Fluminense

Calor Extremo no Morro da Babilônia: Como Moradores Enfrentam o Verão na Zona Sul do Rio

14. janeiro. 2026
4. Min. de leitura
Calor Extremo no Morro da Babilônia: Como Moradores Enfrentam o Verão na Zona Sul do Rio

No alto do Morro da Babilônia, na Zona Sul do Rio de Janeiro, o verão chega com força total e traz um desafio extra para os moradores: o calor sufocante dentro de casa. Aos 73 anos, a aposentada Maria Irene Rocha do Nascimento vive há mais de cinco décadas no local e relata as dificuldades para suportar as altas temperaturas, agravadas pela falta constante de água e energia elétrica.

Essa realidade, comum em comunidades populares, está sendo estudada de perto por uma pesquisa internacional que monitora o impacto do calor extremo dentro das residências, buscando entender como essas condições afetam a rotina das famílias e orientar políticas públicas para amenizar o problema.

Rotina difícil diante do calor e da falta de infraestrutura

Maria Irene descreve sua casa como uma verdadeira sauna durante o dia. “O sol bate o dia inteiro e só vai embora quando anoitece. Tem dia que prefiro ficar no quintal, porque o calor fica preso nas paredes”, conta. A residência simples, com pouca ventilação e apenas uma janela que quase não deixa o vento entrar, dificulta a circulação do ar. Mesmo com ventilador, o alívio é temporário e a conta de luz pesa no orçamento.

Além do calor, a aposentada enfrenta a falta de energia que, quando ocorre, derruba também o abastecimento de água, deixando a situação insuportável. “Sem luz, não tem água, não tem ventilação, não tem descanso. Quando isso acontece, durmo de roupa molhada na rede porque na cama fica muito quente”, revela. A água usada para banho vem de uma cisterna comunitária, o que exige ainda mais cuidado e economia.

Cozinhar é outro desafio. A cozinha de Maria Irene não tem janela, o que faz com que o ambiente fique ainda mais quente. “Quando vou fazer o feijão, deixo a panela no fogo e espero do lado de fora para não derreter de calor”, diz. Subir e descer as escadas do morro, sob o sol forte, também é exaustivo, e o primeiro alívio ao chegar em casa é ligar o ventilador.

Pesquisa internacional monitora o calor em residências populares do Rio

O Morro da Babilônia é uma das áreas onde uma pesquisa inovadora vem sendo realizada para mapear a pobreza de resfriamento, termo que se refere à dificuldade de acesso a meios para amenizar o calor. A iniciativa é uma parceria entre a ONG Revolusolar, a Universidade de Utrecht (Holanda), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e o Centro Universitário La Salle (Unilasalle), com financiamento da Organização Holandesa para a Pesquisa Científica (NWO).

Durante o estudo, sensores de temperatura foram instalados nas casas, e os moradores foram convidados a registrar em diários os efeitos do calor em seu dia a dia. A ideia é cruzar dados científicos com relatos reais para entender melhor o impacto do calor extremo em territórios populares e ajudar na formulação de políticas públicas que garantam conforto térmico e qualidade de vida.

O que esperar do verão no Rio e os desafios que permanecem

Apesar da previsão de queda nas temperaturas nos próximos dias, o calorão ainda deve marcar presença no Rio de Janeiro, com máximas que podem chegar a 39 graus. Para quem vive em áreas como o Morro da Babilônia, o problema é mais do que desconforto: é uma questão de saúde e sobrevivência.

O cenário evidencia a urgência de investimentos em infraestrutura e acesso a serviços básicos como energia e água, além da necessidade de soluções que ajudem a reduzir o impacto do calor dentro das casas. Enquanto isso, moradores como Maria Irene seguem adaptando suas rotinas para enfrentar o verão, carregando na memória as mudanças climáticas que transformaram o que antes era apenas um calor suportável em um verdadeiro sofrimento.

O estudo em andamento é uma luz para que, no futuro, políticas públicas possam trazer melhorias reais para essas comunidades, garantindo que o calor não seja mais um inimigo impossível de vencer dentro de casa.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais desafios enfrentados pelos moradores do Morro da Babilônia durante o verão?

Os moradores enfrentam calor intenso, falta de água e energia elétrica, além de dificuldades de ventilação em suas casas.

Como a pesquisa internacional está ajudando a entender o impacto do calor nas comunidades populares?

A pesquisa monitora a temperatura nas residências e coleta relatos dos moradores para formular políticas públicas que melhorem as condições de vida.

O que é 'pobreza de resfriamento' mencionada no texto?

Pobreza de resfriamento refere-se à dificuldade de acesso a meios que ajudem a amenizar o calor nas residências.

Como a falta de energia elétrica afeta a vida dos moradores?

A falta de energia elétrica compromete o abastecimento de água e a ventilação, tornando as condições de vida insuportáveis.

Quais soluções são necessárias para ajudar os moradores a enfrentar o calor?

Investimentos em infraestrutura, acesso a serviços básicos como água e energia, e soluções para melhorar o conforto térmico nas casas são essenciais.

Lucas Tavares

Lucas Tavares

Lucas Tavares é colunista do Futebol na Web e escreve com a emoção de quem cresceu entre arquibancadas e transmissões no rádio. Especialista em comentar o que acontece dentro e fora das quatro linhas, ele une paixão, informação e um toque de humor em cada texto.

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