Surto de hantavírus em cruzeiro mobiliza operação internacional de evacuação
O surto de hantavírus no cruzeiro MV Hondius destaca a necessidade de monitoramento internacional e cooperação em saúde.
Um segundo avião medicalizado pousou em Amsterdã nesta quinta-feira trazendo um passageiro doente retirado do cruzeiro MV Hondius, que está no centro de uma crise sanitária após a confirmação de casos de hantavírus a bordo. A operação internacional para evacuação dos pacientes já mobilizou autoridades de saúde e equipes médicas, enquanto o mundo acompanha atento a evolução da situação.
O passageiro foi retirado com urgência do navio fundeado próximo a Cabo Verde e chegou ao aeroporto de Schiphol no início da manhã, reforçando a preocupação global diante da detecção da variante Andes do hantavírus, conhecida pela rara capacidade de transmissão de pessoa para pessoa.
Pacientes evacuados e monitoramento internacional
A chegada do segundo paciente em Amsterdã acontece após outros dois terem desembarcado no aeroporto local no fim da noite anterior. De acordo com Ann Lindstrand, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Cabo Verde, os três pacientes retirados do MV Hondius estão estáveis, com pelo menos um deles assintomático.
“Uma das três está assintomática”, declarou Lindstrand, acalmando os temores sobre a gravidade do surto.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou que o risco de disseminação global permanece baixo, embora o monitoramento continue intenso. A situação está sendo acompanhada de perto por autoridades sanitárias, que descartam um cenário semelhante ao da pandemia de covid-19.
Variante Andes e risco de transmissão entre pessoas
O surto ganhou contornos preocupantes após a confirmação de que a cepa detectada é a variante Andes do hantavírus, uma forma rara que pode ser transmitida entre pessoas em contato muito próximo. O ministro da Saúde da África do Sul, Aaron Motsoaledi, confirmou a presença dessa variante em um dos pacientes relacionados ao cruzeiro.
A Suíça também confirmou um caso positivo da mesma variante em um passageiro hospitalizado em Zurique, elevando para três o número de infecções confirmadas ligadas ao MV Hondius, incluindo um paciente que faleceu e outro em estado grave em Joanesburgo.
Motsoaledi destacou que a transmissão entre humanos é incomum e ocorre somente em situações de contato muito próximo, o que ajuda a conter o avanço do vírus.
Operação de resgate e situação a bordo do MV Hondius
Desde o início do surto, duas pessoas doentes e um contato próximo foram evacuados do navio no último dia 29 de abril, em uma operação que contou com o uso de uma lancha ambulância e equipes equipadas com trajes de proteção.
O MV Hondius partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, e permanece ancorado próximo à costa de Cabo Verde desde domingo. No momento em que o surto foi identificado, estavam a bordo 88 passageiros e 59 tripulantes, de 23 nacionalidades diferentes.
A ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, anunciou que o navio deve atracar em Tenerife, nas Ilhas Canárias, nos próximos dias, mesmo diante da resistência do governo regional. Os estrangeiros a bordo, exceto os casos mais graves, serão transportados para seus países de origem. Os 14 espanhóis permanecem em quarentena antes de seguirem para Madri.
Outra preocupação grave surgiu após a morte de uma passageira holandesa na África do Sul, que havia deixado o navio após o falecimento do marido e viajou com sintomas em um voo comercial. As autoridades estão tentando localizar os demais passageiros e tripulantes desse voo para monitoramento.
Desafios no combate ao hantavírus
Até o momento, não existem vacinas ou tratamentos específicos para o hantavírus. A doença manifesta sintomas iniciais como febre, fadiga, dores musculares e náuseas, podendo evoluir para quadros graves com insuficiência respiratória e necessidade de suporte intensivo.
A OMS trabalha com a hipótese de que o período de incubação da variante Andes pode chegar a oito semanas, o que reforça a possibilidade de contágio antes do embarque no navio. Isso aumenta a complexidade do rastreamento e controle do surto.
Enquanto isso, as autoridades seguem empenhadas em conter a disseminação e garantir que a evacuação dos doentes seja feita com segurança, mantendo a atenção redobrada para evitar que o surto se torne um problema de saúde pública maior.
O caso do MV Hondius mostra como emergências sanitárias podem surgir em ambientes inesperados e destaca a importância da cooperação internacional para lidar com ameaças à saúde global.
Perguntas Frequentes
O que é hantavírus?
O hantavírus é um vírus que pode causar doenças respiratórias graves e é transmitido principalmente por roedores.
Qual é a variante do hantavírus detectada no cruzeiro?
A variante detectada no cruzeiro MV Hondius é a variante Andes, conhecida pela rara transmissão entre pessoas.
Quais são os sintomas do hantavírus?
Os sintomas iniciais incluem febre, fadiga, dores musculares e náuseas, podendo evoluir para insuficiência respiratória.
Como está a saúde dos pacientes evacuados do MV Hondius?
Os três pacientes evacuados estão estáveis, com pelo menos um deles assintomático, segundo a OMS.
Quais medidas estão sendo tomadas para conter o surto?
As autoridades estão monitorando os contatos próximos e realizando evacuações seguras dos doentes do navio.