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Flamengo sob Leonardo Jardim: mudanças no estilo e números que surpreendem em 2026

Leonardo Jardim trouxe um estilo reativo ao Flamengo, mudando a dinâmica de jogo e mantendo a eficiência da equipe.

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Flamengo sob Leonardo Jardim: mudanças no estilo e números que surpreendem em 2026

Desde que Leonardo Jardim assumiu o comando do Flamengo há dois meses, o time carioca vem exibindo um futebol com características bem distintas do que se via na gestão de Filipe Luís. O treinador português trouxe uma postura mais reativa, apostando no contra-ataque e em uma marcação diferente da pressão alta que marcou o período anterior. Apesar dessas alterações táticas, os números indicam que a eficiência da equipe segue em níveis semelhantes, o que gera debates sobre qual modelo é mais eficaz para o Rubro-Negro.

Quer entender como as mudanças de Jardim impactaram o Flamengo dentro das quatro linhas? Acompanhe a análise detalhada que preparamos e descubra como o estilo do time evoluiu e quais são os resultados práticos dessas transformações.

Transformação no estilo de jogo: do domínio da posse à espera estratégica

Filipe Luís deixou sua marca no Flamengo ao priorizar o domínio da posse de bola e a pressão constante no campo adversário. Na última edição do Campeonato Brasileiro, o Rubro-Negro foi o time que mais controlou a bola, com incríveis 62,1% do tempo com a posse, superando de longe o Corinthians, que aparecia em segundo lugar com 55,7%. Sob sua batuta, a equipe buscava recuperar a bola rapidamente no último terço do campo, com uma média de 5,7 recuperações por jogo nessa região.

Com Leonardo Jardim, o cenário mudou significativamente. Após 14 rodadas do Brasileirão 2026, o Flamengo ocupa a sétima colocação no ranking de posse de bola, com uma média de 53,1%. Se levarmos em conta os primeiros dois jogos, ainda sob comando de Filipe Luís, onde a posse foi de 65% e 56%, o número cai para cerca de 52% de posse sob o comando do português. Além disso, a média de recuperações no último terço caiu para 3,1 por jogo, uma redução de mais de 50% em relação ao período anterior.

Essa mudança reflete uma postura mais reativa adotada por Jardim, que prefere aguardar o adversário em seu campo para explorar os contra-ataques. O Flamengo, que antes ditava o ritmo com a bola, agora busca ser mais cirúrgico e eficiente nos momentos de ataque.

Eficiência ofensiva e defensiva: números que surpreendem

Apesar do estilo menos dominante em posse, a eficiência ofensiva do Flamengo segue bastante parecida entre os dois treinadores. Em 2025, com Filipe Luís, o time liderava o Campeonato Brasileiro em finalizações, com uma média de 15,4 chutes por jogo. Em 2026, o Flamengo está na sétima colocação, com 13,6 finalizações por partida. Considerando todas as competições, a média cai de 15,2 para 14,6 finalizações por jogo com Jardim.

Quando analisamos os gols esperados (xG) e as grandes chances criadas, os números são quase idênticos: 1,68 xG com Filipe Luís contra 1,71 com Jardim, e 2,9 grandes chances criadas por jogo contra 2,8, respectivamente. Curiosamente, o time do português apresenta uma média ligeiramente superior em gols marcados, 2,1 contra 1,8 da gestão anterior.

Na defesa, o Flamengo sob Jardim sofre mais finalizações adversárias, 12,7 por jogo, contra 9,5 quando Filipe Luís estava no comando. Mesmo assim, o número de grandes chances cedidas diminuiu, de 1,4 para 1,1, e a média de gols sofridos se mantém praticamente igual, com 0,7 gols contra 0,8.

Experiência prévia de Jardim no Cruzeiro e seus reflexos no Flamengo

O estilo mais reativo de Leonardo Jardim não é novidade. No Cruzeiro, em 2025, a equipe ficou apenas na 14ª posição em posse de bola no Brasileirão, com 47,7%. Apesar disso, o desempenho foi sólido, terminando a competição em terceiro lugar com 70 pontos.

O time celeste apresentava dificuldades em propor o jogo, principalmente contra equipes fechadas, o que resultou em tropeços contra Ceará, Santos, Vasco e empate com o Juventude. Na Sul-Americana, a campanha decepcionou, incluindo derrota em casa para o Mushuc Runa. Na Copa do Brasil, o Cruzeiro foi eliminado pelo Corinthians, mesmo tendo 63% de posse na partida.

Os números mostram que o Cruzeiro de Jardim tinha aproveitamento muito maior quando jogava com menos posse, vencendo 75% dos jogos em que teve 53% ou menos da posse da bola. Já quando dominava o jogo, o rendimento caía para apenas 35%. Essa característica do treinador parece se repetir no Flamengo, com uma equipe que se adapta melhor ao contra-ataque e à espera do adversário.

O desafio para Jardim no Flamengo é encontrar o equilíbrio ideal entre o controle da bola e a eficiência defensiva, mantendo o time competitivo nas principais competições do calendário.

Leonardo Jardim segue ajustando o time, buscando a melhor forma de extrair o máximo dos jogadores e garantir que o Flamengo mantenha sua tradição de protagonismo, mesmo que com um estilo diferente daquele que os torcedores estavam acostumados. O futuro próximo será decisivo para confirmar se essa aposta na reação e no contra-ataque vai trazer os títulos tão desejados.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais mudanças no estilo de jogo do Flamengo sob Leonardo Jardim?

O Flamengo adotou uma postura mais reativa, focando em contra-ataques ao invés do domínio da posse de bola.

Como a posse de bola do Flamengo mudou com Jardim?

A posse de bola caiu de 62,1% sob Filipe Luís para 53,1% com Jardim, refletindo uma mudança na estratégia de jogo.

O Flamengo continua eficiente em finalizações com Leonardo Jardim?

Sim, a eficiência em finalizações se manteve semelhante, com uma média de 14,6 chutes por jogo sob Jardim.

Qual é a média de gols sofridos pelo Flamengo sob a gestão de Jardim?

A média de gols sofridos se manteve quase igual, com 0,7 gols por jogo sob Jardim em comparação a 0,8 com Filipe Luís.

Qual foi a experiência anterior de Jardim antes de treinar o Flamengo?

Leonardo Jardim teve uma passagem pelo Cruzeiro, onde implementou um estilo reativo e obteve bons resultados com menos posse de bola.

Lucas Tavares

Lucas Tavares

Lucas Tavares é colunista do Futebol na Web e escreve com a emoção de quem cresceu entre arquibancadas e transmissões no rádio. Especialista em comentar o que acontece dentro e fora das quatro linhas, ele une paixão, informação e um toque de humor em cada texto.