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Domínio brasileiro na Libertadores gera debate acalorado na Fifa sobre o futuro do futebol sul-americano

27. fevereiro. 2026
4. Min. de leitura
Domínio brasileiro na Libertadores gera debate acalorado na Fifa sobre o futuro do futebol sul-americano

Nos últimos anos, o futebol brasileiro tem reinado absoluto na Copa Libertadores da América, conquistando a maioria dos títulos e impondo uma hegemonia que começa a preocupar dirigentes da Conmebol. Em um painel realizado pela Fifa em Budapeste, Hungria, especialistas discutiram os impactos dessa supremacia e os desafios que ela impõe para o equilíbrio do futebol sul-americano.

O encontro trouxe à tona a crescente disparidade financeira entre clubes brasileiros e suas rivais de outros países, além do avanço acelerado das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) no Brasil, que prometem transformar o cenário nos próximos anos. Quer saber como isso pode afetar o futuro da Libertadores? Continue lendo para entender os detalhes dessa discussão.

O avanço das SAFs e o impacto financeiro no futebol sul-americano

Montserrat Jiménez, diretora jurídica e secretária-geral adjunta da Conmebol, destacou em Budapeste que o modelo das SAFs veio para ficar no Brasil e que sua expansão pode aumentar ainda mais a distância econômica entre os clubes brasileiros e os demais times do continente. Segundo ela, essa diferença já é visível e tende a crescer rapidamente.

Ela citou uma conversa com Marcos Motta, vice-presidente do Flamengo, que afirmou que até 2029, praticamente todos os clubes brasileiros na Série A serão SAFs, com exceção de apenas um. Isso significa uma profissionalização intensa e uma entrada veloz dos clubes brasileiros em redes multiclubes (MCOs), acelerando o investimento e a estruturação desses times.

Como essa realidade afeta a competitividade da Libertadores

Nos últimos 15 anos, 11 campeões da Libertadores foram brasileiros, e nos últimos sete anos, todos os títulos ficaram com clubes do Brasil: Flamengo (2019, 2022 e 2025), Palmeiras (2020 e 2021), Fluminense (2023) e Botafogo (2024). Essa sequência reforça o domínio nacional e evidencia a crescente distância técnica e financeira dos brasileiros em relação aos rivais sul-americanos.

Montserrat Jiménez expressou preocupação sobre o que isso pode significar para o futuro da competição. “Se o Brasil continuar se distanciando, vamos ver finais cada vez mais brasileiras, deixando os demais clubes para trás”, afirmou. Para ela, é necessário um esforço conjunto para evitar que essa disparidade comprometa o equilíbrio e a competitividade da Libertadores.

Resistência e desafios: a visão da Argentina e o debate sobre a tradição dos clubes

Durante o congresso Football Law Annual Review (FLAR), que este ano teve como tema as redes multiclubes, representantes de outros países da América do Sul também manifestaram suas opiniões. Um dirigente da Associação de Futebol da Argentina (AFA) defendeu a rejeição ao modelo de SAFs no país, ressaltando a importância da tradição e da função social dos clubes argentinos.

Essa postura contrasta com o movimento brasileiro, onde a profissionalização por meio das SAFs é vista como caminho inevitável para modernizar e fortalecer os clubes. A divergência reflete uma disputa entre inovação e preservação de valores históricos, que alimenta o debate sobre o futuro do futebol sul-americano.

O desafio para a Conmebol será encontrar um equilíbrio que permita o desenvolvimento econômico dos clubes sem sacrificar a competitividade e a diversidade da Libertadores.

O futebol sul-americano vive um momento de transformação, impulsionado pelo crescimento financeiro dos clubes brasileiros e pela adoção das SAFs. A hegemonia do Brasil na Libertadores pode se aprofundar, mas também pode estimular mudanças para garantir que a competição continue vibrante e equilibrada para todos os participantes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais desafios enfrentados pelos clubes sul-americanos?

Os clubes sul-americanos enfrentam desafios financeiros e a crescente disparidade com os clubes brasileiros.

O que são as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs)?

SAFs são modelos de gestão que permitem maior profissionalização e investimento nos clubes de futebol.

Como a hegemonia brasileira afeta a competitividade da Libertadores?

A hegemonia brasileira pode levar a finais dominadas por clubes do Brasil, comprometendo a diversidade da competição.

Qual é a previsão para a adoção de SAFs no Brasil?

Até 2029, a maioria dos clubes brasileiros na Série A deve se tornar SAFs, com exceção de apenas um.

Como outros países da América do Sul reagem ao modelo de SAFs?

Alguns países, como a Argentina, rejeitam o modelo, defendendo a preservação da tradição dos clubes.

Rafael Dias

Rafael Dias

Rafael Dias é jornalista esportivo e apaixonado por futebol desde criança. Escreve no blog Futebol na Web, onde comenta jogos, analisa táticas e compartilha curiosidades do mundo da bola com linguagem leve e acessível. Com olhar crítico e bom humor, atrai leitores que buscam informação com personalidade.

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