Consumo de alimentos em 2026: Copa, canetas emagrecedoras e apostas moldam o varejo
O ano de 2026 promete ser um desafio para o varejo de alimentos no Brasil, mesmo com a Copa do Mundo e a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais. O consumo deve continuar moderado, pressionado por fatores como crédito caro, inflação e mudanças no comportamento do consumidor. A combinação desses elementos traz um cenário incerto, mas que já começa a mostrar algumas tendências interessantes para o setor.
Quer entender como a Copa, as canetas emagrecedoras e as apostas esportivas podem influenciar o que está no carrinho do brasileiro? Continue a leitura e descubra os detalhes dessa transformação no mercado alimentício.
Comportamento do consumidor e efeitos da inflação no varejo
Em 2025, o brasileiro mudou a forma de comprar alimentos. Segundo a pesquisa Consumer Insights, da Worldpanel by Numerator, o consumidor passou a ir mais vezes ao supermercado, mas levando menos itens a cada visita e gastando menos por compra. Ao mesmo tempo, aumentou a variedade de categorias adquiridas, numa tentativa de equilibrar o orçamento familiar diante da inflação e do custo do crédito.
Para 2026, a expectativa é que o consumidor tenha mais renda disponível, principalmente por conta da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, que pode injetar cerca de R$ 30 bilhões no consumo. Ainda assim, Daniela Jakobovski, diretora de contas da consultoria, alerta que o dinheiro extra pode ser compensado por outros gastos, tornando o crescimento do consumo incerto.
Outro ponto crucial é a inflação dos alimentos. Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence, destaca que a alta esperada para 2026, de 4,6%, será maior que a de 2025, que foi de 1,4%. Isso pressiona o bolso do consumidor e pode limitar a expansão das compras no varejo alimentar, principalmente em um ano marcado por eleições, que costumam gerar volatilidade no câmbio e na economia.
Canetas emagrecedoras: um novo fator que muda o consumo alimentar
Um dos fenômenos mais recentes que impactam o consumo de alimentos no Brasil é o uso crescente das chamadas canetas emagrecedoras, como a semaglutida, princípio ativo do Ozempic. Essas medicações, que ajudam no controle de peso, têm alterado hábitos alimentares e, consequentemente, o perfil de compras dos consumidores.
Usuários como Sara Cascimiro, influenciadora de Maricá, e Flávio Henrique Cardozo, de Curitiba, relatam mudanças significativas em suas dietas: redução do consumo de industrializados, bebidas alcoólicas, doces e aumento da ingestão de alimentos frescos e proteínas. Esse comportamento tem impacto direto na demanda por produtos no supermercado.
“O consumo alimentar de um lar pode reduzir até 50% após o início do uso dessas canetas”, explica Daniela Jakobovski. A indústria farmacêutica e redes de farmácias se beneficiam do crescimento desse mercado, que pode chegar a US$ 9 bilhões até 2030, enquanto fabricantes de alimentos processados enfrentam desafios para se adaptar.
Rodrigo Gastim, analista do Itaú BBA, acredita que o varejo de supermercados vai ajustar seu mix de produtos para compensar as mudanças, focando mais em alimentos saudáveis e de maior valor agregado. No entanto, o impacto final ainda é uma incógnita, pois o setor precisa se reinventar para manter o equilíbrio.
Apostas esportivas e seu efeito no orçamento das famílias
Outro ponto que merece atenção é o crescimento dos gastos com apostas esportivas, especialmente entre as classes C, D e E. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) aponta que esse tipo de despesa já afeta o endividamento das famílias e desvia recursos que poderiam ser usados na compra de alimentos.
O volume investido em apostas saltou de R$ 426 milhões em dezembro de 2022 para cerca de R$ 3 bilhões em 2025. Com a Copa do Mundo se aproximando, as empresas do setor intensificam investimentos em marketing, o que tende a aumentar ainda mais esse gasto, podendo causar uma queda nas vendas do varejo alimentar.
Rikelme Felipe de Assis, jovem de São Bernardo do Campo que trabalha com apostas, admite que vai priorizar suas despesas com bets em detrimento de itens tradicionais da Copa, como cerveja e petiscos. Essa mudança de foco do consumidor pode impactar diretamente as vendas em supermercados e bares durante o Mundial.
Para o presidente da Associação dos Supermercados do Rio de Janeiro, Fábio Queiroz, apesar dessas mudanças, a Copa e as eleições ainda são momentos que estimulam o consumo, principalmente de bebidas e produtos para churrasco. A adaptação do varejo às novas demandas, com mais opções saudáveis e diversificadas, será fundamental para manter o setor aquecido.
Assim, o varejo de alimentos em 2026 vai enfrentar um cenário complexo, onde fatores econômicos, mudanças no comportamento do consumidor e tendências como o uso das canetas emagrecedoras e as apostas esportivas vão redesenhar o mercado. A Copa do Mundo pode ser uma oportunidade para aquecer as vendas, mas o equilíbrio entre renda, inflação e prioridades de consumo será o grande desafio para o setor.
Perguntas Frequentes
Como a Copa do Mundo afetará o consumo de alimentos em 2026?
A Copa pode estimular o consumo, especialmente de bebidas e produtos para churrasco, mas o impacto final depende de fatores econômicos.
Quais são as canetas emagrecedoras e como influenciam o consumo?
As canetas emagrecedoras, como a semaglutida, alteram hábitos alimentares, levando a uma redução no consumo de industrializados e aumento de alimentos frescos.
Qual é a previsão de inflação para alimentos em 2026?
A inflação dos alimentos deve ser de 4,6% em 2026, maior que a de 2025, impactando o poder de compra dos consumidores.
Como as apostas esportivas estão afetando o orçamento das famílias?
Os gastos com apostas esportivas estão crescendo e desviando recursos que poderiam ser usados na compra de alimentos, aumentando o endividamento familiar.
Qual o impacto das canetas emagrecedoras no mercado alimentício?
O uso de canetas emagrecedoras pode reduzir o consumo alimentar em até 50%, desafiando a indústria de alimentos processados a se adaptar.