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Gramados do futebol brasileiro: desafios, soluções e comparações internacionais

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Gramados do futebol brasileiro: desafios, soluções e comparações internacionais

Os gramados do futebol brasileiro estão no centro de um debate intenso, que vai muito além das quatro linhas. Recentemente, o Flamengo apresentou uma proposta à CBF para padronizar os campos no país, buscando melhorias técnicas e um posicionamento contrário ao uso de gramados sintéticos na elite do Campeonato Brasileiro. A qualidade dos gramados tem sido alvo de críticas, inclusive de jogadores, e desperta questionamentos sobre os principais problemas e as possibilidades de evolução.

Quer entender por que os gramados brasileiros enfrentam tantas dificuldades, quais são as soluções em andamento e como eles se comparam aos campos de outros países? Continue a leitura e descubra todos os detalhes dessa questão que impacta diretamente o espetáculo do futebol nacional.

O que afeta a qualidade dos gramados no Brasil?

Um dos grandes desafios para manter gramados em bom estado no futebol brasileiro está ligado ao calendário apertado e à arquitetura dos estádios modernos. Rodrigo Santos, coordenador do centro de gramados esportivos da Itograss — empresa que atende a maioria dos clubes das Séries A e B —, explica que a alta frequência de jogos é um fator determinante para o desgaste intenso da grama.

“O Brasil tem um calendário muito mais carregado do que qualquer outra liga de alto nível no mundo. Além disso, o futebol atual é mais físico e jogado em blocos, o que aumenta a pressão sobre o gramado”, afirma o engenheiro agrônomo.

Outro ponto importante é a sombra gerada pelas coberturas dos estádios construídos para a Copa do Mundo de 2014. Essas estruturas, pensadas para o conforto do torcedor, limitam a incidência de luz natural, essencial para o desenvolvimento saudável da grama. Segundo Rodrigo, isso obriga a escolha de variedades capazes de se adaptar a ambientes com pouca luz e de se recuperar rapidamente após os desgastes.

Além disso, o aumento do tempo de aquecimento dos jogadores em campo antes das partidas, que passou de cerca de 20 para 40 minutos, contribui para o desgaste localizado da grama. Lucas Pedrosa, diretor técnico da Greenleaf Gramados, destaca que isso tem sido pauta de discussão com a CBF para minimizar os impactos.

Tecnologia e gestão: caminhos para melhorar os gramados

Apesar dos desafios, existem avanços promissores para elevar a qualidade dos campos no Brasil. Entre as soluções, destacam-se a iluminação artificial para estimular o crescimento da grama e o uso de gramados híbridos, que combinam grama natural com fibras sintéticas para aumentar resistência e estabilidade.

Rodrigo Santos comenta a tecnologia “Ready to Play” e o mais recente “Play on Time”, que permitem a substituição rápida e eficiente do gramado, facilitando a recuperação dos campos mesmo em calendários apertados. Essa inovação foi trazida ao Brasil a pedido do Consórcio Maracanã, e outras arenas como o Morumbi e a Arena Mané Garrincha estão próximas de adotá-la.

Outra novidade é a chegada da grama North Bridge Bermuda, desenvolvida para a Copa do Mundo de 2026, que será usada nos estádios do México e sul dos Estados Unidos. Essa variedade tem folhas menores, maior densidade e melhor resistência ao frio, características que prometem beneficiar locais como o Maracanã.

O programa Gramados da CBF, iniciado em 2015, também busca padronizar e elevar os padrões dos campos, mas enfrenta o desafio das diferentes realidades e volumes de jogos entre os estádios brasileiros.

Comparações internacionais e a polêmica do gramado sintético

As críticas aos gramados brasileiros muitas vezes vêm acompanhadas de comparações com os campos europeus. No entanto, especialistas com experiência em países de clima quente, como a Arábia Saudita, apontam que, em algumas situações, o Brasil ainda tem muito a evoluir. O técnico Mário Jorge, que trabalhou na base do Flamengo e na seleção sub-17 da Arábia Saudita, destaca que lá as condições dos gramados são superiores, especialmente para as categorias de base.

No México, situação semelhante à do Brasil é relatada pelo técnico Maurício Barbieri, que ressalta a disparidade entre estádios de equipes com maior investimento e os de menor estrutura, além do uso misto de gramados naturais e sintéticos.

O uso do gramado sintético no futebol brasileiro é tema de debate. Embora clubes como Atlético-MG, Botafogo e Palmeiras adotem o sintético em suas arenas para ampliar fontes de receita com eventos, especialistas como Rodrigo Santos e Lucas Pedrosa reforçam que o campo natural é preferência para o espetáculo e segurança dos atletas. Pedrosa ressalta que o sintético é indicado para categorias de base e centros de treinamento, onde o volume de treinos é alto e o impacto físico menor.

Entre os melhores e piores gramados do país

A irregularidade dos gramados nacionais é evidente, com alguns campos recebendo elogios constantes. A Neo Química Arena, do Corinthians, é frequentemente apontada como o melhor gramado do Brasil, graças ao uso do gramado híbrido e à manutenção cuidadosa. Técnicos como Filipe Luís e Abel Ferreira reconhecem a qualidade da arena corintiana, destacando também campos como o Beira-Rio, Morumbi e Alfredo Jaconi.

Por outro lado, estádios com grande número de partidas e aqueles multiuso enfrentam maiores dificuldades. O Maracanã e o Castelão, por exemplo, chegam a receber até 80 jogos por ano, o que sobrecarrega o gramado. Já o Mineirão e a Fonte Nova lidam com o desafio adicional de shows e eventos, que também prejudicam a recuperação da relva.

Maristela Kuhn, especialista em gramados, lembra que a grama de inverno, comum no Sul do Brasil, apresenta coloração mais viva no inverno, o que pode dar a impressão de melhor qualidade, mas não necessariamente significa que esses gramados sejam superiores aos demais.

O futebol brasileiro enfrenta, portanto, uma série de desafios estruturais para manter os gramados em condições ideais. Com investimentos em tecnologia, planejamento e gestão, há espaço para evolução, o que certamente refletirá na qualidade do espetáculo e na segurança dos atletas dentro de campo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais desafios dos gramados brasileiros?

Os principais desafios incluem o calendário apertado, a arquitetura dos estádios e a falta de luz natural.

Como a tecnologia pode ajudar na melhoria dos gramados?

Tecnologias como iluminação artificial e gramados híbridos estão sendo utilizadas para aumentar a resistência e a qualidade.

O que é o programa Gramados da CBF?

É um programa iniciado em 2015 que visa padronizar e melhorar a qualidade dos gramados no Brasil.

Por que o gramado sintético é controverso no Brasil?

Embora seja usado para aumentar receitas, especialistas preferem gramados naturais por questões de segurança e espetáculo.

Quais são os melhores e piores gramados do Brasil?

A Neo Química Arena é frequentemente considerada a melhor, enquanto estádios como Maracanã enfrentam problemas devido ao alto número de jogos.

Rafael Dias

Rafael Dias

Rafael Dias é jornalista esportivo e apaixonado por futebol desde criança. Escreve no blog Futebol na Web, onde comenta jogos, analisa táticas e compartilha curiosidades do mundo da bola com linguagem leve e acessível. Com olhar crítico e bom humor, atrai leitores que buscam informação com personalidade.