Lula mantém carga tributária das SAFs em 6% e barra redução prevista
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu vetar os dispositivos que previam a diminuição da carga tributária para as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). Com a medida, as SAFs continuam pagando a alíquota de 6%, contrariando o que havia sido aprovado no Congresso Nacional. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, 14, dentro do veto parcial ao projeto que institui o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
Essa movimentação do governo gerou bastante repercussão no meio esportivo e político, já que o setor aguardava uma redução significativa nos impostos federais. Quer entender o que motivou o veto e quais as consequências para as SAFs? Continue a leitura para saber todos os detalhes dessa decisão.
Por que Lula vetou a redução da carga tributária para as SAFs?
O governo federal justificou o veto alegando contrariedade ao interesse público e apontando um vício de inconstitucionalidade no projeto. Segundo o Ministério da Fazenda, a redução da alíquota para 3% aumentaria os gastos da União de forma incompatível com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026. Ou seja, a diminuição do imposto traria um impacto negativo para as contas públicas, que o governo não poderia arcar.
O texto aprovado pelo Congresso pretendia reduzir a tributação combinada de tributos federais para as SAFs, que atualmente somam 6% (sendo 4% de impostos federais, 1% de Contribuição sobre Bens e Serviços – CBS – e 1% de Imposto sobre Bens e Serviços – IBS). Com o veto, essa alíquota permanece inalterada, mantendo a carga tributária em um patamar considerado mais elevado para o setor.
O que muda para as SAFs e o mercado do futebol?
Apesar do veto, é importante destacar que a carga tributária de 6% ainda é inferior à alíquota de 8,5% que constava na proposta original da Reforma Tributária para as sociedades do futebol. Ou seja, o setor não terá um aumento, mas tampouco a redução esperada.
Além disso, o presidente vetou trechos específicos relacionados a direitos desportivos, que poderiam beneficiar operações envolvendo atletas. Entre os pontos barrados estão:
- Regras sobre créditos de IBS e CBS em operações com direitos de atletas;
- Exclusão das receitas provenientes de transferências de atletas da base de cálculo do imposto por um período de cinco anos.
Essas medidas poderiam facilitar a movimentação financeira e reduzir a carga tributária em negociações de jogadores, mas, com o veto, as SAFs seguem sem esses benefícios. Isso pode impactar diretamente o mercado de transferências e a gestão financeira dos clubes que optaram pelo modelo de sociedade anônima.
Outros pontos vetados no projeto do IBS
Além das decisões relacionadas às SAFs, o presidente Lula também vetou outros dispositivos do projeto de lei complementar que criava o Comitê Gestor do IBS. Embora o foco do setor esportivo tenha sido a manutenção da alíquota atual, esses vetos abrangem temas variados, que ainda não tiveram seus impactos totalmente esclarecidos pela equipe econômica.
O Comitê Gestor do IBS é uma iniciativa para unificar e administrar a cobrança do imposto sobre bens e serviços, buscando simplificar o sistema tributário brasileiro. No entanto, a manutenção da alíquota para as SAFs indica que o governo ainda não está disposto a flexibilizar os impostos para clubes que adotam o modelo de sociedade anônima.
A expectativa agora é que o setor do futebol acompanhe os desdobramentos dessa decisão e avalie quais estratégias poderão ser adotadas para lidar com a carga tributária vigente, seja nas negociações de atletas ou na gestão financeira das SAFs.
Com a decisão presidencial, o tema da tributação das Sociedades Anônimas do Futebol segue em destaque, mostrando que o equilíbrio entre incentivos ao esporte e sustentabilidade fiscal ainda é um desafio para o governo e para os clubes.
Perguntas Frequentes
Qual foi a decisão de Lula em relação à carga tributária das SAFs?
Lula decidiu manter a carga tributária das SAFs em 6%, vetando a redução prevista.
Por que o governo vetou a redução da carga tributária?
O governo alegou contrariedade ao interesse público e um vício de inconstitucionalidade no projeto.
Quais são os impactos do veto para as SAFs?
O veto mantém a carga tributária em 6%, sem aumento, mas também sem a redução esperada pelo setor.
O que estava previsto na proposta aprovada pelo Congresso?
A proposta previa a redução da tributação combinada para 3%, mas foi vetada por Lula.
Quais outros pontos foram vetados além da carga tributária?
Lula também vetou trechos relacionados a direitos desportivos que poderiam beneficiar operações com atletas.