Chandelly quebra barreiras e é primeira atleta trans a disputar futsal feminino no Acre
Chandelly de Castro Pereira, de 27 anos, entrou para a história do esporte acreano ao se tornar a primeira atleta transexual autorizada a competir na categoria feminina do Campeonato Municipal de Futsal Feminino de Feijó. A liberação para sua participação veio após uma articulação da Federação Internacional do Desporto no Estado junto à Prefeitura local, garantindo o respeito à legislação vigente e aos direitos civis da jogadora.
O caso chama atenção não apenas pelo pioneirismo, mas também pelo respaldo jurídico que ampara a inclusão de Chandelly no futsal feminino. A atleta, que atua como pivô, agora integra a equipe municipal, participando ativamente dos treinamentos e amistosos. Saiba mais sobre os detalhes desse processo e o impacto dessa decisão no cenário esportivo do Acre.
Legalidade e respaldo jurídico garantem inclusão no futsal feminino
A Federação Internacional do Desporto no Acre emitiu parecer oficial recomendando a inscrição de Chandelly na competição feminina, após análise detalhada do caso. Rizomar Araújo, diretor da entidade, explicou que a atleta possui documentos oficiais atualizados, com registro de gênero feminino no Certidão de Nascimento e no Registro Geral (RG), fruto da retificação civil autorizada por lei.
Essa retificação está respaldada por decisões do Supremo Tribunal Federal, especialmente a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4275, além das mudanças na Lei de Registros Públicos (Lei nº 14.382/2022). Essas normas reconhecem a identidade de gênero como direito fundamental e garantem que, após a alteração do registro civil, a pessoa seja tratada conforme seu gênero reconhecido legalmente.
Respeito às normas e apoio institucional para garantir direitos
Segundo Rizomar Araújo, nenhum órgão público ou privado tem autoridade para questionar documentos oficiais emitidos pelo Estado. Ele reforçou que a Federação orientou o Grêmio de Feijó a inscrever Chandelly na categoria feminina, anexando os documentos que comprovam sua elegibilidade. A prefeitura de Feijó, junto com sua assessoria jurídica, apoiou integralmente o processo, assegurando que os direitos da atleta fossem respeitados com base na Constituição e nas leis federais.
Essa decisão reforça princípios fundamentais como a dignidade da pessoa humana e a não discriminação, abrindo caminho para que outras atletas trans possam competir com igualdade e reconhecimento em suas categorias.
Chandelly celebra conquista e inspira jovens transgêneros
Para Chandelly, a autorização representa muito mais do que a chance de jogar futsal oficialmente. Em suas palavras, a atleta agradeceu o apoio recebido e ressaltou a importância da luta pelos direitos das pessoas trans:
“Quero dizer a outros jovens, sejam homens ou mulheres transgênero, que não se entreguem, que lutem, pois se a Lei nos resguarda, acreditando, uma hora aparecem pessoas usadas por Deus para nos representar e nos deixar no lugar onde queremos estar e onde nos é de direito.”
Seu depoimento reforça a relevância de garantir espaços seguros e justos no esporte para todos, independentemente da identidade de gênero. A trajetória de Chandelly é um marco para o futsal feminino no Acre e um exemplo inspirador para o Brasil.
Com essa conquista, o futsal feminino de Feijó ganha não só uma atleta talentosa, mas também um símbolo de inclusão e respeito. O cenário esportivo local se mostra mais aberto e preparado para abraçar a diversidade, promovendo o esporte como ferramenta de transformação social.
Perguntas Frequentes
Quem é Chandelly de Castro Pereira?
Chandelly é a primeira atleta transexual a competir no futsal feminino no Acre, aos 27 anos.
Como foi possível a inclusão de Chandelly no futsal feminino?
A inclusão foi garantida pela Federação Internacional do Desporto no Acre, que respeitou a legislação vigente.
Quais documentos Chandelly possui para competir?
Chandelly possui documentos oficiais com registro de gênero feminino, conforme a retificação civil autorizada por lei.
Qual é a importância da decisão para o esporte no Acre?
A decisão abre caminho para a inclusão de outras atletas trans e promove respeito à diversidade no esporte.
O que Chandelly deseja transmitir a outros jovens trans?
Chandelly incentiva jovens trans a lutarem por seus direitos, destacando a importância de acreditar na luta por inclusão.