Futebol brasileiro em 2026: SAF perde força e provoca nova fase de cautela nos clubes
A SAF perdeu força em 2026, trazendo cautela e novos desafios para os clubes brasileiros.
Quatro anos após a aprovação da Lei da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), o cenário do futebol brasileiro passa por uma transformação significativa. Entre 2022 e 2025, o modelo foi visto como a principal alternativa para clubes em dificuldades financeiras, com uma verdadeira corrida para a adesão. No entanto, em 2026, o ritmo diminuiu, e as equipes tradicionais das séries A, B e C adotam uma postura mais cuidadosa e estratégica.
Se antes a SAF era sinônimo de esperança e investimento imediato, o momento atual mostra que o mercado está mais seletivo e analisa com mais rigor os riscos e os benefícios desse formato. Quer entender por que a SAF perdeu fôlego e quais os impactos no futebol nacional? Continue lendo e confira os detalhes.
O auge e a desaceleração da SAF no futebol brasileiro
Até o final de 2025, o Brasil contava com 117 clubes formalmente registrados como Sociedade Anônima do Futebol, de acordo com levantamento do portal Migalhas, elaborado por Rodrigo Monteiro de Castro, um dos principais responsáveis pela Lei 14.193/21. No início, a chegada de investidores estrangeiros e grupos empresariais trouxe uma expectativa enorme. Clubes endividados vislumbravam na SAF uma saída rápida para reestruturar suas finanças e voltar a brilhar dentro de campo.
Porém, a partir deste ano, o ritmo de adesões desacelerou bastante. Muitas negociações começaram, mas poucas avançaram para a formalização. Exemplos recentes ilustram esse cenário: o Americano, do Rio de Janeiro, virou SAF em fevereiro, com o Grupo Boston City e o ex-jogador Felipe Melo assumindo o futebol; o Villa Nova, mineiro, também vendeu 90% de sua SAF para o Boston City Group. Além disso, o Feira Futebol Clube surgiu já como SAF, com forte presença digital e estreando no futebol baiano em 2026.
Por outro lado, clubes como o Joinville ainda estão em fase de negociação, avaliando propostas que giram em torno de R$ 150 milhões em um prazo de dez anos. Esse movimento mais lento indica que a confiança no modelo já não é tão unânime como era há alguns anos.
Clube tradicionais resistem e questionam o modelo empresarial
Um dado que chama atenção é que 38 clubes das três primeiras divisões nacionais ainda não adotaram o formato SAF. Entre os 20 times da Série A de 2026, 14 seguem como associações civis, incluindo gigantes como Flamengo, Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Grêmio. O estado de São Paulo lidera em número de clubes que ainda não migraram para SAF, com 11 equipes nessa condição, seguido por Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
No Nordeste, times tradicionais como Sport, Náutico e Vitória também optaram por manter o formato associativo. Essa resistência está ligada a dúvidas sobre a transparência dos investimentos, a influência dos investidores nas decisões do clube e a sustentabilidade a longo prazo do modelo.
Resultados esportivos e financeiros deixam dúvidas sobre a SAF
Embora a SAF tenha como promessa acelerar a recuperação financeira e elevar o nível competitivo dos clubes, os resultados até agora são mistos. Desde a implementação da lei, equipes que adotaram o modelo conquistaram títulos importantes, mas também sofreram rebaixamentos que mostram a complexidade do desafio.
- Principais conquistas: Botafogo faturou o Campeonato Brasileiro e a Libertadores em 2024; Cruzeiro venceu a Série B em 2022; Coritiba conquistou a Série B em 2025.
- Rebaixamentos marcantes: América-MG e Coritiba caíram em 2023; Atlético Goianiense e Cuiabá em 2024; Fortaleza em 2025.
- Presença no G-4 da Série A: Apenas Atlético Mineiro (2023), Fortaleza (2024) e Cruzeiro (2025) conseguiram terminar entre os quatro melhores.
Esses números revelam que a SAF não é uma fórmula mágica. A gestão empresarial precisa caminhar lado a lado com estratégias esportivas sólidas para garantir sucesso e evitar crises.
O futebol brasileiro vive, portanto, uma nova etapa na era SAF. Se antes o modelo era visto como a única saída para clubes em dificuldade, hoje há um movimento mais cauteloso, com questionamentos sobre o controle dos clubes e o equilíbrio entre investimento e identidade. A tendência é que as próximas temporadas tragam ainda mais debates e ajustes para que o futebol nacional encontre um caminho sustentável e competitivo.
Perguntas Frequentes
O que é a SAF no futebol brasileiro?
SAF significa Sociedade Anônima do Futebol, um modelo que permite clubes se tornarem empresas.
Por que a adesão à SAF diminuiu em 2026?
O mercado se tornou mais seletivo, com clubes analisando rigorosamente os riscos e benefícios da SAF.
Quais clubes ainda não adotaram o modelo SAF?
Clubes tradicionais como Flamengo, Palmeiras, e São Paulo permanecem como associações civis.
Quais foram os resultados de clubes que adotaram a SAF?
Alguns conquistaram títulos importantes, mas também enfrentaram rebaixamentos, mostrando resultados mistos.
O que os clubes questionam sobre a SAF?
Eles levantam dúvidas sobre a transparência dos investimentos e a influência dos investidores nas decisões.