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Palacete Linneo de Paula Machado pode virar patrimônio nacional e preservar história do Rio

O Palacete Linneo de Paula Machado pode se tornar patrimônio nacional, garantindo sua preservação e valorização histórica.

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Palacete Linneo de Paula Machado pode virar patrimônio nacional e preservar história do Rio

O Palacete Linneo de Paula Machado, uma joia arquitetônica na Zona Sul do Rio de Janeiro, está prestes a ganhar um novo status: o de patrimônio cultural brasileiro. Nesta terça-feira, o Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) se reúne em Brasília para analisar o tombamento definitivo do casarão que hoje abriga a Casa Firjan. Com mais de 1.100 metros quadrados, 30 cômodos e belíssimos jardins, o imóvel é um marco da arquitetura e da história industrial carioca.

O processo de reconhecimento reforça a importância do palacete para a memória urbana do Rio e o papel da Firjan na preservação desse espaço que une passado e futuro. Se aprovado, o tombamento vai garantir proteção legal em três níveis: federal, estadual e municipal.

Arquitetura e história: um retrato do Rio do início do século XX

Construído em 1906, com projeto original do arquiteto John Oberg, o Palacete Linneo de Paula Machado é um exemplo riquíssimo da arquitetura eclética daquela época. A superintendente regional do Iphan-RJ, Patrícia Corrêa, destaca que o imóvel não só revela o estilo arquitetônico da época, como também ajuda a entender a paisagem urbana de Botafogo e do Rio de Janeiro no início do século XX.

O casarão foi ampliado em 1910 por Armando Carlos da Silva Telles, que cuidou da decoração e da reconstrução da fachada lateral. Em 1925, o arquiteto francês Joseph Gire realizou uma reforma que adicionou um toque parisiense ao interior, incluindo o famoso “banheiro azul”, um destaque histórico e estético do palacete. A riqueza dos detalhes, como os azulejos originais do século XIX e os pisos preservados, chama atenção pela qualidade e conservação.

Além da arquitetura, o palacete tem forte ligação com a história industrial do país. Erguido por Eduardo Pallasim Guinle, patriarca da família Guinle e fundador da Companhia Docas de Santos, o imóvel foi palco de encontros importantes para o setor industrial e continua sendo um espaço de diálogo e inovação.

Casa Firjan: um espaço restaurado e adaptado para o presente

Transformado em 2018 na Casa Firjan, o palacete passou por uma restauração cuidadosa para se tornar um espaço multifuncional. Foram instalados elevadores, novos banheiros, sistemas modernos de segurança e climatização, sempre preservando os revestimentos originais. A adaptação respeitou o valor histórico, tornando a casa um local que une cultura, inovação e serviços para a comunidade.

O casarão abriga hoje uma série de ambientes culturais e de eventos. No térreo, a Sala Lucy e Luiz Carlos Barreto recebe projetos de cinema e exibições, enquanto as Salas Celina e Guilherme são destinadas a exposições temporárias. No segundo andar, a Sala Firjan apresenta uma exposição permanente sobre a história do imóvel e a Sala Sérgio Rodrigues destaca móveis icônicos do design brasileiro.

Essa transformação mostra como é possível preservar o patrimônio histórico sem abrir mão da funcionalidade e da modernidade, mantendo viva a importância do palacete para o Rio.

O que esperar da decisão do Iphan e o futuro do tombamento

O tombamento federal do Palacete Linneo de Paula Machado é o primeiro passo para garantir a proteção definitiva do imóvel. Atualmente, ele já conta com tombamento estadual, desde 2006, e municipal, desde 1987. Caso o Conselho Consultivo do Iphan aprove a medida, o palacete estará protegido em todas as esferas, o que reforça sua preservação contra intervenções que possam comprometer seu valor histórico e arquitetônico.

Patrícia Corrêa ressalta que, numa segunda etapa, será discutido o tombamento do mobiliário original do palacete, um conjunto que complementa a riqueza do imóvel. Já o anexo contemporâneo construído em 2018 para a Casa Firjan não será incluído no tombamento, preservando o foco no patrimônio histórico.

O Palacete Linneo de Paula Machado é mais que um casarão antigo; é um símbolo da história do Rio, da indústria brasileira e da cultura carioca. A expectativa é que o reconhecimento nacional fortaleça ainda mais essa ligação, garantindo que as futuras gerações possam conhecer e valorizar esse patrimônio único.

Assim, o Rio de Janeiro se prepara para celebrar uma conquista importante na proteção de sua memória e arquitetura, reafirmando o compromisso com a conservação do que é seu, enquanto segue de olho no futuro.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do Palacete Linneo de Paula Machado?

O palacete é um marco da arquitetura e história industrial do Rio de Janeiro, simbolizando a riqueza cultural da cidade.

Quando foi construído o Palacete Linneo?

O palacete foi construído em 1906 e ampliado em 1910, refletindo a arquitetura eclética da época.

O que é a Casa Firjan?

A Casa Firjan é um espaço multifuncional que abriga eventos culturais e exposições, adaptado a partir do Palacete Linneo.

Qual o status atual do tombamento do Palacete?

Atualmente, o palacete possui tombamento estadual e municipal, e aguarda a aprovação do tombamento federal pelo Iphan.

O que será discutido na segunda etapa do tombamento?

Na segunda etapa, será discutido o tombamento do mobiliário original do palacete, que complementa seu valor histórico.

Lucas Tavares

Lucas Tavares

Lucas Tavares é colunista do Futebol na Web e escreve com a emoção de quem cresceu entre arquibancadas e transmissões no rádio. Especialista em comentar o que acontece dentro e fora das quatro linhas, ele une paixão, informação e um toque de humor em cada texto.