Trump tenta conquistar conservadores para Copa do Mundo nos EUA em meio a resistências
A poucos meses da Copa do Mundo masculina sediada por Estados Unidos, Canadá e México em 2026, o ex-presidente Donald Trump intensifica sua aposta no futebol, esporte que historicamente encontra resistência entre parte de sua base conservadora. Enquanto o Mundial se aproxima, o desafio é grande: conquistar um público que, até pouco tempo, via o futebol com desconfiança e até aversão.
Apesar do crescimento expressivo do futebol no território americano, especialmente entre jovens e imigrantes, o esporte ainda é alvo de críticas por setores da direita que o associam a valores contrários aos deles. Trump, por sua vez, tenta reverter essa percepção, mostrando-se um entusiasta do torneio e estreitando relações com a Fifa. O que está em jogo é mais do que o futebol: trata-se de uma disputa cultural que reflete as transformações da sociedade americana.
Futebol e política: como a Copa virou palco de debates culturais
O futebol nunca foi um esporte amplamente popular entre os conservadores americanos, que chegaram a classificá-lo como “socialista” ou um símbolo de decadência moral. Essa visão, alimentada por discursos nas redes sociais e pelo próprio Trump durante seu mandato, fez com que o esporte fosse frequentemente alvo de críticas dentro desse grupo.
Além disso, a seleção feminina dos EUA, protagonista em causas progressistas, sofreu ataques diretos do presidente e de seus apoiadores do movimento Make America Great Again (MAGA). Mesmo assim, a Copa do Mundo de 2026, que terá os Estados Unidos como uma das sedes principais, ganhou um novo significado político. A aproximação de Trump com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e sua participação no Conselho da Paz dos EUA, criaram uma imagem do ex-presidente como um rosto oficial do evento.
Uma nova cara para o futebol conservador?
O envolvimento de Trump com o futebol não é exatamente uma surpresa para quem acompanha sua relação com o esporte. Sua ligação com eventos esportivos como o UFC e a luta profissional mostra um perfil que combina entretenimento e política. Para alguns conservadores, isso faz sentido e pode até ajudar a derrubar preconceitos contra o futebol.
Chris Vance, líder dos Jovens Republicanos na Universidade da Califórnia em Los Angeles, destaca que o futebol pode ganhar espaço entre os conservadores justamente por essa conexão com a cultura esportiva mais ampla e pelo carisma de Trump.
O crescimento do futebol nos EUA e o desafio de ampliar a base conservadora
Nos últimos anos, o futebol nos Estados Unidos cresceu de forma expressiva. A maior parte dos torcedores é jovem, de origem imigrante e tende a ter uma visão mais progressista, especialmente em temas como direitos humanos e políticas migratórias. Isso gera um conflito natural com os discursos mais conservadores e as políticas do governo Trump, que foram marcadas por ações duras contra imigrantes.
Ryan Shirah, integrante do grupo American Outlaws, afirma que a maioria dos fãs prefere manter a política fora dos estádios, mas que o perfil humanista do torcedor de futebol acaba se inclinando para a esquerda no espectro político. Mesmo assim, ele acredita que o crescimento do esporte pode mudar essa dinâmica.
Jeffrey Kraus, cientista político de Nova York, lembra que desde a Copa de 1994, que os EUA sediaram, o futebol se tornou parte da vida americana, impulsionado pela imigração. Agora, com o aumento do apoio republicano entre latinos, há chance de uma mudança no perfil político do público, o que pode beneficiar o esporte entre os conservadores.
Uma oportunidade única para o futebol no país
A chegada de estrelas como Lionel Messi ao cenário americano já ajudou a popularizar o futebol. Porém, a Copa do Mundo de 2026 pode ser o grande momento para o esporte se consolidar no mainstream dos Estados Unidos, atraindo públicos diversos, incluindo os conservadores. Kraus destaca a mudança observada em bairros tradicionalmente conservadores, onde o futebol já começa a substituir esportes como o beisebol.
Até mesmo o vice-presidente dos EUA, JD Vance, que se destaca por seu interesse atípico pelo futebol dentro do partido republicano, defende que o esporte é uma atividade comunitária e pouco politizada, o que pode facilitar sua aceitação entre os conservadores.
Para que essa oportunidade seja aproveitada, os Estados Unidos precisarão fazer uma boa campanha no Mundial. Se conseguirem, a Copa poderá transformar não só o futebol, mas também o perfil de seus torcedores, promovendo uma convivência saudável entre diferentes visões políticas dentro dos estádios.
O desafio está lançado: o futebol pode deixar de ser um esporte marginal para parte da direita americana e se tornar um verdadeiro fenômeno nacional, unindo gerações e culturas diferentes em torno da paixão pelo jogo.
Perguntas Frequentes
Por que o futebol enfrenta resistência entre conservadores nos EUA?
O futebol é visto por alguns conservadores como um símbolo de valores contrários aos seus, muitas vezes rotulado como 'socialista'.
Qual é o papel de Trump na Copa do Mundo de 2026?
Trump busca se posicionar como um entusiasta do torneio, tentando reverter a desconfiança de sua base conservadora em relação ao futebol.
Como o crescimento do futebol nos EUA afeta a política?
O aumento da popularidade do futebol, especialmente entre jovens e imigrantes, pode criar um conflito com os discursos conservadores.
Qual é a importância da Copa do Mundo de 2026 para o futebol americano?
A Copa pode ser um momento decisivo para o futebol se consolidar no mainstream dos EUA e atrair públicos diversos, incluindo conservadores.
Como a presença de figuras como Messi impacta o futebol nos EUA?
A chegada de estrelas como Messi ajuda a popularizar o futebol, atraindo mais atenção e possíveis novos fãs ao esporte.