OMS questiona decisão dos EUA de liberar passageiros de cruzeiro com hantavírus sem quarentena
OMS questiona a decisão dos EUA de liberar passageiros do cruzeiro MV Hondius sem quarentena, alertando sobre riscos envolvidos.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, levantou críticas nesta semana sobre a postura dos Estados Unidos em relação à evacuação dos passageiros do cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus. Enquanto os americanos foram liberados sem quarentena obrigatória, a entidade alertou para os riscos envolvidos na medida, que tem gerado debates no cenário internacional.
O MV Hondius, que estava em Tenerife, nas Ilhas Canárias, passou por uma operação de repatriação coordenada por diversos países após relatos de contaminação pelo hantavírus. A decisão dos EUA em não impor isolamento automático aos seus 17 cidadãos a bordo do navio surpreendeu especialistas e autoridades de saúde.
Polêmica nos EUA: CDC mantém avaliação clínica para quarentena
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) anunciaram que não aplicarão quarentena obrigatória para todos os americanos evacuados do MV Hondius. Segundo Jay Bhattacharya, diretor interino dos CDC, o hantavírus “não é Covid” e, por isso, cada caso será avaliado individualmente antes de qualquer decisão.
Os passageiros americanos foram encaminhados a um centro especializado no estado de Nebraska, onde passarão por exames clínicos e epidemiológicos. A medida visa definir a necessidade de isolamento com base na condição de saúde de cada um, evitando assim um protocolo rígido para todos.
Evacuação internacional: operação em Tenerife ocorre sem maiores incidentes
A operação de repatriação ocorreu em dois dias, com a retirada de 94 passageiros de 19 nacionalidades no primeiro dia, conforme informou a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García. O desembarque aconteceu no porto de Granadilla de Abona, em Tenerife, ponto estratégico para a logística dos voos de retorno.
Os passageiros restantes embarcaram nos últimos voos de repatriação, que levaram grupos australianos e holandeses de volta aos seus países. O cruzeiro MV Hondius ficou com cerca de 30 tripulantes, e sua viagem de retorno para os Países Baixos foi iniciada após o desembarque.
Casos suspeitos e quarentena na Europa
Um dos passageiros franceses apresentou sintomas que preocupam as autoridades, conforme informou o primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu. O paciente está sob monitoramento rigoroso, assim como os demais que tiveram contato próximo com ele.
Na Inglaterra, 22 britânicos desembarcaram em Manchester e foram encaminhados para quarentena por até 72 horas em uma instalação próxima a Liverpool. Essa medida preventiva reforça a cautela adotada por alguns países diante da ameaça do hantavírus.
O surto no MV Hondius reacende a discussão sobre protocolos sanitários em casos de doenças menos comuns, como o hantavírus, e mostra como diferentes países têm adotado posturas variadas diante do mesmo desafio.
Enquanto a OMS reforça a importância da precaução para evitar a disseminação do vírus, a decisão dos EUA evidencia uma abordagem mais flexível, que pode gerar debates futuros sobre a melhor forma de lidar com emergências sanitárias envolvendo passageiros em trânsito.
Perguntas Frequentes
O que é hantavírus?
O hantavírus é um vírus transmitido por roedores, que pode causar doenças respiratórias graves em humanos.
Por que a OMS criticou a decisão dos EUA?
A OMS criticou a decisão por considerar que a liberação dos passageiros sem quarentena aumenta os riscos de contaminação.
Como os passageiros do cruzeiro foram repatriados?
Os passageiros foram evacuados em uma operação coordenada, desembarcando em Tenerife e retornando para seus países de origem.
Qual foi a abordagem dos CDC em relação à quarentena?
Os CDC decidiram não impor quarentena obrigatória, avaliando cada caso individualmente antes de determinar a necessidade de isolamento.
Quais são as medidas de precaução adotadas na Europa?
Na Europa, alguns passageiros estão sendo monitorados e, em certos casos, encaminhados para quarentena preventiva.