Projeto que proíbe patrocínio de apostas no futebol gera preocupação no setor
O debate sobre o futuro das apostas esportivas no Brasil ganhou novo capítulo com a tramitação de um projeto de lei que propõe a proibição total de publicidade, patrocínios e promoções relacionadas a jogos de azar online. A iniciativa, que está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aguardando a indicação do relator, tem causado apreensão entre as casas de apostas e clubes de futebol, que temem um impacto negativo significativo no mercado e nas finanças do esporte nacional.
Desde o início do mês, o projeto recebeu aprovação na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT), mas a discussão segue acirrada. A proposta, apresentada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), substitui o texto original do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) e visa estabelecer limites rigorosos para a atuação comercial das casas de apostas no país.
Impactos da proibição para o futebol e o mercado de apostas
O mercado de apostas esportivas no Brasil vive um momento de consolidação, especialmente após a regulamentação iniciada em 2025. Atualmente, 84 empresas operam legalmente, com 185 marcas autorizadas, e o setor já movimenta bilhões de reais. Em 2025, o mercado paralelo, não regulamentado, arrecadou cerca de R$ 18,1 bilhões, enquanto o governo deixou de arrecadar R$ 4,6 bilhões em impostos devido à informalidade.
As casas de apostas são grandes parceiras comerciais dos clubes da Série A do Brasileirão desde 2021, injetando mais de R$ 1 bilhão em patrocínios anuais. Hoje, 14 times contam com patrocínio de bets, sendo 13 deles com contratos master. Para muitos clubes, esses recursos são essenciais para manter o planejamento estratégico e a competitividade esportiva.
“Sem esses recursos, os clubes precisariam de um desempenho esportivo extraordinário apenas para manter a gestão”, avalia um especialista do setor.
Além dos clubes, as casas de apostas investem também em transmissões de futebol, federações, influenciadores e eventos culturais como o Carnaval. É comum ver estádios e competições com o nome de marcas de apostas, consolidando a presença do setor em diversas frentes do esporte e entretenimento.
Reação do setor e riscos da aprovação do projeto
Fontes ligadas às casas de apostas, incluindo empresários e advogados, afirmam que a aprovação da proibição pode fortalecer o mercado ilegal, que já representa quase metade do setor. Para eles, restringir a publicidade das empresas autorizadas dificulta a diferenciação frente aos sites clandestinos e compromete a eficácia da regulação vigente.
- O setor alerta para a necessidade de avaliar os impactos econômicos e sociais da medida;
- Defendem a manutenção da previsibilidade e segurança jurídica para o mercado;
- Temem que a proibição leve ao fechamento de empresas e à perda de empregos;
- Apontam que a redução do patrocínio pode prejudicar diretamente o futebol brasileiro.
Nos bastidores políticos, a expectativa é de que o projeto não avance com facilidade. Mesmo que seja aprovado no Senado, há sinais de que a Câmara dos Deputados, sob comando do presidente Hugo Motta, não deve colocar a proposta em votação.
O futuro das apostas e do futebol brasileiro
Enquanto o debate político se desenrola, o mercado de apostas segue ajustando seus investimentos. Após o período inicial de regulamentação, algumas empresas já reduziram o aporte financeiro, e o número de marcas autorizadas deve diminuir com o amadurecimento do setor. Apesar disso, grupos estrangeiros continuam a ser os maiores patrocinadores do futebol nacional, como a Betano, que mantém o maior contrato da história do país, com o Flamengo.
Executivos do setor reconhecem que o patrocínio de apostas ao futebol deve passar por um processo de ajuste, mas descartam uma saída completa do mercado. Para eles, o esporte é o principal foco do negócio, e a relação entre apostas e futebol deve se manter, ainda que com valores mais moderados.
O cenário atual evidencia um momento de transição para o futebol brasileiro e o segmento de apostas, que precisam encontrar um equilíbrio entre a regulamentação, a sustentabilidade econômica e a proteção dos consumidores. A decisão do Congresso sobre o projeto de lei será determinante para definir os rumos dessa relação nos próximos anos.
Fique atento às atualizações sobre essa pauta que pode mudar o cenário do futebol e das apostas no Brasil.
Perguntas Frequentes
Qual é o objetivo do projeto de lei proposto pela senadora Damares Alves?
O projeto visa proibir a publicidade, patrocínios e promoções de jogos de azar online no Brasil.
Quais são os impactos esperados da proibição para os clubes de futebol?
Os clubes temem que a proibição leve à perda de recursos financeiros essenciais para sua gestão e competitividade.
Como a proibição pode afetar o mercado de apostas ilegais?
Fontes do setor alertam que a proibição pode fortalecer o mercado ilegal, dificultando a diferenciação entre empresas autorizadas e clandestinas.
Qual é a expectativa política em relação à aprovação do projeto?
Há sinais de que a Câmara dos Deputados não deve colocar a proposta em votação, mesmo se aprovada no Senado.
Como o mercado de apostas está se ajustando após a regulamentação?
Algumas empresas já reduziram seus investimentos, mas grupos estrangeiros continuam a ser os principais patrocinadores do futebol nacional.