Como a Copa do Mundo de 2026 pode transformar o futebol nos Estados Unidos
A Copa do Mundo masculina de 2026, que será sediada pelos Estados Unidos, Canadá e México, promete ser um marco para o crescimento do futebol na América do Norte. Apesar da tradicional resistência de parte da base conservadora americana ao esporte, a próxima edição do Mundial chega com um cenário político e cultural que pode mudar a percepção do futebol entre os torcedores nos EUA.
Este evento continental não é apenas uma competição esportiva, mas também um palco onde política, cultura e esportes se encontram, trazendo desafios e oportunidades para o futebol americano. Vamos entender melhor esse contexto e as expectativas para o torneio.
Futebol e política: uma relação complexa nos EUA
Historicamente, o futebol não foi o esporte preferido da base conservadora nos Estados Unidos, que chegou a associar a modalidade a valores contrários aos seus, chegando a chamá-la de “socialista” ou “antiamericana”. Nas redes sociais, parte da direita americana ainda expressa desdém pelo futebol, reforçando a ideia de que o país “não liga para o esporte”.
No entanto, com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, o ex-presidente Donald Trump, apesar das críticas anteriores, passou a apoiar o torneio e estreitar laços com a Fifa. Isso ocorreu mesmo com seu eleitorado mantendo uma antipatia histórica pelo futebol. Para muitos analistas, essa mudança tem mais a ver com o papel político do evento do que com o próprio esporte.
“Embora o futebol seja menos político nos EUA que em outros países, essa Copa assumiu um tom político, especialmente pela associação com Trump e a Fifa”, afirma Jeffrey Kraus, cientista político do Wagner College, em Nova York.
Essa relação entre o ex-presidente e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, reforça a imagem de Trump como uma das faces do Mundial, enquanto parte dos conservadores ainda vê o futebol com desconfiança.
Uma base de torcedores jovem e progressista em expansão
Nos Estados Unidos, o público do futebol é relativamente jovem e composto em grande parte por imigrantes, que tendem a ter posicionamentos mais progressistas. Esse perfil de torcedor se manifesta em protestos contra políticas de imigração e em uma postura mais humanista, o que gera tensões com segmentos mais conservadores da sociedade.
Ryan Shirah, membro do grupo American Outlaws, que já acompanhou mais de 120 jogos da seleção americana, destaca essa característica:
“A maioria dos torcedores de futebol nos EUA se inclina para o lado mais progressista, com foco em direitos humanos.”
Apesar disso, o crescimento do futebol no país pode levar a uma mudança nesse cenário. Se o eleitorado conservador abraçar o esporte, a composição política dos fãs pode se diversificar. Desde a Copa de 1994, o futebol cresceu muito, impulsionado pela imigração e pela paixão trazida por esses novos americanos.
Oportunidades e desafios para o futebol no mainstream americano
A chegada de grandes nomes do futebol, como Lionel Messi, e a realização da Copa do Mundo em solo americano são chances únicas para o esporte conquistar novos públicos. Inclusive, há uma expectativa de que o torneio ajude a atrair mais torcedores conservadores, ampliando a popularidade do futebol.
Jeffrey Kraus ressalta que a mudança já é visível em cidades como Nova York, onde bairros tradicionalmente conservadores e voltados para esportes como beisebol agora veem o futebol ganhando espaço nas comunidades locais.
Por outro lado, líderes políticos como o vice-presidente JD Vance defendem que o futebol pode ser um esporte conservador, por sua ligação com a comunidade e por não carregar um viés político explícito. Essa visão pode ajudar a aproximar o esporte de públicos que antes estavam afastados.
Para que essa transformação aconteça, os Estados Unidos precisarão mostrar um desempenho forte na Copa do Mundo, aproveitando o evento como uma oportunidade geracional para consolidar o futebol no país.
Enquanto isso, torcedores organizados reforçam a importância de manter um ambiente acolhedor nos estádios, independentemente das diferenças políticas. Como destaca Shirah, o foco deve ser a paixão pelo jogo, sem espaço para ofensas ou divisões.
A Copa do Mundo de 2026 tem tudo para ser um divisor de águas no futebol americano, unindo cultura, política e esporte em um momento decisivo para o futuro da modalidade nos Estados Unidos.
Perguntas Frequentes
Qual é o impacto da Copa do Mundo de 2026 no futebol americano?
A Copa do Mundo de 2026 pode mudar a percepção do futebol nos EUA, unindo diferentes segmentos da sociedade.
Como a política influencia o futebol nos Estados Unidos?
A política tem um papel significativo, com figuras como Trump mudando a narrativa em torno do futebol no país.
Quem são os principais torcedores do futebol nos EUA?
O público é majoritariamente jovem e progressista, com muitos imigrantes que trazem uma nova perspectiva ao esporte.
Quais desafios o futebol enfrenta para se popularizar nos EUA?
O futebol enfrenta resistência de segmentos conservadores, mas eventos como a Copa do Mundo oferecem oportunidades de crescimento.
O que pode ser feito para atrair mais torcedores conservadores para o futebol?
Destacar o papel comunitário do futebol e promover um ambiente inclusivo nos estádios pode ajudar a atrair novos públicos.