Relato exclusivo revela aliciamento de modelo brasileira para rede de Jeffrey Epstein em São Paulo
Uma jovem modelo brasileira revela como foi aliciada para a rede de exploração sexual de Jeffrey Epstein em São Paulo.
Uma mulher brasileira, que decidiu manter sua identidade em sigilo, conta em detalhes como foi aliciada para integrar a rede de exploração sexual ligada ao bilionário americano Jeffrey Epstein. O caso, que vem ganhando novas investigações no Brasil, expõe um esquema de tráfico de pessoas e abuso que ultrapassa fronteiras e envolve nomes e locais até então pouco conhecidos do grande público.
O depoimento, obtido com exclusividade, revela a trajetória da jovem desde o início de sua carreira como modelo até o momento em que percebeu que havia caído em uma armadilha montada por uma mulher que se aproveitava da sua vulnerabilidade para vendê-la a clientes poderosos, entre eles Epstein. A seguir, confira os principais detalhes desse relato impactante.
Da promessa de carreira à realidade cruel em São Paulo
Aos 16 anos, a jovem saiu do interior para tentar a sorte na moda, inicialmente no Sul do Brasil. Depois de um ano com poucas oportunidades, recebeu uma proposta que parecia ser a chance da virada: uma mulher, que ela chama de Lúcia, ofereceu um contrato em uma agência em São Paulo. Com o apoio dos pais, mudou-se para a capital paulista, onde moraria com outras garotas na casa dessa intermediária.
Logo ao chegar, Lúcia confiscou seus documentos sob o pretexto de tirar um passaporte e informou que ela teria uma dívida a saldar, referente à passagem aérea e a um book fotográfico. Pouco tempo depois, a jovem descobriu que não havia trabalho de modelo algum previsto. Na verdade, Lúcia era uma cafetina que a estava preparando para a prostituição.
“Quando percebi, ela estava me negociando para isso”, relata. Entre os clientes, estava o bilionário Jeffrey Epstein, que anos depois seria acusado de comandar uma vasta rede de abuso sexual envolvendo menores.
Encontros em hotéis de luxo e viagens internacionais
Segundo o depoimento, a jovem participou de um jantar e pelo menos uma festa em São Paulo com Epstein, além de ter viajado ao exterior para encontrá-lo. Para facilitar o visto americano, foi criado um emprego fictício em uma agência de modelos vinculada a Jean-Luc Brunel, agente francês próximo ao bilionário, que também é acusado de aliciar meninas para Epstein.
O passaporte da modelo contém um visto de negócios com a anotação da agência Karin Models New York, ligada a Brunel. A jovem nunca trabalhou efetivamente nessa agência, que funcionava como fachada para o esquema.
Em uma festa realizada em um prédio comercial na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, a jovem conheceu Ghislaine Maxwell, cúmplice de Epstein e condenada em 2022 por recrutar adolescentes para a rede. Na ocasião, Epstein a escolheu entre outras garotas para acompanhá-lo em uma viagem a Paris.
Relação ambígua e estratégias de controle
Durante cerca de quatro meses, a jovem manteve um contato constante com Epstein, que a tratava com uma atenção que ela descreve como “estranha”. Ele realizava “testes” com dinheiro escondido no quarto e chegou a pagar por aulas de inglês para ela. Apesar disso, houve apenas uma relação sexual consumada entre eles.
Em uma viagem a Paris, Epstein teria recusado o pedido de Brunel para ter relações com a jovem, afirmando que ela era “dele”. Isso reforçou o sentimento de proteção ambígua que ela sentia, ao mesmo tempo em que gerava medo.
Após retornar ao Brasil, a jovem conseguiu recuperar seus documentos e rompeu com Lúcia, que tentou ameaçá-la. Ela também decidiu encerrar o contato com Epstein, alegando o desejo de voltar para perto da família e estudar.
Implicações legais e investigação em curso
Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que o caso apresenta características claras de tráfico de pessoas para exploração sexual, um crime que não prescreve e pode levar à responsabilização dos envolvidos, mesmo anos depois dos fatos.
O Ministério Público Federal já abriu uma investigação para apurar se existia uma rede de aliciamento no Brasil ligada a Epstein. O trabalho busca identificar quem recrutava as vítimas e como funcionava o esquema, com base em relatos como o da jovem e em documentos oficiais dos Estados Unidos.
A procuradora Cinthia Gabriela Borges destaca a importância da participação das vítimas para o avanço das investigações e reforça que elas não são responsabilizadas pelos atos criminosos praticados contra elas.
Esse caso, que expõe uma faceta pouco conhecida do universo da moda e do poder em São Paulo, traz à tona a urgência de combater o tráfico de pessoas e proteger as vítimas de redes que se aproveitam da vulnerabilidade para perpetuar abusos.
O relato da jovem mostra a complexidade e o tamanho desse problema, e deixa claro que a busca por justiça ainda está longe do fim.
Perguntas Frequentes
Qual foi a trajetória da jovem modelo brasileira?
A jovem saiu do interior em busca de oportunidades na moda e foi aliciada por uma mulher que prometeu um contrato em São Paulo.
Quem era Lúcia no relato da modelo?
Lúcia era a intermediária que confiscou os documentos da jovem e a preparou para a prostituição, apresentando-se como uma cafetina.
Quais foram as experiências da jovem com Jeffrey Epstein?
Ela participou de jantares e festas com Epstein em São Paulo e viajou ao exterior, onde ele a tratava de forma ambígua, alternando entre atenção e controle.
O que as investigações do Ministério Público Federal buscam apurar?
As investigações visam descobrir se existia uma rede de aliciamento no Brasil ligada a Epstein e identificar os responsáveis por recrutar as vítimas.
Por que é importante o relato das vítimas nas investigações?
Os relatos das vítimas são cruciais para entender a dinâmica do tráfico de pessoas e ajudar na responsabilização dos envolvidos nos crimes.