Feminicídios em São Paulo sobem em 2025 e desafios para proteção das mulheres crescem
O ano de 2025 registrou um aumento preocupante nos casos de feminicídio em São Paulo, refletindo uma realidade que preocupa autoridades e especialistas em segurança pública. A capital paulista, por exemplo, contabilizou 60 casos, o que representa uma alta de 22,4% em relação a 2024, quando foram registrados 49 assassinatos de mulheres motivados por violência de gênero.
Este cenário acende um alerta sobre a urgência de medidas eficazes para proteger as mulheres, sobretudo diante do crescimento dos crimes cometidos em locais públicos, onde a sensação de impunidade parece se intensificar. Vamos entender os números, as ações implementadas e os desafios que ainda persistem.
Contexto dos feminicídios em São Paulo e as ações governamentais
O governo do estado de São Paulo reconhece a violência contra a mulher como uma prioridade e destaca avanços importantes desde 2023. Entre as medidas implementadas, está a criação da Secretaria de Políticas para a Mulher, que atua em parceria com a Secretaria de Segurança para intensificar o combate ao problema.
Uma iniciativa pioneira foi o monitoramento de agressores por tornozeleiras eletrônicas. Desde 2023, cerca de 1.100 homens passaram a ser acompanhados, e 112 foram presos por descumprimento de medidas protetivas. Essa tecnologia permite impedir em tempo real a aproximação dos agressores às vítimas, ampliando a segurança.
Além disso, o aplicativo SP Mulher Segura conecta mulheres em situação de risco diretamente à polícia, funcionando 24 horas por dia. São mais de 45 mil usuárias e 7 mil acionamentos do botão do pânico, com envio imediato de viaturas via georreferenciamento.
- Ampliação de 54% nos espaços especializados para atendimento às vítimas, incluindo 142 Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e 170 Salas DDM 24 horas.
- Inauguração de 20 Casas da Mulher Paulista, com outras 16 em construção, para acolhimento das vítimas.
- Criação do auxílio-aluguel, que já beneficia 4 mil mulheres em 582 municípios.
- Capacitação de mais de 135 mil profissionais de bares, restaurantes e eventos para prevenção da violência, com o Protocolo Não se Cale.
Violência em vias públicas cresce e preocupa especialistas
Um estudo do Instituto Sou da Paz revelou que, em 2025, os feminicídios ocorridos em espaços públicos quase dobraram no estado. Enquanto em 2024 representavam 17,6% do total, no ano seguinte saltaram para 28%, passando de 33 para 58 casos nos primeiros dez meses.
Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto, alerta para o aumento da misoginia e da radicalização nas redes sociais, que alimentam esse tipo de violência. Ela ressalta a necessidade de respostas firmes e responsabilizações exemplares para combater a sensação de impunidade e mobilizar a sociedade contra esses crimes.
Apesar do crescimento nos locais públicos, a maior parte dos feminicídios ainda ocorre dentro de casa, onde 61,8% das vítimas foram assassinadas de janeiro a outubro de 2025.
Brasil bate recorde em feminicídios e casos chocam o país
Os dados nacionais também são alarmantes: 1.470 feminicídios foram registrados em 2025, número superior ao recorde anterior de 1.459 em 2024. Isso significa que, em média, quatro mulheres foram mortas por dia no país.
Além dos números, casos emblemáticos impactaram a opinião pública. No final do ano passado, Tainara Santos, de 31 anos, morreu após ser atropelada e arrastada por quase um quilômetro por um ex-ficante na Marginal Tietê, em São Paulo. Poucos dias depois, no Paraná, Jéssica Daiane Cabral de Oliveira foi assassinada com seis tiros dentro de casa na frente da filha de 7 anos, pelo ex-companheiro, um guarda municipal.
Outro caso que chocou foi o da adolescente Vitória Regina de Souza, de 17 anos, encontrada morta em Cajamar, com sinais de violência extrema. O suspeito confessou o crime e acompanhava a rotina da jovem, configurando um caso típico de perseguição.
Esses episódios evidenciam a urgência de ampliar a rede de proteção, garantir a efetividade das medidas protetivas e promover a conscientização para que a violência contra a mulher deixe de ser uma realidade tão presente.
O aumento dos feminicídios em São Paulo e no Brasil mostra que, apesar dos esforços, ainda há muito a ser feito para reverter essa situação. A combinação de tecnologia, políticas públicas e mobilização social é fundamental para transformar esses números e garantir segurança às mulheres.
Perguntas Frequentes
Quais foram as principais ações do governo de SP para combater feminicídios?
O governo criou a Secretaria de Políticas para a Mulher e implementou monitoramento de agressores com tornozeleiras eletrônicas.
Como o aplicativo SP Mulher Segura funciona?
O aplicativo conecta mulheres em situação de risco diretamente à polícia, funcionando 24 horas por dia.
Qual foi o aumento dos feminicídios em espaços públicos em 2025?
Os feminicídios em espaços públicos quase dobraram, passando de 17,6% em 2024 para 28% em 2025.
Quantos feminicídios foram registrados no Brasil em 2025?
O Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, superando o recorde anterior de 1.459 em 2024.
Quais são os desafios persistentes na proteção das mulheres?
Os principais desafios incluem a sensação de impunidade e a necessidade de respostas firmes para combater a violência.