Covid longa pode causar mais de 200 sintomas e impactar até quem teve infecção leve
A Covid longa pode causar mais de 200 sintomas, afetando até quem teve infecções leves, impactando a saúde mental.
Um estudo internacional recente, que contou com a participação da neurologista brasileira Clarissa Yasuda, da Unicamp, revelou que a Covid longa pode provocar uma variedade impressionante de sintomas, ultrapassando a marca de 200 manifestações diferentes. Surpreendentemente, muitos desses sintomas estão ligados ao cérebro e à saúde mental, afetando até pessoas que tiveram quadros leves ou assintomáticos durante a infecção pelo coronavírus.
Se você quer entender melhor como a Covid longa pode interferir na vida de quem já teve Covid-19, continue a leitura. Vamos detalhar as descobertas desse estudo e o impacto da condição no dia a dia de pacientes, além de apontar o que é possível fazer para se proteger.
Mais que fadiga: o impacto neurológico da Covid longa
A pesquisa publicada na revista Nature Reviews Disease Primers mostra que a Covid longa não se limita apenas a sintomas físicos clássicos, como fadiga e falta de ar. Ela também envolve uma série de problemas neuropsiquiátricos, que vão desde disfunções cognitivas até distúrbios do sono, depressão e perda de memória. Essas manifestações podem surgir mesmo em pessoas que tiveram a Covid-19 de forma leve ou sem sintomas aparentes.
Clarissa Yasuda, que é professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e única brasileira entre os 14 especialistas do estudo, destaca que esses sintomas afetam profundamente a qualidade de vida dos pacientes.
“Muita gente não conseguiu voltar a trabalhar com a mesma capacidade que tinha antes da infecção”,
explica a neurologista, ressaltando que a condição pode ser incapacitante para alguns.
Além disso, o estudo chama atenção para o impacto da Covid longa em crianças e adolescentes, apontando que a condição pode prejudicar o convívio social e o aprendizado, o que traz preocupações para o desenvolvimento das novas gerações.
História real: o professor que convive com a Covid longa desde 2020
O professor universitário Cláudio Romanelli é um exemplo vivo dos efeitos prolongados da Covid-19. Diagnosticado no início da pandemia, ele não apresentou sintomas respiratórios, mas logo começou a enfrentar problemas nos rins e no coração. Com o passar do tempo, surgiram dificuldades na pressão arterial e no sistema nervoso.
Até hoje, Cláudio faz tratamentos para distúrbios do sono e outras complicações neurológicas causadas pela Covid longa. Ele descreve sua rotina como um verdadeiro desafio:
“Tenho que viver recluso, como uma pessoa que está doente. Meu corpo nunca mais voltou ao normal.”
Avanços e desafios para entender e combater a Covid longa
Apesar dos avanços nas pesquisas, ainda não existe uma cura definitiva para a Covid longa. Clarissa Yasuda ressalta que diferentes mecanismos podem estar por trás dos sintomas, incluindo a ativação de vírus que permaneciam latentes no organismo, como herpes e Epstein-Barr, o que pode explicar a variedade e a complexidade dos sintomas neurológicos e psicológicos.
Por enquanto, a prevenção é o melhor caminho. A única forma comprovada de evitar a Covid longa é impedir a infecção pelo coronavírus. Por isso, especialistas reforçam a importância de manter a vacinação em dia, já que pessoas imunizadas têm menor risco de desenvolver a condição. Além disso, evitar reinfecções é fundamental, pois ainda não se sabe como múltiplas infecções podem afetar o corpo a longo prazo.
Ficar atento aos cuidados básicos e seguir as orientações dos órgãos de saúde continua sendo a melhor estratégia para evitar os efeitos duradouros da Covid-19 e preservar a qualidade de vida.
A Covid longa segue sendo um desafio para a medicina e para quem convive com seus sintomas todos os dias. A participação brasileira em estudos internacionais como este mostra que o país está na linha de frente para entender e enfrentar essa condição que ainda desperta muitas dúvidas.
Perguntas Frequentes
Quais são os principais sintomas da Covid longa?
Os sintomas da Covid longa incluem fadiga, disfunções cognitivas, distúrbios do sono, depressão e perda de memória.
A Covid longa pode afetar crianças e adolescentes?
Sim, a Covid longa pode impactar o convívio social e o aprendizado de crianças e adolescentes.
É possível prevenir a Covid longa?
A melhor forma de prevenir a Covid longa é evitar a infecção pelo coronavírus, mantendo a vacinação em dia.
Quem está mais suscetível à Covid longa?
Pessoas que tiveram Covid-19, mesmo de forma leve ou assintomática, podem desenvolver a Covid longa.
Quais são os desafios no tratamento da Covid longa?
Ainda não existe uma cura definitiva para a Covid longa, e os sintomas podem variar amplamente entre os pacientes.