Grêmio encerra 2025 com dívida recorde de R$ 935 milhões e desafios à vista
O Grêmio revelou um cenário financeiro preocupante ao encerrar o ano de 2025 com uma dívida total de R$ 935,6 milhões, conforme auditoria feita pela Baker Tilly Brasil. O levantamento foi apresentado na última terça-feira (24), durante reunião do Conselho Deliberativo na Arena do clube, mostrando um passivo que desafia a gestão a buscar soluções imediatas para equilibrar as contas.
Se você acompanha de perto o futebol brasileiro, sabe que a saúde financeira dos clubes é peça-chave para o sucesso dentro e fora de campo. Por isso, vale a pena entender os números e o que eles representam para o futuro do Grêmio. Confira a seguir um panorama detalhado da situação e os próximos passos que o clube deverá tomar.
Detalhes do endividamento: curto e longo prazo preocupam
O passivo total do Grêmio está dividido entre obrigações a curto prazo, que somam R$ 516,4 milhões e precisam ser pagas em 2026, e dívidas de longo prazo, que chegam a R$ 419,1 milhões, com vencimento previsto para depois de 2027. É importante destacar que o passivo circulante não corresponde apenas a dívidas vencidas, mas também a compromissos assumidos para os próximos 12 meses.
Entre os principais itens que compõem essa dívida, destacam-se:
- Fornecedores: R$ 37 milhões (curto prazo)
- Instituições financeiras: R$ 80 milhões (sendo R$ 37,1 milhões a curto prazo)
- Obrigações fiscais e sociais: R$ 186,2 milhões, incluindo parcelamentos e valores correntes
- Contas a pagar por compra ou empréstimo de atletas: R$ 124,2 milhões, com R$ 113,7 milhões vencendo em 2026
- Empréstimos com empresários: R$ 169,2 milhões (R$ 57 milhões a curto prazo)
- Participações e comissões a empresários: R$ 54,6 milhões (R$ 45,8 milhões a curto prazo)
- Provisão para contingências judiciais: R$ 61,8 milhões
Além desses, o clube também possui compromissos com direitos de imagem, acordos contratuais e antecipações vinculadas a receitas futuras, como direitos de TV e quadro social. Esses valores ajudam a compor o passivo, já que representam recursos que o Grêmio deixou de receber antecipadamente.
Crise financeira e o desafio para 2026
Joel Junior Machado Corrêa, presidente da Comissão para Assuntos Econômico-Financeiros do Grêmio, avaliou o quadro atual como desafiador. Segundo ele, o passivo de curto prazo praticamente iguala a previsão de receitas para o próximo ano, o que obriga o clube a buscar novas fontes de renda e renegociar dívidas.
“O volume do nosso passivo de curto prazo é quase igual à previsão de receitas no orçamento de 2026. Isso vai demandar busca por novas receitas, reperfilamento da dívida e, principalmente, o cumprimento das metas orçamentárias, como a venda de atletas para manter o equilíbrio financeiro em um ano difícil”, revelou Joel.
O cenário exige ainda um controle rígido das finanças e a implementação de estratégias eficazes para evitar que a situação se agrave. A venda de jogadores e o alongamento dos prazos de pagamento serão fundamentais para garantir a sustentabilidade do clube.
Evolução da dívida e aprovação das contas de 2025
O relatório da Baker Tilly também mostrou uma evolução preocupante no endividamento do Grêmio. Em 2023, o passivo total era de R$ 640 milhões, saltando para R$ 795 milhões em 2024 e chegando ao patamar atual de R$ 935 milhões em 2025. Esse aumento de R$ 295 milhões representa uma alta de 46% em dois anos.
Apesar do quadro, as contas da gestão do presidente Alberto Guerra referentes a 2025 foram aprovadas pelos conselheiros, com um superávit registrado de R$ 35 milhões. Esse resultado positivo, no entanto, foi influenciado pela doação da gestão da Arena, avaliada em cerca de R$ 400 milhões, contabilizada de forma contábil, sem aporte direto em caixa.
Essa diferença entre números contábeis e fluxo de caixa real reforça a necessidade de cautela, já que o superávit não se traduz em dinheiro disponível para quitar dívidas imediatas.
Entender o que é o passivo ajuda a dimensionar a complexidade do desafio. Ele representa todas as obrigações financeiras do clube, incluindo dívidas com fornecedores, instituições financeiras, impostos, salários e compromissos com outros clubes. Controlar esse passivo é fundamental para a saúde financeira e a competitividade do Grêmio nos próximos anos.
Com a temporada de 2026 se aproximando, o Grêmio terá que mostrar que é possível equilibrar as contas sem abrir mão da força dentro de campo. A torcida, como sempre, estará atenta e na expectativa por um futuro mais estável.
Perguntas Frequentes
Qual é a dívida total do Grêmio em 2025?
A dívida total do Grêmio em 2025 é de R$ 935,6 milhões.
Quais são os principais componentes da dívida do Grêmio?
Os principais componentes incluem dívidas com fornecedores, instituições financeiras, obrigações fiscais e comissões a empresários.
Como o Grêmio pretende lidar com a dívida de curto prazo?
O Grêmio precisa buscar novas fontes de renda, reperfilamento da dívida e a venda de atletas para equilibrar as contas.
Qual foi a evolução da dívida do Grêmio nos últimos anos?
A dívida aumentou de R$ 640 milhões em 2023 para R$ 935 milhões em 2025, uma alta de 46% em dois anos.
O que representa o passivo do Grêmio?
O passivo representa todas as obrigações financeiras do clube, incluindo dívidas com fornecedores, impostos e salários.