Maeterlinck Rêgo: 55 anos dedicados ao América e rumo ao recorde mundial
Quando Maeterlinck Rêgo atravessa os portões do centro de treinamento do América Futebol Clube, o sentimento é único. Mesmo após cinco décadas, o coração ainda acelera e aquele “friozinho na barriga” insiste em aparecer. Para ele, o local não é só um ambiente de trabalho, mas uma extensão da própria casa, onde construiu uma história marcada por dedicação e paixão.
Em 2026, Maeterlinck completará impressionantes 55 anos de serviços ininterruptos ao Alvirrubro. São décadas dedicadas a cuidar dos atletas, remendar lesões e acompanhar cada capítulo da trajetória do clube potiguar. Agora, ele se prepara para um desafio especial: conquistar o reconhecimento oficial do Guinness World Records como o médico de clube mais longevo em atividade no mundo.
Um legado construído ao longo de décadas
Para quem acompanha o futebol em Natal, a presença constante de Maeterlinck é algo natural. Mas, para os auditores do Guinness e da CBF, é preciso provar cada detalhe dessa longa jornada, o que não é tarefa fácil. A documentação dos anos 70, 80 e 90 é escassa, e a presença do médico à beira do campo nem sempre era registrada formalmente. Mesmo assim, Maeterlinck não deixou o América entrar em campo sem seu suporte médico.
“Tenho 55 anos de clube, mas o América já tem 110. Vivi metade da história desse time”, comenta ele, destacando a dificuldade em reunir provas oficiais. “Fui campeão 23 vezes, tenho fotos e assinava súmulas antigamente. Hoje, nem assinamos mais; apenas mostramos a carteira e o nome aparece no documento da partida.”
A busca pela comprovação histórica
Com uma verdadeira força-tarefa, Maeterlinck está juntando fotos antigas, documentos assinados por ex-presidentes da FIFA, como Joseph Blatter, e títulos que comprovem sua trajetória. O objetivo é transformar 55 anos de dedicação em provas oficiais aceitas internacionalmente, consolidando seu nome na história do futebol mundial.
Evolução da medicina esportiva vista de perto
A experiência acumulada ao longo dessas décadas fez de Maeterlinck uma verdadeira enciclopédia da medicina esportiva. Ele presenciou a transformação do futebol, que passou de um esporte quase rústico para uma ciência precisa e tecnológica.
“No começo, o diagnóstico de menisco era feito com pneumoartrografia, injetando ar no joelho do atleta. Era doloroso. Rompia o menisco? Tirava tudo, o que aposentava jogadores precocemente”, relembra. Hoje, com equipamentos modernos como a ressonância magnética e técnicas de sutura, os tratamentos são mais eficazes e menos invasivos, preservando carreiras.
Ele também recorda práticas antigas, como o uso do éter e infiltrações perigosas, comuns na época de craques como Garrincha. “Com a tecnologia atual, a nutrição e a fisiologia, Pelé teria feito ainda mais gols”, afirma, demonstrando como o avanço da medicina mudou o futebol.
Uma dinastia de médicos no América
A ligação de Maeterlinck com o América vai além da profissão. Entrou para a história do clube após um convite em 1971 e se tornou referência. Hoje, seus três filhos, Marcelo, Márcio e Marcos, seguem seus passos como ortopedistas e dividem a responsabilidade pelo Departamento Médico do time.
“Eles, ainda bebês, eu já levava para o América”, conta com orgulho. Essa continuidade garante que o cuidado e o amor pelo clube permaneçam vivos, mesmo quando Maeterlinck decidir pendurar o jaleco.
Quando o assunto é aposentadoria, ele prefere brincar. A esposa, que faleceu recentemente, sempre perguntava quando ele pararia. A resposta dele era certeira: “No dia em que o massagista entrar em campo correndo mais rápido que eu”.
Enquanto reúne documentos para oficializar seu recorde, Maeterlinck Rêgo segue firme no América. Aos 55 anos dedicados ao clube, mostra que a medicina pode cuidar do corpo, mas a paixão pelo futebol e pelo Alvirrubro é algo que não tem cura.
Perguntas Frequentes
Qual é o objetivo de Maeterlinck Rêgo?
Ele busca o reconhecimento do Guinness World Records como o médico de clube mais longevo em atividade.
Quantos anos Maeterlinck Rêgo dedicou ao América Futebol Clube?
Maeterlinck Rêgo dedicou 55 anos ao América Futebol Clube.
Que tipo de documentação Maeterlinck está reunindo?
Ele está reunindo fotos antigas, documentos e títulos que comprovem sua trajetória no clube.
Como a medicina esportiva evoluiu segundo Maeterlinck?
Ele observou a transformação do futebol de um esporte rústico para uma ciência precisa e tecnológica.
Qual a relação de Maeterlinck com a nova geração de médicos do América?
Seus três filhos seguem seus passos como ortopedistas no Departamento Médico do time.