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Treinadores estrangeiros no Brasil: como funciona o Imposto de Renda para técnicos de futebol?

05. março. 2026
4. Min. de leitura
Treinadores estrangeiros no Brasil: como funciona o Imposto de Renda para técnicos de futebol?

O futebol brasileiro está cada vez mais globalizado, com técnicos estrangeiros ganhando destaque nos principais clubes do país. Nomes como Abel Ferreira no Palmeiras, Hernán Crespo no São Paulo, Juan Pablo Vojvoda no Santos e Leonardo Jardim, recentemente contratado pelo Flamengo, representam essa tendência. Com a chegada do período de entrega do Imposto de Renda, surge a dúvida: esses treinadores também precisam declarar e pagar o IR no Brasil?

Vamos esclarecer como funciona a tributação para esses profissionais estrangeiros que atuam no futebol nacional, especialmente no caso de Jardim, que tem residência fiscal em Mônaco, um país conhecido pela isenção de diversos impostos. Continue a leitura para entender os detalhes da legislação e as implicações para os técnicos internacionais.

Residência fiscal e tributação: o que determina o pagamento do IR?

Ao contrário do que muitos imaginam, a nacionalidade ou o local de residência no exterior não são os principais critérios para definir a tributação no Brasil. O que importa para a Receita Federal é a residência fiscal e a origem dos rendimentos. Mafrys Gomes, especialista em tributação, explica que, se o técnico for considerado não residente no Brasil, o salário pago por um clube brasileiro sofre retenção de Imposto de Renda na fonte de 25%.

Para ser considerado residente fiscal, o estrangeiro precisa passar mais de 183 dias no país dentro de um período de 12 meses ou obter visto permanente. Nesse caso, ele deve pagar IR sobre todos os rendimentos, tanto no Brasil quanto no exterior. Caso contrário, o imposto incide apenas sobre a renda gerada em território nacional.

Vínculo empregatício e a regra dos 183 dias

Patrícia Madrid, tributarista, reforça que, quando há vínculo empregatício, como parece ser o caso de Leonardo Jardim com o Flamengo, o profissional pode ser considerado residente fiscal desde o primeiro dia no Brasil. Isso significa que a regra dos 183 dias não se aplica automaticamente.

Segundo Madrid, “a pessoa física que ingressa no Brasil para trabalhar com vínculo empregatício pode ser considerada residente desde a data da chegada”. Assim, o técnico fica sujeito ao regime normal do Imposto de Renda da Pessoa Física, com tabela progressiva, direito a deduções e tributação sobre a renda global, incluindo ganhos no exterior.

Tratados internacionais e o caso de Mônaco

O Brasil possui acordos de bitributação com vários países para evitar que um mesmo rendimento seja tributado duas vezes. Porém, Mônaco não está entre esses países. Isso significa que, mesmo com residência fiscal no Principado, Leonardo Jardim deve cumprir suas obrigações tributárias no Brasil sobre os valores recebidos pelo Flamengo.

Patrícia Madrid destaca que a residência em Mônaco pode influenciar a tributação naquele país, mas não afasta a competência do Brasil para cobrar o Imposto de Renda sobre os pagamentos feitos pelo clube brasileiro.

Pagamento via empresa no exterior: vantagens ou complicações?

Uma prática comum entre atletas e técnicos de alto nível é receber por meio de empresas constituídas no exterior, buscando vantagens fiscais. No entanto, Mafrys Gomes alerta que, no caso de Mônaco, essa estratégia não reduz a alíquota do imposto devido no Brasil.

Isso porque o Brasil considera Mônaco uma jurisdição com tributação favorecida, ou seja, um paraíso fiscal. Assim, mesmo que o Flamengo pague a uma empresa monegasca, a alíquota de Imposto de Renda Retido na Fonte permanece em 25%, conforme previsto na legislação brasileira.

Portanto, técnicos estrangeiros que atuam no futebol brasileiro precisam estar atentos às regras do Imposto de Renda, especialmente quando envolvem vínculos empregatícios e estruturas de pagamento no exterior. O cenário reforça a complexidade fiscal que envolve grandes contratações internacionais no esporte nacional.

Com o futebol cada vez mais internacionalizado, entender esses detalhes ajuda a compreender como funciona o mercado e os impactos econômicos por trás dos clubes e seus profissionais.

Perguntas Frequentes

O que é residência fiscal?

Residência fiscal é o status que determina onde uma pessoa é considerada residente para fins tributários.

Como um treinador estrangeiro é tributado no Brasil?

Se considerado residente, paga IR sobre todos os rendimentos; se não, apenas sobre a renda gerada no Brasil.

Quais são os critérios para ser considerado residente fiscal no Brasil?

O estrangeiro deve passar mais de 183 dias no país ou obter visto permanente para ser considerado residente fiscal.

Mônaco tem acordo de bitributação com o Brasil?

Não, Mônaco não possui acordo de bitributação com o Brasil, então a tributação se aplica sobre os rendimentos recebidos aqui.

Receber via empresa no exterior é vantajoso para técnicos?

Não necessariamente, pois o Brasil considera Mônaco um paraíso fiscal e a alíquota de IR permanece em 25%.

Lucas Tavares

Lucas Tavares

Lucas Tavares é colunista do Futebol na Web e escreve com a emoção de quem cresceu entre arquibancadas e transmissões no rádio. Especialista em comentar o que acontece dentro e fora das quatro linhas, ele une paixão, informação e um toque de humor em cada texto.

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