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Mulheres no Jornalismo Esportivo Revelam Desafios e Assédios no Futebol Brasileiro

03. janeiro. 2026
4. Min. de leitura
Mulheres no Jornalismo Esportivo Revelam Desafios e Assédios no Futebol Brasileiro

Ser mulher no jornalismo esportivo brasileiro ainda é um desafio diário, marcado por episódios de assédio, intimidação e preconceito dentro e fora dos estádios. Três profissionais que atuam na cobertura do futebol compartilharam experiências recentes que mostram o quanto esse ambiente pode ser hostil, mesmo com o crescimento da presença feminina na área.

Duda Dalponte, da TV Globo, Nani Chemello, da Rádio Inferno, e Aline Gomes, da CazéTV, abriram o jogo sobre os obstáculos que enfrentam, desde agressões físicas até ataques nas redes sociais. Seus relatos revelam uma realidade que muitas mulheres no esporte conhecem bem, mas que ainda precisa ganhar mais visibilidade e ser combatida com firmeza.

Quando a paixão pelo futebol vira alvo de agressões e desrespeito

Duda Dalponte, que cobre grandes eventos esportivos para a TV Globo, viveu momentos tensos durante a transmissão da festa da torcida do Flamengo na final da Libertadores. Ela sofreu três puxões de cabelo em meio à multidão, um gesto violento que chocou e deixou marcas emocionais. “No primeiro puxão, achei que foi sem querer, mas nos outros percebi que foi proposital”, contou. Mesmo assim, Duda seguiu firme e concluiu sua entrada ao vivo.

Para ela, esses episódios são um reflexo da luta diária das mulheres no jornalismo esportivo. “Temos que estar muito mais preparadas do que qualquer homem. Conquistamos um lugar, mas ainda não é para sempre”, afirmou. A repercussão do caso serviu para abrir o debate sobre o assédio no meio esportivo e a necessidade de não deixar essas situações passarem em branco.

Intimidação e desrespeito: o lado sombrio da cobertura esportiva

Nani Chemello, que narra e comenta jogos do Internacional na Rádio Inferno, também enfrentou momentos difíceis. Durante uma partida, o lateral Bernadei retirou seu fone de ouvido e a intimidou por críticas feitas ao time. “Aquela semana foi difícil, chorei no dia seguinte para me acalmar”, revelou. Além disso, Nani já sofreu ataques nas redes sociais e presenciou situações desconfortáveis com colegas de profissão.

Ela destaca que, apesar da paixão pelo trabalho, o ambiente nem sempre é acolhedor para as mulheres. “Às vezes, parece que o meio não quer a gente ali”, lamentou. Nani tem buscado apoio na terapia e em uma rede de amigos para enfrentar os desafios e seguir firme na carreira.

Empurrões e ameaças: a rotina complicada fora das câmeras

Aline Gomes, da CazéTV, tem uma trajetória diferente, vinda da área de TI, mas que encontrou no futebol sua verdadeira vocação. Porém, sua experiência também inclui momentos de violência. Após um jogo do Santos na Vila Belmiro, ela foi empurrada por um torcedor enquanto estava ao vivo. “Tive uma crise de ansiedade, senti falta de ar, mas outros torcedores me ajudaram”, contou.

Apesar do episódio, Aline não pensa em desistir. Ela enfrenta comentários machistas e xingamentos, mas usa essas situações como combustível para seguir em frente. “Estão se incomodando porque falo de futebol? Então vou continuar”, disse com determinação. Seu pai, que inicialmente não incentivava sua presença nos estádios, hoje entende o valor do seu trabalho e a importância de buscar espaço independentemente do gênero.

Essas histórias evidenciam que, mesmo com avanços, o jornalismo esportivo ainda precisa evoluir para garantir um ambiente seguro e respeitoso para as mulheres. O combate ao assédio e ao preconceito é essencial para que elas possam exercer a profissão com tranquilidade e reconhecimento.

Enquanto as mulheres seguem conquistando seu lugar no futebol, os episódios relatados mostram que a luta por respeito e igualdade continua mais viva do que nunca.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais desafios enfrentados por mulheres no jornalismo esportivo?

As mulheres enfrentam assédio, intimidação e preconceito, tanto dentro quanto fora dos estádios.

Como as profissionais lidam com situações de assédio?

Elas buscam apoio em redes de amigos e terapia, além de se manterem firmes em suas carreiras.

Qual foi uma experiência marcante relatada por Duda Dalponte?

Duda sofreu puxões de cabelo durante uma transmissão ao vivo, refletindo a hostilidade que enfrenta.

O que Nani Chemello fez para lidar com a intimidação que sofreu?

Nani buscou apoio na terapia e em sua rede de amigos para enfrentar os desafios.

Por que Aline Gomes não desiste de sua carreira no futebol?

Ela usa as críticas e xingamentos como combustível para continuar seu trabalho e conquistar seu espaço.

Lucas Tavares

Lucas Tavares

Lucas Tavares é colunista do Futebol na Web e escreve com a emoção de quem cresceu entre arquibancadas e transmissões no rádio. Especialista em comentar o que acontece dentro e fora das quatro linhas, ele une paixão, informação e um toque de humor em cada texto.

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