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Thainá Santos vence batalha e assume cargo na Polícia Penal após gravidez

06. março. 2026
4. Min. de leitura
Thainá Santos vence batalha e assume cargo na Polícia Penal após gravidez

Thainá Santos enfrentou um verdadeiro teste de resistência para garantir seu direito de concluir o curso de formação da Polícia Penal em Roraima, mesmo durante a gestação. A trajetória da jovem, marcada por desafios jurídicos e administrativos, só terminou em 2026, quando finalmente foi empossada no cargo que conquistou no concurso de 2020, após uma espera de anos e muita luta.

Quer saber como Thainá superou os obstáculos e o que essa vitória representa para outras mulheres no serviço público? Continue a leitura e descubra todos os detalhes dessa história inspiradora.

Gravidez e desligamento: o início de uma resistência

Quando o curso de formação da Polícia Penal começou, Thainá já estava com seis meses de gestação. Apesar de ter passado por todas as etapas do concurso — prova objetiva, teste físico, avaliação psicológica, exame toxicológico e investigação social —, ela foi desligada do curso ao atingir sete meses de gravidez. A decisão partiu da Secretaria de Justiça e Cidadania de Roraima (Sejuc), mesmo com a apresentação de atestado médico que comprovava sua aptidão física e mental para continuar.

“Me senti punida. Me chamaram numa sala e disseram que a partir do outro dia eu não precisava mais ir. Acredito que deveria haver adaptação para não prejudicar as mulheres. Um homem não seria desligado por ser pai, e eu fui desligada por ser mãe.”

Determinada a não desistir, Thainá recorreu à Justiça ainda grávida, investindo cerca de R$ 3 mil em advogado particular. Apesar do esforço, a medida administrativa não foi revertida na época, dando início a uma longa batalha para garantir seus direitos.

Intervenção do Ministério Público e retomada do curso

A virada na história de Thainá aconteceu em 2023, quando a Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher, vinculada ao Ministério Público, pressionou a Sejuc a reconsiderar o desligamento. A promotora Lucimara Campaner destacou que a exclusão da candidata violava a Constituição Federal e leis de proteção à mulher, que asseguram o acesso ao trabalho para gestantes.

Com a determinação judicial, ficou estabelecido que Thainá poderia concluir o curso de formação após o nascimento do filho, Théo Lucca. O retorno às atividades ocorreu quando o bebê tinha nove meses, período em que ela ainda amamentava, mas cumpriu as etapas que não pôde realizar durante a gravidez.

“Espero que seja só a primeira de muitas conquistas. E que o que aconteceu comigo não aconteça com outras mulheres”, afirmou Thainá, emocionada ao retomar o sonho de atuar na Polícia Penal.

Posse e reconhecimento: o fim de um ciclo e o começo de uma carreira

Em fevereiro de 2026, Thainá foi oficialmente nomeada e empossada como policial penal, em cerimônia realizada em Boa Vista. Nas redes sociais, ela compartilhou imagens que simbolizam sua luta: uma foto grávida pouco antes do desligamento e outra ao lado do filho durante a posse, três anos depois.

A conquista representa mais do que um cargo público. É o reconhecimento de uma trajetória marcada por noites difíceis, ansiedade e superação. “Foram noites de choro e desespero. Mas deu certo. Hoje, só quero trabalhar, dar o meu melhor e agradecer a Deus”, declarou a policial.

Além dela, outros 73 novos policiais penais foram empossados, ampliando o quadro da Polícia Penal de Roraima para 877 servidores. A experiência de Thainá também trouxe à tona discussões importantes sobre a distribuição de vagas no concurso, que reservava 70% para homens e apenas 30% para mulheres, um fator que, segundo ela, atrasou sua entrada no serviço público.

Thainá lembra que, se a seleção fosse baseada exclusivamente no mérito, ela já estaria trabalhando há anos. Sua história é um marco para a proteção dos direitos das mulheres no serviço público e um exemplo de coragem para quem enfrenta barreiras semelhantes.

Essa vitória revela a importância de garantir igualdade de oportunidades e respeito às condições particulares de cada candidato, especialmente em carreiras tão essenciais quanto a segurança pública.

Agora, Thainá está pronta para começar seu trabalho na área penitenciária, com a certeza de que sua luta abriu caminho para outras mulheres que desejam ingressar na Polícia Penal.

Perguntas Frequentes

Quais desafios Thainá enfrentou durante sua gravidez?

Thainá foi desligada do curso de formação da Polícia Penal ao atingir sete meses de gravidez, apesar de estar apta.

Como o Ministério Público ajudou Thainá?

A Promotoria de Justiça pressionou a Sejuc a reconsiderar o desligamento, permitindo que ela concluísse o curso após a gravidez.

Quando Thainá foi empossada como policial penal?

Thainá foi empossada oficialmente em fevereiro de 2026, após concluir o curso de formação.

Qual foi o custo da batalha judicial de Thainá?

Thainá investiu cerca de R$ 3 mil em um advogado particular para recorrer da decisão de desligamento.

Qual a importância da conquista de Thainá?

Sua vitória representa a luta por igualdade de oportunidades e a proteção dos direitos das mulheres no serviço público.

Rafael Dias

Rafael Dias

Rafael Dias é jornalista esportivo e apaixonado por futebol desde criança. Escreve no blog Futebol na Web, onde comenta jogos, analisa táticas e compartilha curiosidades do mundo da bola com linguagem leve e acessível. Com olhar crítico e bom humor, atrai leitores que buscam informação com personalidade.

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