Atlético-MG recorre contra decisão que favoreceu bloco Galo da Madrugada no uso da marca “Galo Folia”
Na véspera do Carnaval de 2026, o Atlético Mineiro voltou a movimentar os bastidores ao recorrer da decisão judicial que reconheceu o bloco pernambucano Galo da Madrugada como titular da marca “Galo Folia”. O clube mineiro, que possui o galo como símbolo e proteção marcária consolidada, questiona o uso da expressão pelo bloco, alegando risco de confusão e buscando limitar o uso da marca no segmento esportivo.
Apesar de respeitar a tradição cultural do bloco, reconhecido pelo Guinness Book como o maior bloco carnavalesco do mundo, o Atlético-MG insiste na exclusividade da marca para atividades ligadas ao futebol e ao entretenimento esportivo. A polêmica envolve aspectos jurídicos e culturais que têm movimentado tanto o cenário esportivo quanto o carnavalístico nacional.
Disputa pela marca: o que está em jogo entre Atlético-MG e Galo da Madrugada
A controvérsia gira em torno do registro da marca “Galo Folia” no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), que atualmente pertence ao Galo da Madrugada. O Atlético-MG entrou com recurso na Justiça Federal do Rio de Janeiro, alegando que a coexistência das marcas semelhantes pode causar confusão entre o público e patrocinadores, especialmente em atividades relacionadas ao esporte.
O clube mineiro não quer prejudicar as festas e atividades culturais do bloco, mas defende que o uso da marca seja restrito para evitar que o Galo da Madrugada amplie sua atuação para o ramo esportivo, o que, segundo a defesa do Atlético, causaria concorrência direta e conflitos de interesse. Os advogados do clube destacam que o bloco poderia, teoricamente, criar um time de futebol com o nome “Galo”, o que geraria uma disputa desleal.
Argumentos jurídicos e culturais que embasam a decisão
Na decisão da juíza Queia Jemma, da 9ª Vara Federal do Rio de Janeiro, ficou claro que os mercados atendidos pelos dois “Galos” são distintos. A sentença afirma que o consumidor de eventos esportivos não confunde ou substitui esses serviços pelos eventos culturais promovidos pelo bloco. Além disso, a Justiça ressaltou que o galo é um símbolo genérico e presente em diversos contextos culturais e comerciais, não podendo ser monopolizado por uma única entidade.
O Galo da Madrugada, por sua vez, possui uma série de registros no INPI com o termo “Galo”, como “Apoteose do Galo” e “Polo do Galo”, reforçando sua atuação consolidada no segmento carnavalesco. O advogado do bloco, Gustavo Escobar, destacou que a coexistência das marcas não gera risco de confusão, pois atuam em nichos diferentes, e que o recurso do Atlético apenas estende uma disputa já resolvida.
Posicionamento do Atlético-MG e próximos passos na disputa
O Atlético-MG deixou claro que a ação judicial tem o objetivo exclusivo de anular o registro da marca “Galo Folia” para atividades esportivas, onde o clube já possui mais de 300 registros relacionados ao termo “Galo”. Em nota, o clube reforça o respeito às manifestações culturais ligadas ao Carnaval e à importância do Galo da Madrugada para a cultura brasileira.
O clube também destaca seu compromisso com a proteção responsável das marcas no âmbito esportivo, mantendo vigilância constante para evitar que registros conflitem com sua identidade. Com o recurso em andamento, o Atlético-MG busca garantir que sua marca seja preservada no segmento esportivo, sem interferir nas tradições culturais do bloco pernambucano.
Enquanto a disputa jurídica segue, o Atlético-MG já foca nos próximos desafios dentro das competições nacionais, mostrando que, dentro de campo, o “Galo” continua forte e determinado a conquistar títulos importantes para seus torcedores.
O desenrolar dessa história promete movimentar ainda mais as relações entre esporte e cultura popular, refletindo a complexidade de proteger marcas em um país onde símbolos carregam múltiplas identidades e significados.
Perguntas Frequentes
Qual é a origem da disputa entre Atlético-MG e Galo da Madrugada?
A disputa surgiu devido ao registro da marca 'Galo Folia' pelo bloco Galo da Madrugada, que o Atlético-MG questiona judicialmente.
Quais são os argumentos do Atlético-MG na disputa?
O Atlético-MG argumenta que a coexistência das marcas pode causar confusão entre o público e patrocinadores no segmento esportivo.
O que a Justiça decidiu sobre a disputa até agora?
A Justiça decidiu que os serviços prestados pelos dois 'Galos' são distintos e não geram confusão entre os consumidores.
Qual é a posição do Galo da Madrugada na disputa?
O Galo da Madrugada defende que a coexistência das marcas é viável, pois atuam em nichos diferentes do mercado.
Como o Atlético-MG pretende proteger sua marca?
O Atlético-MG busca anular o registro da marca 'Galo Folia' para atividades esportivas, mantendo vigilância sobre suas marcas registradas.