Mulheres no comando do futebol masculino: avanços e desafios em 2026
Em 2026, mulheres como Nívia de Lima e Marie-Louise Eta estão mudando o futebol masculino, mas ainda enfrentam desafios.
O futebol masculino vem vivenciando uma transformação histórica com a presença crescente de mulheres em cargos de comando. Em 2026, a trajetória de treinadoras como Marie-Louise Eta, que assumiu interinamente o Union Berlin na Bundesliga, reforça uma mudança de paradigma nas cinco grandes ligas europeias. Apesar desse avanço, o cenário ainda revela muitos obstáculos para que as mulheres ocupem posições de destaque, especialmente no futebol masculino.
Se você quer entender os principais desafios e as perspectivas para as mulheres no comando do futebol, continue a leitura. Vamos explorar as estatísticas recentes, histórias inspiradoras e o que especialistas dizem sobre o futuro da igualdade de gênero no esporte mais popular do Brasil e do mundo.
O panorama atual da liderança feminina no futebol
Um relatório da FIFA publicado em 2025 trouxe dados que chocaram o meio esportivo: apenas 22% dos times de futebol feminino ao redor do mundo são treinados por mulheres. A análise considerou 669 clubes de 86 ligas, mostrando que, mesmo no futebol feminino, a presença feminina no comando ainda é tímida.
No Brasil, essa realidade não é diferente. Das 18 equipes da Série A1 do Brasileirão feminino, apenas três contam com treinadoras: Corinthians, Palmeiras e Atlético Mineiro. Curiosamente, a Seleção Brasileira feminina é dirigida por Arthur Elias, um técnico homem que se destaca pela trajetória no futebol feminino, evidenciando a complexidade do cenário.
No futebol masculino, a situação é ainda mais restrita. Em 2026, Nívia de Lima entrou para a história ao se tornar a primeira mulher auxiliar técnica de um time da Série A, na Chapecoense. Antes disso, Nívia já havia comandado uma equipe masculina na Copa São Paulo de Futebol Jr., abrindo portas para que outras mulheres sigam o mesmo caminho.
Machismo e barreiras históricas ainda influenciam o futebol
Para entender por que o futebol segue tão masculino fora de campo, é preciso olhar para a história e a cultura do esporte. Dilma Mendes, ex-jogadora e atual treinadora da Seleção Brasileira Feminina de Futebol 7, destaca que o machismo estrutural é um dos principais entraves.
“Vivemos em um país onde o futebol masculino domina não só as partidas, mas também as decisões. Essa desigualdade reflete o que acontece em muitos setores da sociedade”, explica Dilma. Ela relembra a proibição do futebol feminino entre 1941 e 1979, uma medida que deixou sequelas profundas e dificultou o desenvolvimento da modalidade feminina no Brasil.
Com uma trajetória que começou na década de 1980, Dilma foi uma das pioneiras a atuar profissionalmente no futebol feminino brasileiro. Mesmo com sua experiência, ela enfrentou o preconceito que ainda ronda o ambiente esportivo. “Muita gente duvidava que uma mulher pudesse entender de tática, padrão de jogo e sistema”, revela.
Qualificação e oportunidades: o caminho para a mudança definitiva
A mudança no cenário depende de mais do que vontade. Segundo Dilma Mendes, é fundamental ampliar o acesso das mulheres à qualificação técnica e a oportunidades reais dentro do futebol.
“Além da conscientização, falta espaço para estágios e cursos acessíveis. Muitos treinamentos têm custos elevados, o que dificulta a entrada das mulheres na profissão.”
Os cursos de treinadores oferecidos pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) seguem uma progressão obrigatória para atuar em competições oficiais, mas os valores podem chegar a R$ 25 mil, o que limita o acesso para muitas candidatas. As licenças vão da C, focada em categorias de base, até a PRO, necessária para comandar equipes profissionais de elite.
Many Gleize, coordenadora de esportes do Esporte Clube Vitória, reforça que a escassez de mulheres qualificadas é um dos motivos para a preferência por técnicos homens em clubes femininos. “É necessário oferecer cursos, experiência prática e oportunidades de trabalho. O mercado está começando a se abrir, e em breve as mulheres podem virar maioria, desde que haja investimento em sua formação.”
O futebol, que sempre foi um território dominado por homens, começa a mostrar que a presença feminina é não só possível, mas essencial para o crescimento e a renovação do esporte.
Os passos dados até agora indicam que 2026 pode ser um ano de virada para as mulheres no futebol, especialmente no comando das equipes masculinas. O caminho ainda é longo, mas a combinação de história, qualificação e oportunidades está abrindo espaço para uma nova geração de treinadoras que promete revolucionar o cenário nacional e internacional.
Perguntas Frequentes
Quais são os principais desafios para mulheres no futebol masculino?
Os desafios incluem machismo estrutural, falta de oportunidades e custos elevados para qualificação.
Quantas mulheres treinam times de futebol feminino atualmente?
Apenas 22% dos times de futebol feminino no mundo são treinados por mulheres, segundo relatório da FIFA.
Quem foi a primeira mulher a ser auxiliar técnica em um time da Série A?
Nívia de Lima fez história em 2026 ao se tornar a primeira mulher auxiliar técnica de um time da Série A.
O que é necessário para a mudança no cenário do futebol feminino?
Ampliar o acesso à formação e oferecer oportunidades reais são essenciais para a mudança.
Qual é a situação das treinadoras no futebol brasileiro?
No Brasil, apenas três das 18 equipes da Série A1 do Brasileirão feminino têm treinadoras.