Mulher filipina é resgatada de situação análoga à escravidão em casa de cônsul honorária em São Paulo
Mulher filipina foi resgatada em São Paulo após viver em condições análogas à escravidão por anos.
Uma mulher filipina foi resgatada pela polícia de uma residência de alto padrão na zona sul de São Paulo, onde trabalhava em condições que configuram trabalho análogo à escravidão. A empregada doméstica prestava serviços para a cônsul honorária do Brasil no Líbano, Siham Harati, e a denúncia motivou a abertura de uma investigação pelo Ministério Público do Trabalho.
O caso veio à tona no início de março, após a vítima buscar ajuda junto à Associação da Comunidade Filipina, que acionou o consulado das Filipinas no Brasil. A partir daí, a Secretaria de Justiça de São Paulo e a Polícia Militar foram envolvidas, culminando no resgate da mulher em 6 de março.
Rotina exaustiva e restrição de liberdade
Segundo o relato da trabalhadora à Polícia Federal, ela estava sob o comando da cônsul honorária desde 2014, inicialmente no Líbano, e desde janeiro de 2022 atuava na casa da patroa em São Paulo. A vítima afirmou que seus documentos pessoais estavam retidos pela empregadora desde o início do contrato e que não possuía conta bancária.
Ela explicou que trabalhava diariamente das 6h30 às 19h30, sem direito a férias, feriados ou descanso semanal, dividindo seu tempo entre duas residências no Líbano e outras duas no Brasil. A mulher revelou ainda que, nos últimos tempos, a situação piorou após outros funcionários pedirem demissão, alegando condições insustentáveis no local.
Além da carga horária exaustiva, a vítima contou que era constantemente vigiada por um motorista, que a acompanhava até para atender ao interfone. Também mencionou ameaças de morte caso denunciasse o tratamento recebido, fato que gerou grande apreensão sobre sua segurança.
Defesa da cônsul e andamento da investigação
Em contato com a polícia, Siham Harati apresentou passaporte diplomático e afirmou que a empregada a acompanhava em visitas à filha no Brasil. A defesa da cônsul declarou que as acusações são infundadas e destacou que nenhum problema foi formalmente apontado durante os 12 anos de contrato.
De acordo com a defesa, o vínculo empregatício foi firmado no Líbano, com salário mensal de US$ 550 (aproximadamente R$ 2.900), valor enviado diretamente à família da trabalhadora nas Filipinas. A transferência dos pagamentos continuou após a mudança para o Brasil, onde a empregada teria sido registrada e seus direitos trabalhistas respeitados desde 2022.
A defesa também afirmou que a retenção dos documentos foi feita a pedido da própria funcionária, para garantir a segurança dos papéis junto aos demais documentos da família. Negou qualquer restrição de locomoção ou comunicação da mulher com seus familiares e ressaltou que ela teve entrada e saída regular no Brasil, inclusive viajando sozinha para resolver pendências migratórias.
O Ministério Público do Trabalho confirmou a abertura de um procedimento investigativo no mesmo dia em que recebeu a denúncia, classificada como tráfico de pessoas para fins de trabalho análogo à escravidão. A investigação segue em andamento, e detalhes adicionais não foram divulgados.
Repercussão e posicionamento das autoridades
O Ministério das Relações Exteriores informou que está ciente do caso, ressaltando que cônsules honorários exercem funções limitadas, voluntárias e não possuem imunidade diplomática como agentes de carreira. O órgão destacou que o caso está sob responsabilidade das autoridades brasileiras competentes.
A Polícia Federal registrou a ocorrência, mas não forneceu informações adicionais até o momento. O caso segue sob investigação, com a promessa de apuração rigorosa para esclarecer os fatos e garantir os direitos da trabalhadora.
Essa situação evidencia a importância da fiscalização rigorosa em casos que envolvem trabalho doméstico e direitos humanos, além de reforçar o papel das entidades de apoio à comunidade estrangeira no Brasil. A história da mulher filipina resgatada chama atenção para a necessidade de combate contínuo a práticas abusivas no ambiente doméstico.
Perguntas Frequentes
Qual foi a situação da mulher filipina em São Paulo?
Ela foi resgatada de condições análogas à escravidão, trabalhando sem direitos e com documentos retidos.
Quem era a empregadora da mulher filipina?
A empregadora era Siham Harati, cônsul honorária do Brasil no Líbano.
Como a mulher conseguiu ajuda?
Ela buscou ajuda através da Associação da Comunidade Filipina, que acionou o consulado das Filipinas.
Qual foi a carga horária de trabalho da mulher?
Ela trabalhava diariamente das 6h30 às 19h30, sem direito a férias ou descanso semanal.
O que diz a defesa da cônsul sobre as acusações?
A defesa afirmou que as acusações são infundadas e que a retenção de documentos foi solicitada pela própria empregada.