Polícia Civil confirma que PMs atiraram em legítima defesa no caso da morte do menino Ryan
O relatório final da Polícia Civil sobre a morte do menino Ryan Silva Andrade Santos, de 4 anos, traz novos detalhes sobre o episódio que chocou Santos, no litoral de São Paulo. Segundo o documento apresentado à Justiça em fevereiro de 2026, os policiais militares envolvidos na ação dispararam em legítima defesa durante uma troca de tiros no Morro São Bento, em novembro de 2024. A investigação aponta que o disparo fatal que atingiu Ryan foi acidental e não poderia ser previsto pelos agentes.
O caso segue repercutindo na cidade e gera debates sobre segurança pública, uso da força policial e proteção de crianças em áreas de risco. Acompanhe abaixo os principais pontos do inquérito e o que se sabe até agora sobre o trágico episódio.
O que aconteceu no Morro São Bento na noite do confronto?
Na noite de 5 de novembro de 2024, policiais da Força Tática e da Rocam foram acionados para apurar denúncia de tráfico de drogas no Morro São Bento. Ao chegarem ao local, os agentes relataram ter sido recebidos a tiros por cerca de dez suspeitos, entre eles dois adolescentes. Em reação, a polícia revidou, resultando em um intenso confronto armado.
Durante o tiroteio, um dos adolescentes, de 17 anos, morreu no local, enquanto o outro, de 15, foi apreendido. Ambos eram suspeitos de envolvimento com o tráfico na região, conforme relato dos policiais. No entanto, o menor sobrevivente negou que estivesse armado, e testemunhas presentes afirmaram que não houve troca de tiros, mas apenas disparos efetuados pelos PMs.
Enquanto isso, Ryan brincava com outras crianças na rua, supervisionado por parentes, incluindo sua mãe. Foi nesse momento que um disparo de calibre 12 atingiu sua barriga. A criança foi socorrida às pressas para a Santa Casa de Santos, mas não resistiu aos ferimentos.
Investigação da Polícia Civil aponta legítima defesa e acidente
O delegado Thiago Nemi Bonametti, responsável pelo inquérito, destacou que as evidências coletadas confirmam a versão dos policiais de que houve confronto armado. Perícias no local indicaram a presença de disparos feitos por armas que não pertenciam aos PMs, sugerindo que os suspeitos também atiraram.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) revelou que o projétil que matou Ryan apresentou sinais de ricochete, com trajetória de baixo para cima e energia reduzida ao atingir a criança. Isso indica que a bala não partiu diretamente da arma do policial, mas sim após atingir outra superfície, o que impossibilitou prever o acidente.
Além disso, o cabo Clóvis Damasceno de Carvalho Júnior, único policial com espingarda calibre 12 no grupo, e seus colegas afirmaram que a distância e o ângulo dos disparos tornavam improvável que um deles tivesse acertado Ryan diretamente. A área é conhecida pela presença de traficantes armados e já foi palco de ataques contra policiais nos últimos anos, o que reforça o cenário de risco enfrentado pelos agentes.
Próximos passos: Ministério Público analisa o caso
Com o relatório da Polícia Civil em mãos, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) vai avaliar as conclusões antes de emitir seu parecer. A promotoria mantém um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) em sigilo para apurar todos os detalhes do episódio.
Enquanto isso, a morte de Ryan segue como um triste lembrete dos desafios enfrentados em áreas conflituosas, onde a linha entre proteção e tragédia pode ser muito tênue. A sociedade aguarda os desdobramentos do processo para entender as responsabilidades e buscar formas de evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.
O caso do menino Ryan traz à tona debates fundamentais sobre segurança pública, o uso da força policial e a necessidade de políticas que garantam a proteção das crianças mesmo em territórios marcados pela violência. Acompanharemos de perto as atualizações e novas decisões judiciais sobre o tema.
Perguntas Frequentes
Qual foi a causa da morte do menino Ryan?
Ryan morreu após ser atingido por um disparo de arma de fogo durante um confronto entre policiais e suspeitos.
O que a investigação revelou sobre os policiais?
A investigação concluiu que os policiais agiram em legítima defesa e o disparo que atingiu Ryan foi acidental.
Como ocorreu o confronto no Morro São Bento?
O confronto começou quando policiais foram acionados para investigar tráfico de drogas e foram recebidos a tiros por suspeitos.
Quais são os próximos passos após o relatório da Polícia Civil?
O Ministério Público de São Paulo vai analisar o relatório antes de emitir um parecer sobre o caso.
Que debates o caso do menino Ryan gerou na sociedade?
O caso levantou discussões sobre segurança pública, uso da força policial e proteção de crianças em áreas de risco.