Futebol feminino no Brasil: desafios e oportunidades rumo a 2026
O futebol feminino brasileiro vive um momento decisivo. A menos de dois anos da Copa do Mundo Feminina no país, o cenário apresenta avanços importantes, mas também obstáculos que precisam ser encarados com seriedade. O crescimento em audiência e visibilidade é inegável, mas a estrutura e o mercado ainda deixam a desejar. Vamos entender melhor como o Brasil pode se preparar para 2026 e o que está em jogo para o futuro dessa modalidade.
Se você quer entender os pontos fortes, os desafios e as metas para o futebol feminino no Brasil, continue a leitura. Este é um momento para refletir e agir com urgência, garantindo que o sucesso não seja apenas passageiro, mas sustentável.
O crescimento global e a realidade brasileira
Em nível mundial, o futebol feminino deixou de ser uma promessa para se consolidar como uma tendência sólida. Segundo um relatório recente da Nielsen, a modalidade pode entrar no top 5 dos esportes mais populares até 2030, com uma base de fãs que ultrapassará 800 milhões, um aumento de cerca de 38%. As principais ligas europeias, como a inglesa WSL, a francesa D1 Feminine, a espanhola Liga F e a alemã Bundesliga Frauen, registraram crescimento médio de 24% no público dos estádios na temporada 2023/2024.
Esse crescimento está diretamente ligado ao aumento da base de jogadoras: a França viu um aumento de 150% nas mulheres praticantes, enquanto a Espanha teve quase 95% de crescimento. Além disso, a ampliação da exposição, com transmissões globais de competições pela Uefa Women’s Champions League em plataformas como Disney+, contribui para a popularização do esporte em diferentes faixas etárias e públicos familiares.
No Brasil, o cenário é mais complexo. O Brasileirão Feminino Série A1 teve um aumento médio de 23% na audiência televisiva em 2025, alcançando cerca de 3,6 milhões de espectadores e crescendo 41% em relação ao ano anterior. Apesar desse salto, o mercado ainda é tímido na hora de investir, o que gera dúvidas sobre a visão das empresas em relação ao potencial da modalidade. O momento pede que marcas e gestores enxerguem o futebol feminino como uma oportunidade real e iminente.
Estrutura, desafios e decisões que impactam o futebol feminino
A estrutura do futebol feminino no Brasil ainda convive com problemas graves. O Flamengo, exemplo de clube com grande poder financeiro, já foi alvo de críticas por oferecer condições precárias às suas atletas, como banheiros sem água e academias improvisadas. Além disso, viagens desgastantes, como um trajeto de ônibus de oito horas para um jogo decisivo, mostram o descaso que ainda existe em algumas instituições.
Outro ponto preocupante é a relação do futebol feminino com o masculino. Rebaixamentos dos times homens, como os do Athletico Paranaense e do Fortaleza, resultaram no fim das equipes femininas desses clubes, mesmo diante de conquistas importantes. Isso evidencia a falta de autonomia e a visão equivocada de que o futebol feminino é um acessório, e não uma prioridade.
Organizacionalmente, o cenário também não é animador. Apenas cinco federações estaduais mantêm competições regulares nas categorias de base sub-15 ou inferiores, o que compromete a formação de talentos. Além disso, 24% dos jogos da primeira fase do Brasileirão Feminino foram realizados em dias úteis ou em horários que dificultam a presença do público, como manhã e tarde.
Outro dado que chama atenção é a alta taxa de jogos com portões fechados, como nos casos do Flamengo e Fluminense, que prejudicam a construção de uma relação sólida entre clubes e torcedores. Apesar disso, o relatório do futebol feminino brasileiro mostra uma leve melhora na taxa de ocupação dos estádios, que passou de 8,3% em 2024 para 9,9% em 2025.
Metas e caminhos para fortalecer o futebol feminino até 2026
Diante desse cenário, fica claro que 2026 precisa ser um ano de organização e planejamento estratégico. O futebol feminino não pode mais ficar à mercê de decisões desconectadas da realidade das atletas e torcedores. Algumas metas são fundamentais para garantir um futuro promissor:
- Melhorar o calendário, distribuindo os jogos em horários mais acessíveis e reduzindo partidas em dias úteis para aumentar a presença do público;
- Fortalecer as categorias de base, ampliando competições sub-15 e inferiores em mais estados para garantir sustentabilidade a longo prazo;
- Assegurar uma estrutura mínima para as equipes femininas, independente do desempenho dos times masculinos;
- Valorizar e reter talentos, criando condições para que jogar futebol no Brasil seja uma escolha viável e atraente, inclusive com políticas específicas;
- Usar a Copa do Brasil Feminina como um pilar para fortalecer o calendário e a narrativa do futebol feminino no país.
O momento é de alinhar discurso e prática para que o futebol feminino brasileiro possa, enfim, ocupar o espaço que merece. Com a Copa do Mundo de 2027 no horizonte, não há mais espaço para hesitações ou retrocessos. É hora de investir com visão, coragem e consistência, transformando o potencial em realidade.
Se 2027 será o grande palco, 2026 deve ser o ano do preparo, da estruturação e do compromisso real com o futebol feminino. Só assim o “feliz ano novo” poderá ser muito mais que um desejo, tornando-se uma conquista concreta para as atletas e para toda a modalidade.
Perguntas Frequentes
Quais são os principais desafios do futebol feminino no Brasil?
Os principais desafios incluem a falta de estrutura adequada, investimentos limitados e questões organizacionais que afetam a visibilidade e a audiência.
Como o crescimento do futebol feminino é medido globalmente?
O crescimento é medido pela audiência, aumento no número de jogadoras e popularidade em ligas e competições internacionais.
Qual é a situação do calendário de jogos do futebol feminino no Brasil?
O calendário ainda apresenta problemas, com jogos em horários e dias que dificultam a presença do público, comprometendo a audiência.
Por que a Copa do Brasil Feminina é importante?
A Copa do Brasil Feminina pode ser um pilar para fortalecer o calendário e a narrativa do futebol feminino no país, promovendo maior visibilidade.
O que pode ser feito para melhorar a formação de talentos no futebol feminino?
É necessário ampliar competições de base e garantir condições adequadas para a formação de jogadoras em diversas categorias.