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Brasil reforça combate à violência contra a mulher em mobilizações de 2026

04. março. 2026
5. Min. de leitura
Brasil reforça combate à violência contra a mulher em mobilizações de 2026

O mês de março de 2026 começou com uma mobilização intensa no Brasil para lembrar o Dia Internacional das Mulheres e fortalecer a luta contra a violência de gênero. O governo federal, por meio do Ministério das Mulheres, iniciou as ações com um ato simbólico em memória de Tainara Souza Santos, vítima de feminicídio em São Paulo, trazendo à tona a urgência de medidas eficazes para proteger as mulheres brasileiras.

Além das homenagens, o país tem intensificado debates e ações para enfrentar os altos índices de feminicídios e outras formas de violência contra as mulheres, que seguem preocupando autoridades e sociedade civil. Acompanhe os principais desdobramentos dessa luta fundamental para a garantia dos direitos femininos no Brasil.

Início das mobilizações e o caso que chocou o país

O governo abriu as atividades do mês da mulher com um evento realizado pelo Ministério das Mulheres no último domingo (1º). A cerimônia destacou a memória de Tainara Souza Santos, de 31 anos, que faleceu após ser atropelada e arrastada por mais de um quilômetro pelo ex-companheiro na Marginal Tietê, zona norte de São Paulo. Este episódio brutal expõe a gravidade da violência doméstica e o risco constante que muitas mulheres enfrentam.

A homenagem serviu para reforçar o compromisso do governo em combater o feminicídio e promover políticas públicas que protejam as vítimas. Em paralelo, o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável promoveu, na quarta-feira (4), o seminário “Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres”, evento que integra o Pacto Brasil entre os Três Poderes para o Enfrentamento do Feminicídio, uma iniciativa inédita que busca integrar esforços das esferas executiva, legislativa e judiciária.

Entrevista exclusiva com a ministra Márcia Lopes: desafios e avanços

Durante o evento, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, concedeu entrevista exclusiva aos veículos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), detalhando os principais desafios para enfrentar a violência contra as mulheres e promover a igualdade de gênero no Brasil.

Feminicídios em alta e o que falta para mudar essa realidade

A ministra ressaltou que o Brasil registrou um recorde de 1.548 feminicídios em 2025, o que significa cerca de quatro mulheres mortas por dia, número que pode ser ainda maior devido à subnotificação. Segundo ela, a raiz do problema está na estrutura patriarcal que ainda domina e alimenta o machismo e a misoginia no país e no mundo.

“Vivemos um retrocesso entre 2016 e 2022, com a destruição de avanços importantes na proteção das mulheres e no funcionamento dos serviços de apoio”, afirmou. Desde 2023, conforme explicou, o governo tem trabalhado para reconstruir essas políticas, mas o caminho ainda é longo.

Medidas protetivas e lacunas no sistema

Sobre a Lei Maria da Penha, a ministra destacou que, embora existam medidas protetivas, a demora para a sua concessão e a falta de estrutura adequada colocam as mulheres em risco. Ela reforçou a importância das Patrulhas Maria da Penha, que, em locais onde atuam de forma efetiva, conseguiram eliminar casos de feminicídio entre mulheres protegidas.

“Precisamos de delegacias especializadas funcionando nos fins de semana e feriados, além de equipes capacitadas e comprometidas com o protocolo de gênero”, acrescentou Márcia Lopes, apontando que o atendimento inadequado e o questionamento das vítimas nas delegacias são barreiras que ainda persistem.

O Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio e a importância da união dos poderes

O lançamento do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, assinado recentemente pelos Três Poderes, marca um avanço na coordenação das ações para enfrentar a violência contra as mulheres. A ministra enfatizou que a integração entre Legislativo, Executivo e Judiciário é fundamental para garantir resultados efetivos.

Além disso, o pacto prevê o mapeamento dos fluxos de atendimento e responsabilidades em cada estado, buscando adaptar as políticas às realidades locais. “Sem essa articulação e responsabilidade compartilhada, não conseguimos avançar”, disse Márcia Lopes.

Outro ponto destacado foi a subnotificação dos casos de feminicídio, que muitas vezes aparecem como homicídios simples, dificultando o desenvolvimento de políticas públicas específicas. A ministra ressaltou que a tipificação do feminicídio pela lei de 2015 ajudou a melhorar o registro, mas ainda há muito a ser feito para garantir dados precisos e confiáveis.

Desafios econômicos e sociais para a igualdade de gênero

Na entrevista, a ministra também falou sobre a desigualdade salarial e a independência financeira das mulheres, fatores essenciais para romper ciclos de violência. Apesar das leis de igualdade salarial, a diferença ainda é significativa, com mulheres recebendo em média 21,2% menos que homens na mesma função.

“A lei é clara: mesma função, mesmo salário. Quem não cumprir deve ser penalizado”, afirmou Márcia Lopes, destacando a postura do presidente Lula nesse tema.

Além disso, a ministra comentou sobre iniciativas que buscam ampliar oportunidades para mulheres vítimas de violência no mercado de trabalho, como a exigência de que empresas contratadas pelo governo reservem 8% das vagas para esse grupo. No entanto, ela ressaltou que a mudança depende da adesão ética e política de toda a sociedade, incluindo empresários e agentes públicos.

“Defender a igualdade de gênero precisa ser uma meta coletiva, um compromisso real para transformar a vida das mulheres”, concluiu.

O Brasil, em 2026, segue um caminho de reconstrução e enfrentamento das violências contra as mulheres, mas os desafios ainda são grandes. O fortalecimento das políticas públicas, a união dos poderes e o engajamento da sociedade civil são fundamentais para garantir que nenhuma mulher seja vítima da violência e para avançar na conquista da igualdade.

Perguntas Frequentes

Qual foi o evento de abertura das mobilizações em março de 2026?

O evento foi realizado pelo Ministério das Mulheres em memória de Tainara Souza Santos, vítima de feminicídio.

Quais são os principais desafios enfrentados na luta contra a violência de gênero?

Os desafios incluem a estrutura patriarcal, a subnotificação de casos e a efetividade das medidas protetivas.

O que é o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio?

É uma iniciativa que integra esforços dos Três Poderes para coordenar ações e enfrentar a violência contra mulheres.

Como o governo pretende melhorar a proteção às mulheres?

O governo planeja aumentar a eficácia das Patrulhas Maria da Penha e garantir atendimento especializado nas delegacias.

Qual a importância da igualdade salarial na luta contra a violência de gênero?

A independência financeira das mulheres é essencial para romper ciclos de violência e alcançar igualdade de gênero.

Lucas Tavares

Lucas Tavares

Lucas Tavares é colunista do Futebol na Web e escreve com a emoção de quem cresceu entre arquibancadas e transmissões no rádio. Especialista em comentar o que acontece dentro e fora das quatro linhas, ele une paixão, informação e um toque de humor em cada texto.

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