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Por que o preço do chocolate segue alto mesmo com queda no valor do cacau?

Apesar da queda do cacau, o preço do chocolate continua alto devido a estratégias da indústria e planejamento de produção.

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Por que o preço do chocolate segue alto mesmo com queda no valor do cacau?

Quem adora chocolate já deve ter se perguntado: por que o preço nas prateleiras continua alto, mesmo com a forte queda no valor do cacau no mercado internacional? Após um período de alta histórica, o cacau viu seu preço despencar, mas a redução não chegou para o consumidor final. Vamos entender os motivos por trás dessa aparente contradição e o que esperar para os próximos meses no universo do chocolate.

Apesar da notícia animadora para quem compra cacau, o preço do chocolate ainda não reflete essa melhora. Acompanhe a análise detalhada para entender os bastidores dessa situação.

Alta e queda do cacau: um sobe e desce que não chegou ao consumidor

Em abril de 2024, o cacau atingiu um valor recorde de US$ 12 mil por tonelada, quase triplicando em relação ao período anterior. Desde então, o preço voltou para um patamar mais baixo, abaixo de US$ 4 mil. Essa oscilação intensa, no entanto, não se traduziu em redução imediata no preço do chocolate ao consumidor brasileiro.

Na Páscoa de 2025, por exemplo, o preço dos chocolates estava 24,9% maior do que no ano anterior, conforme dados do IPCA-15. Essa defasagem ocorre porque a indústria trabalha com um planejamento de produção que começa meses antes, e as variações do preço do cacau demoram para impactar o mercado varejista.

Produção e estratégias da indústria para driblar a alta do cacau

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), a produção brasileira de chocolates cresceu menos de 1% entre 2024 e 2025, chegando a 814 mil toneladas. Jaime Recena, presidente da Abicab, explica que a indústria adota estratégias para reduzir o impacto do aumento do custo do cacau, como a reformulação das receitas e a inserção de ingredientes alternativos, como biscoitos.

“Cada indústria buscou alternativas para não repassar totalmente o aumento. Muitas criaram receitas novas e introduziram outros elementos aos seus produtos”, afirma Recena.

Além disso, os fabricantes reduziram suas margens de lucro para evitar que o preço do chocolate disparasse na mesma proporção do cacau. Isso mostra que o consumidor não sente o impacto total das oscilações no preço da matéria-prima.

Menor compra de cacau e nova legislação influenciam mercado

Dados da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) revelam que as empresas moageiras, responsáveis por transformar as amêndoas em matéria-prima para chocolate, reduziram em 14,6% o volume processado em 2025. Essa retração mostra que a indústria está consumindo menos cacau, em parte devido aos altos preços recentes.

Ernesto Neugebauer, fundador da moageira Gencau Amazônia, no Pará, comenta que, diante da volatilidade dos preços, as indústrias passaram a usar matérias-primas alternativas. No entanto, ele alerta que mudar a formulação constantemente não é viável para as empresas.

Outra novidade para o setor é a aprovação de uma nova lei que estabelece um mínimo obrigatório de cacau nos chocolates e exige maior transparência nos rótulos. Essa medida pode impactar a forma como as indústrias produzem e comercializam seus produtos nos próximos anos.

O que esperar para o preço do chocolate nos próximos meses?

Especialistas do setor evitam fazer previsões concretas, já que o mercado do cacau continua marcado por muita especulação e instabilidade. Sócios da Nugali, uma tradicional indústria de chocolates em Santa Catarina, afirmam que a falta de previsibilidade é o maior desafio atualmente.

Tuta Aquino, vice-presidente da Associação Bean to Bar Brasil e membro da diretoria da Abicab, reforça que os desequilíbrios nos preços podem continuar por um tempo, consequência da alta abrupta em 2024. Por outro lado, Neugebauer demonstra otimismo moderado, acreditando que as oscilações devem se tornar menos intensas.

“Para o consumidor, o pior já passou, mas os preços subiram de elevador e vão descer de escada”, comenta Neugebauer.

Enquanto isso, a indústria segue adaptando suas estratégias para equilibrar custos e atender à demanda, e o consumidor deve ficar atento às mudanças no mercado e nas regulamentações que prometem trazer mais clareza sobre o que há dentro do chocolate.

O cenário mostra que, mesmo com a queda no preço do cacau, o caminho para o barateamento dos chocolates ainda é longo e envolve fatores que vão muito além do valor da matéria-prima.

Perguntas Frequentes

Por que o preço do chocolate não caiu com a redução do cacau?

O preço do chocolate não caiu porque a indústria tem um planejamento de produção que não reflete imediatamente as oscilações do cacau.

Como a indústria de chocolate está lidando com os altos preços do cacau?

A indústria está reformulando receitas e usando ingredientes alternativos para evitar repassar totalmente os custos ao consumidor.

Quais são as expectativas para o preço do chocolate no futuro?

As previsões são incertas, mas especialistas acreditam que os preços continuarão instáveis devido à volatilidade do mercado de cacau.

O que a nova legislação sobre chocolate implica?

A nova lei exige um mínimo de cacau nos chocolates e mais transparência nos rótulos, impactando a produção e comercialização.

Como a produção de chocolate no Brasil mudou recentemente?

A produção de chocolate no Brasil cresceu menos de 1% entre 2024 e 2025, refletindo a menor compra de cacau e novas estratégias da indústria.

Rafael Dias

Rafael Dias

Rafael Dias é jornalista esportivo e apaixonado por futebol desde criança. Escreve no blog Futebol na Web, onde comenta jogos, analisa táticas e compartilha curiosidades do mundo da bola com linguagem leve e acessível. Com olhar crítico e bom humor, atrai leitores que buscam informação com personalidade.