MP de Alagoas pressiona CBF por esclarecimentos sobre gestão da FAF e institutos ligados
O MP-AL cobra respostas da CBF sobre a gestão da FAF e seus institutos, levantando questões sobre transparência e controle financeiro.
O Ministério Público de Alagoas (MP-AL) está cobrando respostas oficiais da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) após uma reportagem que levantou dúvidas sobre a relação da entidade com a Federação Alagoana de Futebol (FAF) e seus institutos privados. O órgão quer entender se a CBF tem conhecimento e acompanha a movimentação financeira e administrativa das estruturas ligadas à FAF, especialmente dos institutos criados pelo presidente da federação, Felipe de Omena Feijó.
Com 35 anos, Felipe Feijó é uma figura central nessa história. Ele comanda a FAF desde 2014, quando assumiu aos 23 anos, tornando-se o mais jovem presidente de federações estaduais no país. Filho do ex-presidente Gustavo Feijó, Felipe também já ocupou cargos importantes na CBF, incluindo vice-presidência e atualmente é diretor de futebol masculino da entidade nacional. A seguir, confira os principais pontos que envolvem essa investigação em andamento.
Institutos privados ligados à FAF e o questionamento do MP-AL
Desde 2017, Felipe Feijó criou duas entidades privadas que têm a Federação Alagoana de Futebol como sócia instituidora e mantenedora. O primeiro foi o Instituto FAF de Potencial Pleno (IFPP), com objetivo formal de gerir e receber recursos em nome da FAF. Em 2022, surgiu o Instituto FAF de Aprimoramento, Gerenciamento e Pesquisa (IFAGP), também conhecido como Instituto Nossa Senhora das Graças, que se desvinculou da federação apenas em 2024.
Esses institutos são o foco das investigações porque levantam dúvidas sobre o uso dos recursos públicos e privados destinados à FAF. A dívida ativa da Federação junto à Fazenda ultrapassa R$ 6,2 milhões, enquanto a CBF repassou em 2024 mais de R$ 2,1 milhões para a federação, além de valores para arbitragem. Em paralelo, a FAF recebeu mais de R$ 6,3 milhões em emendas parlamentares estaduais, segundo dados oficiais obtidos via Lei de Acesso à Informação.
O que a CBF precisa esclarecer ao Ministério Público
O MP-AL encaminhou um documento à CBF com 10 perguntas detalhadas, buscando entender o grau de conhecimento e controle da entidade sobre a FAF e seus institutos. Entre os principais questionamentos estão:
- Se a CBF tem ciência da existência e atuação dos institutos IFPP e IFAGP;
- Se houve ou há convênios, parcerias ou repasses entre a CBF e essas entidades;
- Se a confederação já realizou auditorias ou fiscalizações envolvendo a FAF, seus institutos ou seus dirigentes;
- Se a CBF acompanha a movimentação financeira, transparência e aplicação dos recursos das federações filiadas;
- Quais mecanismos de controle são usados para fiscalizar a FAF;
- Se foram identificadas irregularidades nas prestações de contas da FAF nos últimos anos;
- Se a CBF mantém normas internas que garantam governança, transparência e integridade nas federações estaduais.
O promotor Anderson Cláudio de Almeida Barbosa estipulou prazo de 20 dias para que a CBF responda oficialmente a essas perguntas, o que pode definir os próximos passos da investigação.
O impacto dessa investigação para o futebol alagoano e nacional
Esse caso expõe uma preocupação antiga sobre a gestão das federações estaduais e a fiscalização da CBF sobre elas. A criação de institutos privados vinculados diretamente às federações levanta dúvidas sobre transparência e o uso correto dos recursos públicos e das verbas da confederação. Além disso, a situação financeira da FAF, com uma dívida ativa milionária, contrastando com os repasses recebidos, aumenta o interesse público sobre a eficiência administrativa da entidade.
Para o futebol alagoano, esse momento pode ser decisivo para promover mudanças na governança e garantir que os investimentos retornem efetivamente ao desenvolvimento do esporte no estado. Já para o cenário nacional, a resposta da CBF pode influenciar a forma como outras federações são fiscalizadas e conduzidas, fortalecendo a credibilidade do futebol brasileiro.
O desenrolar dessa investigação certamente será acompanhado de perto por torcedores, profissionais do futebol e órgãos de controle, que esperam mais transparência e responsabilidade na gestão do esporte.
Perguntas Frequentes
Qual é o papel do MP de Alagoas nessa investigação?
O MP de Alagoas busca esclarecer a relação entre a CBF e a FAF, questionando a transparência e a gestão financeira.
Quem é Felipe Feijó?
Felipe Feijó é o presidente da FAF desde 2014 e figura central na investigação, tendo criado institutos privados ligados à federação.
Quais institutos privados estão sendo investigados?
Os institutos em questão são o Instituto FAF de Potencial Pleno (IFPP) e o Instituto FAF de Aprimoramento, Gerenciamento e Pesquisa (IFAGP).
Qual é a dívida ativa da FAF?
A dívida ativa da FAF junto à Fazenda ultrapassa R$ 6,2 milhões.
Qual o impacto dessa investigação no futebol alagoano?
A investigação pode promover mudanças na governança da FAF e garantir melhor uso dos investimentos no desenvolvimento do esporte.