FPF
São Paulo paga R$ 6,8 milhões anuais à Milclean, ligada a aliado do presidente da FPF, gerando controvérsias.
O São Paulo Futebol Clube segue pagando cerca de R$ 6,8 milhões por ano a uma empresa de limpeza com forte ligação a um antigo aliado do presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos. Apesar de o dirigente ter se desvinculado oficialmente da companhia em 2021, documentos internos indicam que a relação entre as partes ainda gera controvérsias, principalmente após denúncias sobre o cumprimento do contrato.
Os detalhes revelam uma parceria que já dura décadas, envolvendo não só negócios milionários, mas também sociedades em imóveis e outras empresas. Acompanhe a seguir os pontos principais sobre essa situação que movimenta os bastidores do futebol paulista.
Contratação da Milclean: valores e histórico
O contrato atual entre o São Paulo e a Milclean foi assinado em dezembro de 2024, mas com início retroativo para junho do mesmo ano. O acordo prevê o fornecimento de serviços de limpeza para o clube social tricolor até junho de 2027, com pagamento mensal de quase R$ 570 mil, totalizando R$ 6,8 milhões por ano e mais de R$ 20 milhões durante todo o período.
A Milclean foi fundada em 1998 por Reinaldo Carneiro Bastos e seu sócio Otávio Alves Corrêa Filho, que mantém uma amizade de mais de 40 anos com o presidente da FPF. Apesar de Bastos ter vendido sua participação em 2021 por cerca de R$ 3,9 milhões, a proximidade entre os dois segue evidente, já que ambos são conselheiros vitalícios do clube de Taubaté e mantêm laços antigos no futebol.
Irregularidades no cumprimento do contrato e denúncias
O contrato exige que a Milclean mantenha um quadro diário de funcionários para limpeza, com pelo menos 96 colaboradores de segunda a sábado e 95 aos domingos e feriados. Contudo, registros internos do São Paulo apontam que essa meta não vem sendo cumprida. Em dezembro de 2025, o número máximo de funcionários presentes em um único dia foi 55, bem abaixo do exigido.
Além disso, a empresa também enfrenta acusações de superfaturamento e baixa qualidade em outros contratos públicos. Em 2024, o vereador Wagner Teixeira, de São Sebastião, criticou a Milclean pelo serviço prestado à prefeitura, que paga cerca de R$ 3 milhões por mês, destacando a insatisfação com a qualidade.
Posicionamento da Federação Paulista de Futebol e do São Paulo
A FPF esclareceu que Reinaldo Carneiro Bastos não tem qualquer vínculo com a Milclean desde 2021, quando vendeu sua participação e se afastou totalmente da empresa. Segundo a federação, o presidente não tem envolvimento em decisões administrativas ou financeiras da companhia e desconhecia o contrato firmado com o São Paulo, que teria sido resultado de um processo licitatório com sete concorrentes.
O São Paulo, por sua vez, afirma que o contrato foi firmado após rigorosa concorrência e que a Milclean foi escolhida por apresentar o menor custo entre as empresas avaliadas. O clube também garante que mantém controles internos rigorosos para acompanhar a prestação dos serviços, incluindo registros diários de presença dos funcionários, para assegurar a conformidade com o acordo.
Apesar dessas explicações, o fato de o número de colaboradores estar aquém do previsto levanta questionamentos sobre a fiscalização e a efetividade do contrato, o que mantém o assunto em evidência no futebol paulista.
O vínculo entre o futebol e negócios externos sempre gera debates acalorados, principalmente quando envolve figuras de destaque como o presidente da FPF. O desdobramento desse caso promete repercussão nos próximos meses, à medida que o São Paulo e a Milclean seguem com o contrato vigente até 2027.
Perguntas Frequentes
Qual é o valor do contrato entre o São Paulo e a Milclean?
O contrato é de cerca de R$ 6,8 milhões por ano.
Quem fundou a Milclean?
A Milclean foi fundada em 1998 por Reinaldo Carneiro Bastos e Otávio Alves Corrêa Filho.
Quais são as irregularidades apontadas no cumprimento do contrato?
Registros indicam que o número de funcionários da Milclean está abaixo do exigido, com apenas 55 presentes em um dia.
Qual é a posição da FPF sobre o vínculo de Reinaldo Carneiro Bastos com a Milclean?
A FPF afirma que Bastos não tem vínculo com a Milclean desde 2021 e desconhecia o contrato com o São Paulo.
Como o São Paulo defende a escolha da Milclean?
O São Paulo afirma que o contrato foi firmado após rigorosa concorrência, escolhendo a Milclean pelo menor custo.