Fluminense e a verdadeira essência do camisa 10: o que Zubeldía revela sobre o papel no futebol atual
O Fluminense vive um momento curioso quando o assunto é a camisa 10. O time conta com vários jogadores que, em suas trajetórias, já vestiram esse número tão simbólico e carregado de expectativas. Entre eles, nomes como Ganso, que atualmente é o dono da 10 no Tricolor, e Lucho Acosta, que tem sido o titular na função. Mas será que todos esses atletas desempenham o verdadeiro papel do camisa 10, aquele meia criador que dita o ritmo e arma as jogadas?
O treinador do Fluminense, Diego Zubeldía, trouxe à tona uma reflexão sobre isso, usando sua experiência na Argentina para comparar as funções e características dos jogadores que carregam esse número no Brasil e no exterior. O debate é interessante e mostra como o futebol evoluiu, principalmente na forma de interpretar a camisa 10.
O que significa ser um camisa 10 no Fluminense?
Dentro do elenco do Fluminense, Ganso é o atual dono da camisa 10, enquanto Lucho Acosta tem sido o jogador que mais corresponde à função clássica do meia armador. Para Zubeldía, esses dois são exemplos claros do que se espera de um camisa 10 tradicional: jogadores que criam, que organizam o meio-campo e que têm visão de jogo para conduzir a equipe.
Outros nomes que também já usaram a 10 em clubes diferentes, como Savarino no Botafogo e Soteldo no Santos, são vistos pelo treinador como jogadores com características distintas. Eles nem sempre exercem o papel de meia criador, muitas vezes atuando mais como pontas ou atacantes. Zubeldía destaca que a camisa 10 nem sempre representa o jogador que dita o jogo, e muitos atletas usam o número por tradição ou preferência pessoal, não por função.
“Eu acredito que tem jogadores que usam a camisa 10 e não são 10. São mais pontas do que 10. São jogadores mais atacantes do que meia clássica, como o Luciano no São Paulo, que é mais um atacante do que um camisa 10 tradicional”, explica o treinador.
Essa percepção revela que, no Brasil, há uma escassez real de meias com perfil clássico de criação, e muitos times acabam utilizando o número 10 para jogadores que atuam mais pelas pontas ou até como centroavantes, o que muda completamente a dinâmica da equipe.
Comparando com a Argentina: a origem do camisa 10
Para entender melhor a diferença, Zubeldía recorreu à sua experiência no futebol argentino, onde o camisa 10 tem uma conotação quase sagrada e tradicional. Ele cita exemplos como De Paul, Paredes, Mac Allister e, claro, Messi, que são jogadores que, em suas categorias de base, atuaram como 10, mas que hoje apresentam funções variadas no campo.
O treinador ressalta que, mesmo na Argentina, o número 10 não está restrito a um único estilo de jogo, mas a essência do camisa 10 argentino é diferente da brasileira. Enquanto no Brasil o número muitas vezes é usado por pontas ou atacantes, na Argentina o camisa 10 histórico é aquele que cria e organiza o jogo, mesmo que depois migre para outras posições.
Essa diferença cultural e tática explica por que há menos camisas 10 clássicos no futebol brasileiro hoje, e por que o papel do meia criador tem perdido espaço para atacantes e pontas velozes.
O que esperar do Fluminense e do futebol brasileiro em 2026?
Com essa visão, fica claro que o Fluminense aposta em Ganso e Acosta para manter viva a tradição do camisa 10, mas sabe que o futebol moderno exige versatilidade e adaptação. O time tricolor enfrenta o Botafogo no próximo domingo, às 20h30, pelo Campeonato Carioca, e a presença desses jogadores no meio-campo será fundamental para ditar o ritmo da partida.
No cenário mais amplo, o futebol brasileiro segue formando menos meias clássicos e cada vez mais pontas e atacantes, o que reflete na seleção e nas estratégias dos clubes. O desafio para treinadores como Zubeldía é encontrar o equilíbrio entre tradição e inovação, valorizando o camisa 10, mas sem perder a competitividade diante das novas demandas do jogo.
Com isso, o Fluminense mostra que entende a importância do camisa 10, mas também sabe que futebol é muito mais do que um número nas costas — é inteligência, função e adaptação ao que o time precisa dentro de campo.
Perguntas Frequentes
Qual é o papel do camisa 10 no Fluminense?
O camisa 10 no Fluminense deve ser um meia criador que organiza o jogo e dita o ritmo da equipe.
Quem são os atuais camisas 10 do Fluminense?
Ganso é o atual dono da camisa 10, enquanto Lucho Acosta tem desempenhado a função clássica de meia armador.
Como a função do camisa 10 no Brasil se compara à Argentina?
Na Argentina, o camisa 10 é tradicionalmente um criador de jogo, enquanto no Brasil, o número é frequentemente usado por atacantes ou pontas.
O que Zubeldía diz sobre a escassez de meias criadores no Brasil?
Zubeldía destaca que há uma falta de meias clássicos no Brasil, com muitos jogadores usando a camisa 10 por preferência pessoal.
Como o Fluminense pretende manter a tradição do camisa 10?
O Fluminense aposta em Ganso e Acosta para preservar a essência do camisa 10, enquanto se adapta às exigências do futebol moderno.