Empresário é preso por usar CRM de médico para aplicar golpes em exames médicos
Um caso que chocou a cidade de Cananéia vem ganhando novos desdobramentos. O empresário Mazini foi preso após utilizar o CRM do médico Enrico, seu sócio em uma clínica de São Paulo, para realizar exames médicos fraudulentos no hospital local. A fraude só veio à tona quando o falso profissional relatou a visualização da vesícula biliar em uma paciente que, na verdade, não possuía o órgão.
O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) já está investigando o caso, que expõe graves riscos à saúde e à confiança dos pacientes. A história, que mistura crime e tragédia, ainda está longe de um desfecho definitivo.
Como a fraude foi descoberta e as consequências imediatas
A descoberta da fraude aconteceu de maneira curiosa, mas preocupante. Durante um exame de ultrassom transvaginal, o falso médico afirmou ter identificado a vesícula biliar de uma paciente, algo impossível, pois ela já havia passado por cirurgia para retirada do órgão. Essa contradição levantou suspeitas e levou à prisão de Mazini em 7 de janeiro.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou o pedido de soltura do empresário, justificando que sua liberdade representaria um risco para a sociedade. Enquanto isso, o verdadeiro médico, Enrico, faleceu em 20 de janeiro, sem que a causa da morte tenha sido confirmada oficialmente. Com isso, a punibilidade dele será extinta no inquérito policial — o que significa que o Estado não poderá responsabilizá-lo criminalmente.
Repercussão judicial e vítimas buscam indenização
Cinco mulheres que foram atendidas por Mazini entraram com ações na Justiça pedindo indenizações por danos morais. Cada uma reivindica R$ 50 mil, totalizando R$ 250 mil, alegando terem sido expostas a uma situação de extrema vulnerabilidade ao serem submetidas a exames ultrassonográficos por um falso profissional.
Na petição, os advogados reforçam que a intimidade das pacientes foi violada e criticam a falta de fiscalização tanto da empresa responsável pela clínica quanto do município. A ação foi protocolada de forma solidária, o que significa que qualquer um dos réus pode ser responsabilizado pelo pagamento integral da indenização, cabendo depois o rateio entre eles.
O advogado de Mazini, Celino Barbosa Netto, afirmou que a defesa ainda não foi oficialmente notificada sobre as ações e destacou que os fatos narrados nas ações civis dependem da decisão da esfera criminal.
Histórico de acusações e andamento das investigações
Não é a primeira vez que Mazini se envolve em problemas relacionados ao exercício ilegal da medicina. Em setembro de 2025, ele já havia sido denunciado por associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica e apropriação indébita em Santo Amaro, região da Grande São Paulo. Naquela ocasião, o empresário teria se passado pelo mesmo médico, realizando pelo menos dez atendimentos, incluindo ultrassonografias de próstata, vias urinárias e abdômen total.
O Ministério Público denunciou Mazini por estelionato, exercício ilegal da medicina, falsidade material e por colocar vidas em risco, com penas que podem chegar a 13 anos de prisão. A Polícia Civil investiga o caso, mas até agora não divulgou o andamento das apurações.
Para a defesa, a acusação é “inflada” e juridicamente controversa, ressaltando que o processo está em fase inicial e que todos os fatos serão analisados com cautela pelo Judiciário ao longo da ação penal.
Esse caso serve como alerta para a importância da fiscalização rigorosa no setor da saúde e para a necessidade de os pacientes sempre confirmarem a autenticidade dos profissionais que os atendem. A confiança, elemento fundamental na relação médico-paciente, foi profundamente abalada por essa situação.
Perguntas Frequentes
Quais foram os crimes cometidos por Mazini?
Mazini foi acusado de estelionato, exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica.
Como a fraude foi descoberta?
A fraude foi descoberta após um exame de ultrassom revelar uma contradição sobre a vesícula biliar de uma paciente.
Quais são as consequências legais para Mazini?
Mazini pode enfrentar penas de até 13 anos de prisão, dependendo do andamento das investigações.
Qual foi a reação das vítimas?
Cinco mulheres processaram Mazini pedindo indenizações por danos morais, totalizando R$ 250 mil.
O que aconteceu com o médico Enrico?
O médico Enrico faleceu em janeiro, o que extinguiu a punibilidade de Mazini no inquérito policial.