São Paulo prepara leilão de prédios históricos para transformar centro em polo residencial e de lazer
São Paulo planeja leilão de prédios históricos para revitalizar o centro, transformando-o em um polo de moradia e lazer.
Com a transferência das secretarias estaduais para um novo centro administrativo nos Campos Elíseos, o governo de São Paulo planeja colocar à venda diversos edifícios históricos localizados na região central da capital. Entre os imóveis que serão leiloados estão o icônico Hotel Esplanada, o Cine Marrocos e o Banco de São Paulo. A ideia é revitalizar essas construções por meio de reformas que preservem sua arquitetura original e transformá-las em espaços para moradia, lazer e hotelaria.
O projeto busca reverter o cenário atual do centro, que apesar de sua infraestrutura robusta, sofre com a escassez de moradores e o esvaziamento em horários fora do expediente comercial. Se você quer entender como essa iniciativa pode mudar a cara do coração paulistano, continue a leitura.
O plano de renovação do centro e o potencial dos imóveis históricos
Com a saída das secretarias estaduais do centro, o governo pretende vender ou repassar os antigos prédios públicos para a iniciativa privada. A proposta inclui a realização de retrofit, técnica que moderniza as estruturas sem comprometer o valor histórico e arquitetônico dos imóveis. O secretário estadual de Projetos Estratégicos, Guilherme Afif Domingos, destaca que o foco será dar prioridade à moradia, mas o uso misto com hotelaria e lazer também está no radar.
Segundo Afif, “o centro é um dos maiores hubs de mobilidade da cidade, com a maior rede metroferroviária do Estado”, o que favorece a criação de polos residenciais para reduzir o tempo de deslocamento da população. Ele lembra ainda que a região conta com ampla infraestrutura pública, o que é um diferencial para quem deseja morar e trabalhar ali.
Especialistas reforçam a importância de moradores para a revitalização
Para que o centro histórico realmente volte a pulsar, especialistas apontam que é fundamental que as novas ocupações sejam residenciais e contemplem diferentes perfis socioeconômicos. Marcelo Fonseca Ignatios, diretor do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-SP), ressalta que a presença de moradores atrai comércio e serviços que funcionam também nos contraturnos, evitando que a região fique vazia à noite e nos fins de semana.
A professora Viviane Manzione Rubio, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, lembra que a demanda por moradia no centro é antiga. Ela defende o reaproveitamento dos prédios para habitação de interesse social e mercado popular, garantindo diversidade e acessibilidade.
Detalhes sobre os imóveis e o cronograma da venda
O primeiro lote que deve ir a leilão ainda em 2026 inclui o Hotel Esplanada, o Cine Marrocos e um galpão vizinho. O Esplanada, conhecido como o “Copacabana Palace de São Paulo”, abriga atualmente as secretarias de Turismo e Agricultura e tem potencial para voltar a funcionar como hotel. O Cine Marrocos, fechado desde 2016 e atualmente sob posse da Prefeitura, deve ser transferido para o Estado como parte de um acordo.
Outro imóvel importante é o Banco de São Paulo, onde funciona a Secretaria de Esportes, que será transferida gradualmente para o novo centro administrativo. Já a segunda fase da venda contemplará edifícios como o Saldanha Marinho, sede da Segurança Pública, e os prédios Cidade 1 e 2, que abrigam órgãos como o Metrô e a CDHU. Esses imóveis têm potencial para moradia estudantil, hotelaria e escritórios.
Apesar das vendas, o governo garante que haverá diretrizes para preservar os bens tombados e garantir o uso misto, com foco em atividades que mantenham o centro ativo 24 horas por dia. A expectativa é que o anúncio oficial da venda dos imóveis aconteça junto com a assinatura do contrato das obras do novo centro administrativo, prevista para as próximas semanas.
Desafios e cuidados na destinação dos imóveis
Embora a iniciativa seja vista como uma oportunidade para revitalizar o centro, especialistas alertam para a necessidade de garantir que a destinação dos imóveis respeite o interesse público. Marcelo Ignatios destaca que a venda sem cláusulas que obriguem o uso social pode acabar agravando problemas urbanos, caso os imóveis sejam convertidos em espaços exclusivamente comerciais ou especulativos.
O governo entende que, por se tratar de venda e não concessão, vincular o uso dos imóveis pode gerar riscos jurídicos e afastar potenciais compradores. Ainda assim, Afif assegura que as orientações para preservar o patrimônio e estimular a ocupação mista estarão presentes nas negociações.
Com um investimento recorde em habitação, que já ultrapassou R$ 8 bilhões entre 2023 e 2025, o governo paulista aposta que essa estratégia vai ajudar a reduzir o déficit habitacional e trazer vida nova para o centro da capital. Resta agora acompanhar de perto como essa transformação vai impactar o cotidiano da cidade.
Perguntas Frequentes
Quais prédios históricos serão leiloados em São Paulo?
O leilão incluirá o Hotel Esplanada, o Cine Marrocos e o Banco de São Paulo, entre outros.
Qual é o objetivo do leilão dos prédios históricos?
O objetivo é revitalizar o centro de São Paulo, transformando-o em um polo residencial e de lazer.
Quando está previsto o primeiro leilão dos imóveis?
O primeiro lote de imóveis deve ir a leilão em 2026.
Como o governo planeja preservar a arquitetura dos prédios?
O governo pretende realizar reformas que preservem a arquitetura original dos imóveis.
Quais os benefícios de transformar o centro em uma área residencial?
A transformação pode atrair comércio e serviços, tornando a região mais viva e ativa durante todo o dia.